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OS MAROIÇOS

Quinta-feira, 11.09.14

Os maroiços da Fajã Grande e da ilha das Flores em geral são bastante diferentes dos da ilha do Pico, embora na sua essência tenham muito de semelhante. Sobretudo porque uns e outros são grandes amontoados de pequenas pedras, nas Flores designadas por cascalhos, que foram amontoados entre as paredes de duas ou mais propriedades agrícolas, com a simples intenção de limpar o terreno, ou seja de o tornar não apenas para tornar a terra mais fácil de trabalhar mas, sobretudo, mais produtiva. Mas as diferenças são significativas, sobretudo no que diz respeito à estrutura, à forma e à funcionalidade. Assim, enquanto no Pico, os maroiços se assemelham a monumentais pirâmides de basalto negro que caracterizam a própria paisagem local, com formas, por vezes muito bem delineadas, com semelhanças inequívocas com outras estruturas piramidais encontradas na Ilha da Sicília, em Itália, e na Ilha de Tenerife, nas Canárias, e que, actualmente, constituem atracção turística, os maroiços da Fajã Grande são construções toscas, sem formas definidas, por vezes terrenos abandonados e, geralmente, cobertos de vegetação, nomeadamente de videiras e figueiras. Os maroiços da Fajã Grande são das estruturas mais simples do que os do Pico que evidenciam uma edificação recente, desinteressada e pouco cuidada. Por vezes até parece que foi a própria natureza que os construiu. No entanto, o que mais os caracteriza é o aproveitamento dos espaços no interior para o cultivo, embora descuidado de algumas árvores. Na Fajã Grande era nos maroiços que se apanhavam os figos e colhiam as uvas, uns e outras destinadas, exclusivamente, na alimentação, quer frescos quer transformados em compotas, vulgarmente chamados doces,

Considerados património da humanidade, os maroiços, pela sua beleza característica, os maroiços dos Açores, sobretudo os do Pico, desde sempre despertaram a curiosidade de visitantes e locais. Para Romeo Hristov, professor da Universidade do Texas, não restam dúvidas que a divulgação do estudo realizado até ao momento, e que conta com o apoio da Câmara Municipal da Madalena, vai revolucionar o universo científico, colocando Ilha do Pico no epicentro da investigação arqueológica neste ramo.

É esta rudez dos maroiços da Fajã Grande que os afasta dos louvores da ribalta. Como os do Pico, hoje, considerados paralelos aos de outros pontos do globo e que prometem seduzir os mais cépticos sobre o seu significado histórico, num arquipélago com remanescências lendárias - qual Atlântida perdida - onde a fantasia e a história se entrelaçam de forma tão intensa, que se torna difícil descortinar onde começa a ciência e acaba o mito. 

Eram vários os maroiços que existiam nas terras de meu pai. Mas o que mais me encantava e atraía era o do Cerrado do Porto, um dos maiores, mais belos e mais produtivos maroiços da Fajã Grande. Localizado no extremo Sul do cerrado, fazia fronteira com terras da Caravela e a ele podia aceder por uma vereda que se iniciava a meio da Ladeira do Calhau Miúdo. Se viéssemos pelo Porto e pelo portal do cerrado, situado a noroeste, para aceder ao maroiço teríamos que atravessar o cerrado, calcando ou destruindo as sementeiras. Essa a razão pela qual, quando o nosso objectivo era apenas aceder as figos e uvas do maroiço, deveríamos optar pela vereda da Ladeira do Calhau Miúdo. Que saborosa era a uva do maroiço do Porto e que bons eram os figos que ali havia e que eram de duas qualidades: pretos e bacorinhos.

 

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publicado por picodavigia2 às 15:46





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