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SEM BELICHE

Sábado, 17.05.14

Realizava a minha primeira viagem no Carvalho Araújo.

Logo de pois de embarcar, dirigi-me, juntamente com meu pai que me acompanhava no embarque, para a sala de jantar da terceira classe. Logo ao entrar, deparei com uma enorme fila. na direcção do senhor Artur, que, sentado a uma das mesas, ia registando o número dos beliches e dos camarotes nos bilhetes dos que haviam chegado primeiro. Ainda nem tinha atendido metade dos que estavam à minha frente, quando se levantou e anunciou em tom autoritário e definitivo:

- A partir de agora não há mais beliches para os homens. Só há para senhoras e vou dar prioridade às que têm crianças de tenra idade.

Estarreci. Não havia rigorosamente nada a fazer. Meu pai ainda tentou aproximar-se do homem, mas sem sucesso. Os meus olhos encheram-se de lágrimas. Das Flores a S. Miguel eram três dias e três noites de viagem e eu sem ter onde me deitar ou uma cama para dormir… Meu pai apercebendo-se da minha aflição, tentando ocultar a sua mágoa, explicou-me que a partir da meia-noite, depois dos passageiros de primeira se deitarem nos seus camarotes, ficavam sempre no convés daquela classe algumas cadeiras vagas, onde me poderia encostar e dormir. Normalmente a tripulação, a essa hora, já era mais condescendente e não expulsava de lá os das outras classes.

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publicado por picodavigia2 às 19:46





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