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O PASSARINHO ENCANTADO

Quarta-feira, 22.01.14

(CONTO TRADICIONL)

 

Era uma vez um homem que tinha uma filha. Como enviuvasse, casou, em segundas núpcias, com uma mulher, também ela viúva e que, por coincidência, também tinha uma filha. As duas meninas davam-se muito bem mas a madrasta tratava a enteada muito mal.

Um dia a menina, triste e aborrecida com as ameaças e vexames por parte da madrasta, saiu de casa e fugiu para a floresta, que ficava ali ao lado. Sozinha e abandonada, começou a chorar. Pouco depois, porém, viu um belo passarinho vir ao seu encontro, dizendo-lhe:

- Por favor, arranja-me uma bacia com água, outra com leite e um laço de fita.

A menina ficou muito espantada, mas, apesar do passarinho fugir, fez o que ele lhe pedira. Algum tempo depois, o passarinho voltou, caiu no laço, banhou-se na bacia de água, depois na de leite e transformou-se num belo jovem, que lhe disse

- Eu sou um Príncipe. Até hoje estive encantado. Foste tu, bela jovem, que me quebraste o encanto. Mas se alguma vez alguém souber o meu segredo, voltarei a ficar encantado, só voltando a quebrar o encanto quando alguém me encontrar, depois de romper três pares de sapatos: um par de vidro, outro de madeira e outro de ferro.

A madrasta que andava por ali perto, ouviu vozes, espreitou e viu o passarinho banhar-se na água e no leite e transformar-se num Príncipe. Ficou cheia de inveja, mas o Príncipe, descoberto o seu segredo, pouco depois, transformou-se, novamente, num passarinho. A madrasta, no entanto, deitou-lhe um vidro partido na água sem que a menina desse por isso. Quando o passarinho se foi banhar, de novo, ficou muito ferido e fugiu. Mas a menina lembrou-se do que ele lhe tinha dito e mandou fazer os três os pares de sapatos. No dia seguinte, caminhou à sua procura.

Não precisou de andar muito para logo partir o par de sapatos de vidro. Avistando uma casinha, foi bater à porta. Apareceu-lhe uma velhinha, a quem perguntou:

- A senhora sabe dizer-me onde mora o passarinho encantado?

- Eu cá não sei, mas a minha filha, que é a Lua, há-de saber. – Respondeu a velha. - Esconda-se aí, para ela não a ver, pois tem muito mau génio.

Escondeu-se a menina, e dali a pouco chegou a Lua e disse, muito zangada:

- Cheira-me aqui a fôlego vivo.

- Ó filha, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde morava passarinho encantado.

- Eu só ando de noite, à hora em que toda a gente dorme com as portas e as janelas bem fechadas. O vento é quem há-de saber.

Ao outro dia a velhinha deu à menina o recado da Lua e entregou-lhe uma bolota, com a recomendação de só a abrir quando precisasse muito.

Pôs-se a menina outra vez a caminho, andando bastante mais e, passado algum tempo, os sapatos de madeira romperam-se e a menina avistou outra casinha. Bateu à porta e uma velhinha veio abrir. A menina perguntou-lhe:

- A senhora sabe dizer-me onde mora o passarinho encantado?

- Eu cá não sei, mas o meu filho, o Vento que anda por todo o mundo, há-de saber. Mas esconda-se porque ele tem muito mau génio.

A menina escondeu-se e dali a pouco chegou o Vento a soprar, dizendo:

- Cheira-me aqui a fôlego vivo.

- Ó filho, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde morava o passarinho encantado.

- Quando eu apareço, todos fecham as portas e as janelas de modo que não sei onde está. Quem deve saber é o Sol.

No dia seguinte a velhinha deu à menina o recado do seu filho Vento e entregou-lhe uma noz, com a recomendação de só a abrir quando precisasse muito.

A menina recomeçou a caminhar e andou, andou tanto, tanto que acabou por romper os robustos sapatos de ferro e viu, ao longe, outra casinha. Bateu à porta e uma velhinha veio ver quem era.

- A senhora sabe dizer-me onde mora o passarinho encantado?

- Eu cá não sei, mas o meu filho que é o Sol há-de saber. Mas esconda-se até que ele chegue.

A menina fez o que a velhinha lhe disse e dali a pouco chegou o Sol.

- Cheira-me aqui a fôlego vivo.

- Ó filho, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde morava passarinho encantado.

- O passarinho mora muito longe daqui, no palácio real, mas está em perigo de vida. Ninguém sabe curar a sua doença.

A velhinha transmitiu à menina as notícias que o seu filho Sol lhe tinha dado e entregou-lhe uma castanha com a recomendação de não a abrir senão quando muito precisasse.

E a menina pôs-se outra vez a caminhar, na direcção do palácio real. Quando anoiteceu, deitou-se debaixo de uma árvore onde umas rolas faziam ninho e, antes de adormecer, ouviu as rolinhas falarem, dizendo

- Então que notícias há do passarinho encantado?

- O passarinho encantado pode curar-se. Basta que alguém junte algumas das nossas penas, as queime e com as cinzas polvilhe as suas feridas, durante três noites a fio.

Foi o que a menina quis ouvir. Logo que as rolas adormeceram, apanhou as penas caídas no chão e fez como as rolas tinham dito. De manhã pôs-se a caminho da cidade. Quando chegou diante do palácio real, sentou-se no chão e abriu a bolota. Apareceu uma dobadoira de prata com meadas de oiro, a prenda mais rica que se podia imaginar. A menina pôs-se a dobar.

A rainha-mãe chegou à janela e vendo aquela dobadoira tão bonita, mandou um criado perguntar à menina se a queria vender.

- Dar sim, vender não; mas sua Majestade há-de deixar-me ficar esta noite ao pé do passarinho encantado, que está pousado dentro do palácio real.

A rainha aceitou e a menina, de noite, polvilhou as feridas do passarinho com as cinzas.

No dia seguinte foi sentar-se outra vez diante do palácio e abriu a noz.

Saiu dela uma roca de oiro cravejada de brilhantes, com um fuso de prata e a menina pôs-se a fiar.

Veio a rainha à janela e vendo a roca, mandou o criado saber se ela a queria vender.

- Dar sim, vender não; mas sua Majestade há-de consentir que fique outra noite ao pé do passarinho.

A rainha disse que sim e a menina, sem ninguém ver, polvilhou as feridas do passarinho com as cinzas que levava.

Pela terceira vez se sentou em frente do palácio e abriu a castanha, donde saiu uma galinha de oiro com pintainhos de prata.

Quando a rainha a viu, quis logo que a menina lha vendesse, mas ela respondeu:

- Dar sim, vender não; mas sua Majestade há-de deixar que eu fique mais esta noite ao pé do príncipe.

Pela terceira vez a menina deitou o resto das cinzas sobre as feridas do passarinho, que abrindo os olhos, logo se transformou no príncipe que reconheceu a sua salvadora.

A menina contou-lhe tudo quanto tinha acontecido o Príncipe casou com ela e foram muito felizes para sempre.

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publicado por picodavigia2 às 18:59





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