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OS IRMÃOS

Quarta-feira, 21.05.14

(CONTO POPULAR)

Era uma vez uma mulher que tinha um filho, mas este era mau e não obedecia à mãe. Certo dia, decidiu fugir de casa e foi para o Mato cortar lenha que ia vender à vila, ganhando, assim, algum dinheiro.

Na vila, conseguia vender a lenha e ganhar o dinheiro necessário para viver. Numa tarde, cansado de tanto trabalhar, sentou-se à Praça a descansar, sem grande vontade de regressar a casa. Ficou na vila por mais uns dias e, passado algum tempo, viu uma rapariga de quem gostou e com quem casou, passando a viver, definitivamente, na vila, nunca mais procurando a mãe. Do seu casamento nasceram seis filhos, com pouca diferença de idade.

Quando o filho mais velho fez dezoito anos, aborrecido com a vida que tinha em casa dos pais, decidiu, também, fugir de casa e levar consigo todos os irmãos, Esconderam-se no Mato e passaram a viver numa furna, alimentando-se com frutos e raízes silvestres e com a carne de um outro animal que caçavam e assavam. Os pais ficaram muito tristes. Tiveram, então, outro filho, a quem puseram o nome de Guilherme. Mas quando menino tinha cinco anos a sua mãe morreu. Pouco depois, o pai ficou gravemente doente, pelo que pediu ao filho que fosse procurar os seus irmãos, para eles tomarem conta dele. Nesta altura, porém, lembrou-se do que tinha feito à sua mãe e pediu, fervorosamente, a Deus que os seus filhos voltassem para casa. Os filhos voltaram, mas quando chegaram, o pai já tinha morrido, por isso, encontraram o irmão, sozinho com o seu cão Piloto. Os irmãos acenderam o lume, assaram um carneiro e convidaram o Guilherme para comer. Este, porém, não aceitou.

Os irmãos sepultaram o pai, prenderam o cão e levaram o Guilherme para o Mato, montado num burro. Pelo caminho o Guilherme adormeceu e os irmãos abandonaram-no, num local ermo e que ele desconhecia. Quando acordou, não sabia onde estava e ao ver-se sozinho chorou todo dia. À noite ouvia uns cães a uivar e, cheio de medo, subiu a uma árvore. Pensava no seu cão e rezava. Lá do cimo da árvore viu uma luz. Desceu a árvore e, já sem medo, correu na direcção da luz. Quando estava para atravessar um grotão sentiu passos e atirou-se ao chão, a fim de se esconder, com receio que fosse alguém que lhe quisesse fazer mal. Muito admirado, viu o seu cão que o ajudou a passar o grotão e que o defendeu de outros cães raivosos e esfomeados que por ali andavam. O cão ficou ferido e Guilherme muito cansado, mas foram andando, até encontrar uma casa onde morava uma velhinha muito bondosa que logo os acolheu e os tratou.

Perguntou-lhe quem era, e como se chamava o seu pai. O menino disse que que se chamava Guilherme e deu-lhe algumas informações sobre o seu pai. O coração da boa velha deu um salto ao perceber que o pai daquele menino deveria ser o filho que a abandonara. Aquele menino era com certeza seu neto. Acolheu-o pois na sua pobre casinha e o Guilherme ajudava a avó a guardar as ovelhas que davam leite para o seu sustento, a acarretar água para casa e a fazer a comida. Guilherme cresceu e fez-se um belo rapaz. No entanto a velhinha morreu e Guilherme voltou a partir, regressando à vila, onde, passado algum tempo, encontrou uma linda rapariga por quem se apaixonou e com quem casou. Tiveram duas filhas e dois filhos, eram muito educados e trabalhadores.

Numa tarde quente de verão, Guilherme saboreava a fresca sombra de uns arbustos, no pátio da sua casa quando viu chegar seis homens todos sujos, e perguntou-lhes:

- Donde vêm?

- Da cadeia.

Guilherme recordou os seus seis irmãos. E perguntou-lhes?

- De quem sois filhos?

Os rapazes deram-lhe alguns informações sobre o seu pai. Guilherme percebeu então que eram os seus irmãos e perguntou-lhes:

- O que foi feito do vosso irmão mais novo?

- Nós não tínhamos nenhum irmão.

- Então?! Não tinham um irmão mais novo, chamado Guilherme que, depois da morte do vosso pai, abandonaram no mato?

Eles lembraram-se, então, do mal que tinham feito, do crime que tinham cometido e perceberam que aquele era o seu irmão Guilherme que tinham abandonado quando o pai morreu. Abraçaram-no e pediram-lhe perdão.

Guilherme perdoou-lhes e chamou a sua mulher e seus filhos para que vissem abraçar os seus irmãos. Eles, na verdade, estavam verdadeiramente arrependidos da vida que tinham levado, do mal que tinham feito, mas não tinham possibilidade de se tornarem homens honestos. Como trabalhadores ninguém os queria, todos desconfiavam deles e não tinham dinheiro para comprarem terreno e o cultivarem.

Guilherme aceitou-os e hospedou-os em sua casa, por algum tempo. Deu-lhes terras para eles trabalharem e construírem uma casa. E foi assim que eles se tornaram homens honrados, honestos, bondosos e trabalhadores

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publicado por picodavigia2 às 08:25





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