Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



QUINTA FEIRA DA ESPIGA

Quinta-feira, 29.05.14

O Dia da espiga é celebrado em Portugal na antiga Quinta-feira da Ascensão, pelo que também é conhecido por Quinta-feira da Espiga. Neste dia é tradição as pessoas darem um passeio aos campos, colheendo espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira e alecrim para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição. o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada de casa, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.

A Quinta-feira da Espiga é, de facto, um dia para ser celebrado, fundamentalmente, no campo, entre as sociedades agrícolas, mas, como nas aldeias rurais a desertificação cada vez é maior, actualmente, já poucas são as pessoas que ainda vão ao campo no dia de hoje, abandonando as suas obrigações, para apanhar a espiga, ou o raminho formado com ela, com algumas flores e ramos. Antigamente, de norte a sul do país, o dia de hoje, em que,em tempos idos, liturgicamente, se celebrava a festa da Ascensão, era considerado uma data faustosa, das mais festivas do ano, repleta de cerimónias sagradas e profanas.

A origem gaudiosa deste dia é, contudo, muito anterior à era cristã. Crê-se qu este dia seja um herdeiro directo de rituais gentios, realizados durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, em que grandiosos festivais, de intensos cantares e danças, celebravam a Primavera e consagravam a natureza. Para alguns povos antigos, esta data, tal como todos os momentos de transição, era mágica e de sublime importância. Nela se exortava o eclodir da vida vegetal e animal, após a letargia dos meses frios, e a esperança nas novas colheitas.

A Igreja Católica, à semelhança do que fez com outras festas ancestrais pagãs, cristianizou, mais tarde, esta data, atravessando, assim, os tempos com uma dupla acepção: como Quinta-feira de Ascensão, para os cristãos, assinalando, como o nome indica, a ascensão de Jesus ao Céu, ao fim de 40 dias e como Dia da Espiga, ou Quinta-feira da Espiga, esta traduzindo aspectos e crenças não religiosos, mas exclusivos da esfera agrícola e familiar.

O Dia da Espiga é então o dia em que as pessoas vão ao campo apanhar a espiga, a qual não é apenas um viçoso ramo de várias plantas - cuja composição, número e significado de cada uma, varia de região para região –, guardado durante um ano, mas é também um poderoso e multifacetado amuleto, que é pendurado, por norma, na parede da cozinha ou da sala, para trazer a abundância, a alegria, a saúde e a sorte. Em muitas terras, quando faz trovoada, por exemplo, arde-se à lareira um dos pés do ramo da espiga para afastar a tormenta.

Não obstante as variações locais, de um modo geral, o ramo de espiga é composto por pés de trigo e de outros cereais, como centeio, cevada ou aveia, de oliveira, videira, papoilas, malmequeres ou outras flores campestres. E a simbologia de cada planta, comumente aceite, é a seguinte: o trigo representa o pão; o malmequer o ouro e a prata; a papoila o amor e vida; a oliveira o azeite e a paz; a videira o vinho e a alegria; e o alecrim a saúde e a força.

Além destas associações basilares ao pão e ao azeite, a espiga surge também conotada com o leite, com as proibições do trabalho e ainda com o poder da Hora, isto é, com o período de tempo que decorre entre o meio-dia e a uma hora da tarde, tomando mesmo, nalguns sítios do país a designação de Dia da Hora. Nas localidades em que assim é entendida esta quinta-feira, acredita-se que neste período do dia se manifestam os mais sagrados e encantatórios poderes da data e nas igrejas realiza-se um serviço religioso de Adoração, após o qual toca o sino. Diz a voz popular que nessa hora “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” .

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

tags:

publicado por picodavigia2 às 13:41





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog