Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O LOBO SEM SORTE

Sábado, 22.03.14

(CONTO TRADICIONAL)

Era uma vez um lobo que andava cheio de fome, pois há vários dias não conseguia caçar nada para comer.

Certo dia, acordou muito entusiasmado, cuidando que havia de encontrar alguma comida. Assim, logo pela manhã pôs-se a caminho do bosque e encontrou dois carneiros guerreando. Aproximou-se, sorrateiramente, sem eles se aperceberem. Ao chegar junto deles deu-lhes um enorme raspanete:

- Que desordem é essa? Aqui já não há rei nem roque?

- Ó senhor lobo – respondeu um dos carneiros, muito assustado, - bem sabemos que nos vai matar e comer, mas primeiro resolva-nos aqui uma dúvida: este meu amigo que é doutro rebanho, diz que esta pastagem é do dono dele e aquela é que é do meu dono, mas eu digo que não… Ora o senhor lobo podia ver se este marco está em endireito com aquele além…

O lobo armado em marcador de extremas e fronteiras, pôs-se a olhar muito atento, até que levou uma valente marrada de um dos carneiros que o deixou caído no chão e sem sentidos…

Ao acordar da pancada, lá pensou que não voltaria a ter tanto a azar nem nunca mais ser comido por lorpa, seguiu o seu caminho e, mais adiante, avistou, no meio de um vale, uma égua muito velha e magra com uma cria que andavam pastando.

 - Ora ali estará a minha primeira refeição, - pensou. - A mãe está velha e magra e a filha é muito nova para me fazer mal…

Aproximou-se e, delicada e sorrateiramente, pediu desculpa á égua e disse que teria de a matar pois há dias que não comia nadinha. A égua, tentando proteger-se a si e à filhota, disse-lhe que concordava mas que antes se lhe fizesse um grande favor. Se ele atendesse o seu pedido até lhe dava a filha que ainda seria um melhor petisco.

- Qual é o favor? – Perguntou o lobo, já sonhando com um belo almoço.

- Ora, senhor lobo, é só tirar-me um cravo ou um prego que se me cravou na pata traseira e que não pára de me incomodar.

O lobo concordou e, mal se baixou para observar a pata da égua, levou tamanho coice que caiu de costas com os queixos partidos, enquanto a égua e a cria se punham em fuga, correndo para casa do seu dono.

Algum tempo depois, o lobo, ainda atordoado, lá se levantou e continuou a sua caminhada. Logo a seguir atravessou um pequeno oiteiro, onde encontrou uma porca com bacorinhos. Pensando que era desta vez que saciaria a sua fome, aproximou-se da porca com bons modos:

- Ando tão dorido e com tanta fome, senhora porca, que tenho de comer a ti e aos teus porquinhos…

- Ó senhor lobo, eu nem me importo que nos coma, mas os meus filhos ainda não foram baptizados. Se o senhor lobo me fizesse o favor de os baptizar, depois pode comê-los e vão-lhe fazer melhor proveito. Depois ainda me pode comer a mim. É só subir para cima da borda daquele poço, eu vou-lhe dando os porquinhos um a um e o senhor lobo deita-lhes a água. Depois pode comê-los.

Comovido o lobo não se fez rogado e saltou para a borda do poço. Mal o apanhou ali encavalitado, disposto a baptizar-lhe os filhotes, a porca deu-lhe tamanho empurrão que ele caiu para dentro do poço, quase morrendo afogado. A porca fugiu dali a sete pés com os filhos e o lobo, só algum tempo depois e muito a custo, consegui sair do poço, onde, onde quase morreu afogado.

Mas mesmo assim não desistiu de procurar comida, pois realmente tinha muita fome. Continuou a andar e, mais adiante, encontrou uma vaca a pastar num campo mas presa por uma corrente a uma estaca.

- Mas que sorte! Esta não me vai fugir. Agarro a corrente, puxo e a vaca cai. Que rico almoço eu vou ter e que me vai dar para três dias!

Arrancou a estaca, agarrou a corrente e, sem se aperceber, ficou preso a ela. Mal se sentiu solta, a vaca começou a correr, levando o lobo de rastos, atrás de si, preso na corrente. Esta, porém, rebentou e o lobo caiu num valado enquanto a vaca se refugiava no palheiro do seu dono. Cheio de dores o lobo lá se levantou e lastimando-se disse, para consigo: - "Quem te manda lobo ser marcador de extremas, veterinário de éguas e baptizador de porcos?

E voltou para a sua toca esfomeado e triste pensando que se a corrente não se tivesse partido, tinha sido arrastado até à casa do dono da vaca onde, muito provavelmente, havia de morrer com um tiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 09:40





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Março 2014

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031