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O PÃO COM MANCHAS DE SANGUE

Sexta-feira, 08.05.15

Era um alvoroço desusado lá em casa. À sexta-feira mãe e filhas acendiam o forno, amassavam, talhavam e enchiam o forno de pão, Terminada a cozedura e depois de o cobrir durante algumas horas com grossos cobertores quando o iam partir para comer, todos os pães no meio tinham uma enorme mancha de sangue. Primeiro as mulheres, depois os homens quando chegavam a casa, regressados dos campos. Todos ficavam admiradas e, olhando uns para os outros, sem perceber o que se passava. Depois perguntavam e procuravam saber se alguma mulher que o tivesse amassado não teria um corte ou feridas ou qualquer sangue nas mãos, Mas nada, E na sexta-feira seguinte e em muitas outras, apesar de lavarem muito bem as mãos antes de o amassar e de o tender, acontecia o mesmo. Muito espantadas e nervosas, as mulheres perguntavam:

- De onde virá este sangue?

Calaram-se muito bem, pois cuidavam que era um castigo divino, por expiação de pecados antigos.

Certo dia umas vizinhas vieram contar uma notícia estranha. Em casa de uns parentes, para os lados da Rua Nova acontecia o mesmo. Era mesmo sangue. Era um castigo. Só poderia ter sido um cunhado da Cuada. Fizera uma promessa ao Senhor Espírito Santo e nunca a cumpria.

- Que o fossem castigar a ele e aos filhos.

Mas a tragédia continuava. Chegaram a oferecer um pão. Espanto dos espantos. Esse não tinha sangue. Apenas na própria casa, quando partiam o pão, ao meio, havia sempre uma mancha de sangue. Ai, em casa, o pão aparecia sempre ensopado com uma mancha de sangue. Esta insustentável e dolorosa situação durou muitos meses. Bem se interrogavam, bem questionavam e pediam a Deus para que aquilo acabasse… Mas nada! Sempre o pão raiado de sangue. Não encontravam resposta para tamanha tragédia:

- Mas que diabo é isto? – Perguntavam os homens que não acreditavam em patranhas.

- Que mistério é este. Será um castigo de Deus? – Interrogavam as mulheres. - Que desgraça é esta que nos bateu à porta? Nós não temos culpa dos outros não cumprirem o que prometeram ao Senhor Espírito Santo.

Sabiam agora que o pão que uma filha do cunhado que fizera a promessa cozia também tinha sempre sangue. Por isso, só podia ser por causa da promessa não cumprida. Era um sinal, um aviso…

Mas verdade é que precisavam de comer o pão, apesar do medo. A princípio cortavam a parte onde havia o sangue e comiam a restante. Mas por fim já não o queriam comer. Tinham nojo embora soubessem que o amassavam com muita limpeza.

Um dia uma vizinha veio de visita e ofereceu-se para amassar o pão.

- Hoje sou eu que lhe amasso o pão! Vamos lá ver se é só nas vossas mãos ou se o que eu amassar também vai ter sangue. Vamos desfazer este mistério.

A mulher lá foi e amassou o pão. O sangue continuou a aparecer. Uma grande manha lá no interior do pão. Mas porquê se a mulher não tinha nenhuma ferida nas mãos. Veio outra vizinha e depois outra. Cozeram mais pão. Sempre que o cortavam ao meio, lá estava a mancha de sangue. Parecia castigo! Aquilo não é boa coisa, já assustava.

Felizmente, alguns meses depois cessou. O pão depois de cozido, ao partir-se estava absolutamente normal. Sem qualquer mancha de sangue.

Nunca se soube a razão de tão estranho fenómeno, porque afinal a promessa não foi paga.

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publicado por picodavigia2 às 08:59





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