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O LAVRADOR D'ARADA

Quinta-feira, 13.03.14

Um dos rimances mais conhecido, declamado e até cantado na Fajã Grande, nos anos cinquenta era o “O Lavrador da Arada”. Era também cantado pelos foliões do Espírito Santo quando acompanhavam os cortejos para a igreja, para matar o gado ou para distribuir a carne ou levar as sortes. Trata-se de um belo poema que pretende mostrar aos crentes, como Jesus Cristo, tanto ama a pobreza e os pobres, que até se disfarçou de mendigo para por à prova a caridade dos homens.

O rimance rezava assim:

 

 “Vindo o lavrador da arada

Encontrou um pobrezinho.

E o pobrezinho lhe disse:

- Leva-me no teu carrinho.

Deu-lhe a mão ao lavrador

E no seu carro o metia.

Leva-o para a sua casa,

P’rá melhor sala que tinha.

Mandou fazer-lhe a ceia,

Do melhor manjar que havia.

Sentou-o na sua mesa,

Mas o pobre não comia.

Mandou-lhe fazer a cama,

Da melhor roupa que tinha.

Por baixo, damasco roxo,

Por cima, cambraia fina.

Lá pela noite adiante

O pobrezinho gemia.

Levanta-se o lavrador

A ver o que o pobre tinha.

Encontrou-o crucificado

Numa cruz de prata fina.

- Ó, meu Deus, se eu tal soubera

Que em minha casa eu vos tinha.

Mandava fazer preparos

Do melhor que encontraria.

- Cala-te aí, lavrador,

Não fales com fantasia.

No céu te tenho guardado,

Cadeira de porta fina.

Tua mulher ao teu lado

Que também o merecia.”

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publicado por picodavigia2 às 21:14





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