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OS SINOS

Domingo, 09.03.14

O sino é um objecto ou instrumento sonoro, usado por muitas religiões, como forma de assinalar os momentos mais solenes das mesmas. Os sinos das igrejas são de metal com têmpera própria, o que lhes confere um som específico, Tem a forma de uma taça invertida e, geralmente são tocados internamente, por meio de um badalo. Os sinos têm uma linguagem própria e um significado marcante. Nos meios rurais os sinos das igrejas, tinham e continuam a ter um significado muito grande para as populações. Mas mesmo nas grandes urbes, apesar do progresso e do desenvolvimento industrial, os sinos nunca perderam o seu valor e simbolismo. Em tempos antigos, eles eram, em muitas localidades, o único veículo de comunicação, mandando mensagens para a população, não apenas s carácter religioso, mas também anúncios de morte ou alarme de incêndios e outras calamidades. Os dobres e repiques dos sinos continuam, ainda hoje, informando horários de missas, enterros, homenagens a santos, festas religiosas, etc.. Esta notável forma de comunicação foi muito importante em épocas antigas, quando a população não contava ainda com a instantaneidade das notícias de rádios, TVs e Internet. Mas o toque de um sino liberta vibrações com efeitos poderosos de acordo com seu som, que é definido pelo seu tamanho, pela sua espessura e pelo material de que é feito e da têmpera que lhe é dada.

O sino é, pois, uma verdadeira maravilha de arte, que encanta pela simplicidade, fascina pela sua harmonia, pela beleza de suas proporções e riqueza dos seus.

A igreja da Fajã Grande tinha apenas dois sinos. O grande, suspenso na janela da torre sineira da fachada do templo, voltada a nascente e o pequeno na janela voltada a sul, ou seja do lado da Courelas. Os sinos tinham um papel importantíssimo na vida e costumes da população e, pese embora a igreja não tivesse relógio, nem, consequentemente, os sinos batessem as horas, a maioria da população orientava e organizava a sua vida por eles. Durante a semana tocavam, para além do anúncio da missa, três vezes por dia. As trindades, de manhã e à noite e o meio-dia, às doze horas. Assim, como o sino se ouvia em quase toda a freguesia, logo que batia o meio-dia, era um chamamento a fim de que todos voltassem a casa para o jantar. À noite, acontecia o mesmo, a quando das trindades. O seu toque, dado ao lusco-fusco, avisava que se aproximava o anoitecer. Por isso se utilizava com muita frequência este proverbio “Trindades batias, meninas recolhidas.”

Mas era sobretudo aos domingos que os sinos mais tocavam, fazendo-o de forma mais solene, uma vez que, quer o ângelus, quer o chamamento para a missa eram acompanhados de repique, assim como o momento da elevação da hóstia e do cálice. No caso do anúncio da missa dominical ou de outra celebração litúrgica, o sino grande dobrava uma hora antes e dava três pancadas um quarto de hora antes, toque este conhecido por picadas. Na altura em que o sacerdote saía da sacristia com destino ao altar, o sino grande, sempre ele, dava uma pancada. Durante a Quaresma estavam proibidos os repiques, excepto no dia dezanove de Março, por ser dia da festa do padroeiro São José.

Nos dias de festa, porém, os sinos excediam-se nos seus batimentos, enchendo a freguesia com os seus harmoniosos toques, repiques e dobres. As trindades nesses dias eram dobradas, isto é, as pancadas das avés marias eram dadas pelos dois sinos, em simultâneo e o batimento final, em vez das habituais duas pancadas da semana, eram substituídas por três repiques, sucessivos.

Sempre que falecia alguém os sonos dobravam a finados, três laudes ou seja dobravam três vezes tratando-se de um homem e duas no caso das mulheres. Em ambos os caos os sinos ainda dobravam uma hora antes do funeral e enquanto o féretro era conduzido da igreja para o cemitério, depois da encomendação. No dia de defuntos os sinos também dobravam a finados, várias vezes, durante o dia.

Durante as procissões em que eram conduzidas imagens os sinos repicavam e nas procissões das rogações ou de penitência dobravam. Depois da missa de quinta feira Santa, durante a qual se realizava a cerimónia do Lava-pés, até ao domingo de Páscoa os ninos estavam proibidos de dar qualquer toque, incluindo as trindades, sendo, neste caso, substituído pela matraca.

Por alturas dos festejos do Espírito Santo os sinos tocavam repiques com muita frequência, sobretudo nos cortejos em que era levada a coroa, durante a ida ao Porto matar o gado, durante a distribuição da carne pela população e nos cortejos das coroas para a igreja.

Em bora raros, terá existido um ou outro incêndio na Fajã, os quais foram anunciados pelos sinos, que também assinalavam com repiques a chegada à freguesia de alguns vips, como o Bispo da Diocese e o Presidente da República, o que, no entanto, acontecia muito raramente.

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publicado por picodavigia2 às 18:31





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