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O LUGAR DA RIBEIRAS DAS CASAS

Sexta-feira, 07.09.18

Um dos mais emblemáticos lugares de quantos existiam na Fajã Grande era o da Ribeira das Casas, situado logo no início do caminho que dava para a Ponta e que era atravessado por uma Ribeira com o mesmo nome. Confrontava a sul com o Calhau Miúdo, o Mimoio e as Águas, a leste com o Pulo e a Rocha e a norte com as Covas e o Vale do Linho, enquanto, a oeste, ficava separado do mar pelo Rolo. Era uma zona fundamentalmente de relvas, muitas das quais, transformadas em lagoas, mas também existiam, por ali, algumas terras de cultivo. Este lugar, talvez por ser atravessado por uma ribeira e, consequentemente, ser abundante em água, era a zona da Fajã em que havia mais e melhores lagoas as quais possuíam nascentes de água de óptima qualidade. Meu pai tinha uma lagoa mesmo ao lado da ribeira e junto a uma outra pertencente ao Fernando de Tio Manuel Rosa, a qual tinha a melhor nascente das redondezas. Muitos transeuntes que por ali passavam, quer os que iam ou vinham da Ponta, quer os que trabalhavam os campos aquém e além, ou os que transportavam por aqueles caminhos molhos de erva, de incensos ou de lenha, paravam ali, num largo que havia mesmo ao lado da ribeira, na margem esquerda, no cruzamento do caminho com uma canada que dava para o Mimoio e para a Ribeira, a fim, não só de descansarem mas também de se refrescarem com aquela saborosíssima água. Mas era sobretudo durante a altura de “tirar o sargaço”, no Rolo, ou no tempo de o acarretar para os campos que a água da lagoa do Fernando, transportada em gigantescas folhas de inhame, abastecia quantos se dedicavam àquela faina. Possuíam também lagoas na Ribeira das Casas o Alfredo Lourenço, o David, o Gil, Ti Manuel Luís e o Manuel Dawling, entre outros. Por sua vez as relvas existentes naquele lugar pertenciam ao Mancebo e ao Gil, enquanto os proprietários das terras de cultivo eram Ti José Cardoso, o João Barbeiro, o Gil, o José Ti’Anina, o Manuel Dawling e a Maria José Fragueiro, sendo a sua propriedade trabalhada pelo António Teodósio.

Era também no lugar da Ribeira das Casas que ficavam todos os moinhos da Fajã. Na margem direita havia três: dois pertencentes a Ti Manuel Luís e um ao Manuel Dawling, enquanto que na margem esquerda havia um só moinho, o do Engenho, que teve vários proprietários, acabando, mais tarde, por ser abandonado.

Quanto à Ribeira das Casas, nascia no Mato, para os lados dos Cabeços e do Miradouro, entre o Queiroal e a Burrinha, por onde deslizava, ladeada por tapumes de hortênsias e bardos de queirós. À entrada para o Queiroal, o seu leito era profundamente alterado, tornando-se irregular, abrupto e desnivelado, devido, sobretudo, a um enorme, fundo e enigmático buraco, designado por “Caldeirão da Ribeira das Casas” dentro do qual a água caía em cascata e que, em tempos de chuvas e tempestades, até ovelhas arrastava por ali abaixo. Depois a Ribeira deslizava até à zona do Bracéu, recebia como afluentes algumas grotas e despejava-se abruptamente pelas encostas da Rocha das Covas, caindo em cascata no mítico Poço do Bacalhau. De seguida atravessava o vale formado pelas Covas e pelas Águas, recebia o seu maior afluente, a Ribeira dos Paus Brancos e corria lentamente até ao mar, alimentando moinhos e distribuindo água pelas lagoas limítrofes. Entre a entrada para os moinhos de Ti Manuel Luís, na margem direita, e o largo que dava para o Mimoio, na esquerda, havia uma estreita e frágil ponte de madeira, destinada apenas à travessia das pessoas. Por baixo da ponte havia umas pedras enormes e ásperas que ora serviam de passadeiras ora de lavadouros para muitas mulheres que ali iam lavar a roupa e que, por vezes punham a coarar nas relvas ali ao lado. Os animais e os carros de bois ou corsões transpunham-na atravessando a água.

Ainda hoje se não sabe se foi a Ribeira que deu nome ao lugar ou o inverso. No entanto, acerca da origem deste interessante topónimo ouvi várias vezes, quando era criança, a pessoas de mais idade, que o referido lugar e a ribeira receberam o nome de “das casas” porque ali se teriam fixado os primeiros povoadores e ali teriam construído as suas primitivas habitações. Mas devido a uma enorme ribanceira caída da Rocha todas as casas ficaram soterradas, sendo a população forçada a deslocar-se para o local onde hoje se situa a Fajã Grande. E a verdade é que os vestígios de uma enorme ribanceira lá estão, na margem direita, ao lado do Poço do Bacalhau, no sítio denominado por Covas. Se debaixo da mesma se encontra soterrado um antigo povoado só escavações realizadas naquele local o poderiam demonstrar, o que provavelmente nunca acontecerá

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