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O SOBRINHO DO MAGO

Domingo, 17.02.19

(CONTO TRADICIONAL)

 

Era uma vez um mago que tinha na sua companhia um sobrinho. O mago viajava muito e, sempre que o fazia, pedia ao sobrinho que, durante a sua ausência, lhe guardasse a casa e vigiasse os seus bens para que ninguém o roubasse. Antes de sair, porém, entregava-lhe duas chaves, pedindo-lhe que por nada deste mundo abrisse as duas portas que elas fechavam e que, se o fizesse, morreria.

O rapaz, assim que se viu sozinho, não se lembrou mais do pedido do tio e abriu uma das portas. Ao abri-la, deparou-se com um campo escuro e um lobo que vinha correndo na sua direcção. Cheio de medo, o rapaz fechou a porta imediatamente. Mas o mago quando chegou, algum tempo depois, apercebeu-se de que o sobrinho havia desrespeitado as suas ordens e disse-lhe:

– Desgraçado! Porque desobedeceste às minhas ordens, abrindo aquela porta? Poderias ter morrido!

O rapaz, muito arrependido, chorou e pediu perdão ao tio, acabando este por esquecer e perdoar-lhe. Passado algum tempo, porém, o mago partiu novamente, voltando a fazer as mesmas recomendações, ao sobrinho. Mas o rapaz, muito curioso, não se conteve e abriu a outra porta. De imediato viu um campo muito grande, onde pastava um cavalo branco. O cavalo começou aos saltos e a correr na direcção do rapaz que, lembrando-se das ameaças do tio e já o sentindo subir pela escada, começou a gritar:

– Ai que agora é que estou perdido!

O cavalo branco, correndo sempre na sua direcção, aproximou-se dele e disse-lhe

– Apanha desse chão um ramo, uma pedra e um punhado de areia, e monta quanto antes, em cima de mim.

No entanto, o mago chegou a casa mas o rapaz já saltara para cima do cavalo branco, gritando-lhe:

– Foge! Chegou o meu tio e vai matar-me.

O cavalo branco correu pelos ares fora mais veloz do que o vento, levando o rapaz consigo. Quando já iam muito distantes da casa do tio, o rapaz voltou a gritar:

– Corre, cavalo! Meu tio já me apanha para me matar.

O cavalo branco correu mais, e quando o mago estava quase a apanhá-los, disse para o rapaz:

– Deita fora o ramo.

O rapaz assim fez e apareceu logo ali uma densa floresta. Enquanto o mago tentava abrir caminho para sair dela, o cavalo e o rapaz puseram-se muito longe. Mas pouco depois, este tornou a gritar:

– Corre, cavalo, corre! Que atrás de nós está meu tio, que nos vai matar.

Disse o cavalo branco:

– Bota fora a pedra.

Logo ali se formou uma grande serra cheia de penedias, que o mago teve de subir, enquanto eles avançavam porque sabiam o caminho. Mais adiante, grita o rapaz:

– Corre, cavalo, corre muito! Que meu tio agarra-nos.

– Pois atira ao vento o punhado de areia, disse-lhe o cavalo branco.

Apareceu logo ali um mar sem fim, que o mago não pôde atravessar. Eles, no entanto, atravessaram-no e foram dar a uma terra onde estava muito gente a fazer muitos e grandes prantos. O cavalo branco largou ali o rapaz e disse-lhe que quando se visse em grandes dificuldades chamasse por ele, mas que nunca dissesse como viera ter ali. O rapaz foi andando e perguntou a uma mulher, por quem eram aqueles grandes prantos.

– É porque a filha do rei foi roubada por um gigante que vive em uma ilha aonde ninguém pode chegar.

– Pois eu sou capaz de ir lá.

Foram dizê-lo ao rei e este obrigou o rapaz, sob pena de morte, a cumprir o que dissera. O rapaz valeu-se do cavalo branco, e conseguiu ir à ilha e trazer de lá, consigo, a princesa, porque apanhara o gigante dormindo.

Assim, a princesa, finalmente regressou ao palácio mas estava muito chorosa. Não havia maneira de lhe cessarem as lágrimas. Perguntou-lhe o rei:

– Porque choras tanto, minha filha?

– Choro porque perdi o anel que me tinha dado a fada minha madrinha e, enquanto o não encontrar, estou sujeita a ser roubada outra vez ou ficar para sempre encantada.

O rei mandou lançar um pregão em como dava a mão da princesa a quem achasse o anel que ela tinha perdido. O rapaz chamou o cavalo branco, que lhe trouxe do fundo do mar o anel. O rei mandou, conforme o prometido, fazer o casamento da princesa com o rapaz, os quais viveram felizes para sempre.

 

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