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O VESTUÁRIO

Terça-feira, 25.02.14

Não se pode falar, com rigor, de um traje típico da Fajã Grande, no que às primeiras décadas do século passado, diz respeito. As pessoas, no geral, andavam descalço e vestiam pobremente, sendo que a maioria da roupa vinha da América e por isso mesmo, muitas vezes o seu uso tornava as pessoas desaleitadas e pouco elegantes. Apesar de tudo o vestuário permitia uma perfeita distinção entre o pobre e o rico, sobretudo entre os que trabalhavam no campo e os que não faziam nada e que, consequentemente, andavam sempre bem vestidos. Cada qual se vestia de acordo não tanto com as suas possibilidades, mas sobretudo em função do que vinha da América, nas tradicionais encomendas e lhe coubera, muitas vezes por sorte.

De entre as peças de vestuário feminino usadas, antigamente, na Fajã Grande, merecem lugar de destaque a chamada saia peliçada e o bolero. Muitas vezes e em muitas ocasiões, as mulheres usavam um lenço de merino, a cobrir a cabeça, atando-o por debaixo do maxilar inferior ou com as pontas amarradas atrás: de clafá. As mulheres de mais idade, muitas delas viúvas, vestiam totalmente de negro até ao fim da sua vida. Usavam um xaile negro, por cima do vestido e um lenço escuro na cabeça. A forma de trajar o xaile dependia do estado da portadora ou de uma situação passageira porque passava. Assim, as viúvas e as mulheres quando deitavam luto usavam-no dobrado em triângulo e sem cadilhos, para maior simplicidade, fazendo-o cair em ponta, ao longo das costas. Era o chamado xaile de ponta. Por sua vez as mulheres solteiras ou casadas usavam o xaile, dobrando-o como se fosse uma manta. Para sair de casa depois de cozer pão e estar quente do forno ou em dias de chuva ou de noite, as mulheres colocavam o xaile sobre a cabeça, prendendo-o, à frente, com as mãos

As cores preferidas na indumentária feminina variavam com o estado de solteira, casada ou viúva. Estas vestiam de preto até ao fim da sua vida ou até contraírem novas núpcias. As solteiras usavam roupas de cores vivas e claras, as casadas de cores mais modestas, mas tudo isto, na maioria dos casos era condicionado pela roupa que vinha nas sacas da América. Como objectos de adorno, as raparigas solteiras, geralmente, traziam, ao pescoço, um colar ou um fio com uma cruz ou medalha e usavam brincos nas orelhas. Também era muito usado o broche e as prisões de prender o cabelo. O anel, geralmente fantasia, constituiu o mais apreciado objecto de luxo da mulher, que o trazia não só como adorno mas ainda como distintivo do seu estado. As solteiras traziam-no nos dedos indicadores e médio, as casadas, no anelar da mão esquerda.

Os homens vestiam calça de cotim ou de angrim, estas vindas da américa, camisa de flanela e a froca, uma espécie de blusão também de angrim, substituído, poe vezes por uma jaqueta e noutras por uma suera, sendo esta também muito comum às mulheres.

A roupa melhor era designado por roupa de domingo enquanto a outra simplesmente se chamava roupa de trazer.

Vindos da América, também era muito vulgar, nos homens o uso dos alvarozes imitação do inglês overalls. Tratava-se de umas calças de angrim, bastante larga que se vestiam sobre uma camisola feita de lã de ovelha. Os homens, mesmo os mais novos, geralmente cobriam a cabeça com uma boina ou com um boné. Ao domingo alguns usavam chapéu de lona e nos dias de muito sol quase todos recorriam ao chapeu de palha de trigo entrançada, fabricado na própria freguesia e também comuns às mulheres, mas com formas diferentes e distintas para cada um dos sexos. Sobretudo os mais novos andavam, em regra, descalços, sendo a cobertura dos pés quase considerada um luxo escusado e dispendioso. Andar descalço era o mais normal, noentanto, além de ser prejudicial à saúde e inconveniente, na travessia de grotas e ribeiras, e no trânsito por caminhos íngremes e escorregadios. Pior no entanto era a lama que se infiltrava em dedos gretados e em topadas, situação que atingia o seu apogeu nos momentos de tirar o esterco e a urina dos palheiros do gado. Somente os velhos e doentes andavam calçados, sendo muito comuns os chamados sapatos de pele de cabra. Os sapatos que vinham nas encomendas da América, muitas vezes grandes outras curtos e quase sempre usados e desajeitados eram um luxo, sendo o seu uso exclusivo de domingos e dias de festa.
Para certos serviços, nomeadamente o de ceifar erva nas lagoas, eram as botas de borracha, compradas nas lojas da freguesia e muito prejudiciais à saúde. Alguns homens usavam tamancos e as mulheres galochas

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publicado por picodavigia2 às 10:50





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