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O INVERNO (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Domingo, 18.12.16

O inverno aqui na Fajã Grande é terrível. Há dias em que quase nem se pode sair de casa. O vento é fortíssimo e a chuva torrencial. As pessoas recolhem-se, como os grilos, nos seus esconderijos. Os homens juntam-se em qualquer sítio mais abrigado, a falquejar e a descansar, ou numa casa velha a jogar às cartas, enquanto as mulheres ficam em casa, a limpar, a arrumar armários, a consertar o que está à espera de reparos, a costurar, a fiar, a cardar e a fazer outros trabalhos

O inverno aqui, na verdade, é muito rigoroso, por vezes até chove pedra.

Mas é nesta estação do ano que as pessoas convivem mais, ficam mais solidárias, se ajudam mais, porque ficam mais tempo juntas. Para além de se juntarem ao serão, passam muitas tardes e até manhãs juntos, uma vez que não podem ir para os campos trabalhar. É sobretudo no dia de matar o porco que as pessoas se juntam e convivem muito.

É verdade que o inverno principia no Hemisfério Norte mais ou menos no dia 21 de dezembro, quando ocorre o tradicional Solstício de Inverno, nesta data a noite torna-se a mais longa do ano, mas aqui na Fajã Grande, o inverno começa muito antes, pois a partir do princípio de novembro o tempo já é muito rigoroso, prolongando-se o mau tempo até fevereiro e março. Durante este longo período de tempo a Fajã Grande é assolada, com muita frequência, por violentas tempestades, acompanhas de trovões fortíssimos e relâmpagos assustadores. Para se proteger de tão assustadores catástrofes ou para implorar que elas se afastassem, o povo volta-se para Santa Bárbara, exclamando: Santa Bárbara luz divina! Na verdade é a esta santa que, nestes momentos de angústia e aflição, o povo implorava e pede auxílio, uma vez que a Santa é considerada protetora por ocasião de tempestades, raios e trovões. Esta devoção à santa, apenas nos momentos das tempestades levou, inclusivamente, à criação de um adágio muito utilizado na freguesia: Só te lembras de Santa Bárbara quando faz trovões.

Mas o inverno também é uma estação triste. Há dias em que as ruas da freguesia parecem desertas e despovoadas. Apenas as lojas estão abertas e muitos ali se juntam, para descansar.

 BOAS FESTAS

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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