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SUMA CONTRA GENTILES

Sábado, 17.05.14

A Suma Contra os Gentios é uma das duas grandes obras filosóficas de São Tomás de Aquino. Nela, uma espécie de compêndio de Teologia Natural, o Doutor Angélico, fundamentalmente, explica que existem três modos pelos quais o homem pode, racionalmente, conhecer Deus e aceder às coisas divinas. Além disso, São Tomás, como bom conhecedor da psicologia humana, relembra, nesta obra, o princípio fundamental de que a alma humana tende, naturalmente, para se encontrar com Deus.

Assim, São Tomás demonstra os três conhecimentos do homem referentes às coisas divinas: “o primeiro, enquanto o homem, mediante a luz natural da razão e pelas criaturas, sobe até o conhecimento de Deus; o segundo, enquanto a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela revelação, não para ser vista como por demonstração, mas para ser crida como pronunciada por palavras; o terceiro, enquanto a mente humana é elevada à perfeita intuição das coisas reveladas”.

Na realidade e segundo o autor, homem, mediante a luz natural da razão e através das criaturas, pode atingir o conhecimento de Deus. O ser humano, na realidade, mediante a luz natural da razão e através da obra da criação pode obter o conhecimento de Deus. Num trecho da obra, São Tomás faz uma analogia entre Deus e a arte, ao afirmar que: “Pela meditação sobre as obras podemos admirar de algum modo e considerar a sabedoria divina: as coisas realizadas pela arte são representativas da arte, porque são realizadas à sua semelhança” Podemos tirar daqui uma espécie de metáfora interessante que pode exemplificar um pouco como o homem conhece a Deus pela luz natural da razão e pelas obras divinas. Quando vemos um belo quadro de arte, pintado minuciosamente nos seus mais belos detalhes e aspectos, vemos nessa bela pintura todos os traços produzidos pelo artista e entrevemos um pouco como é a psicologia do pintor. Ora Deus, pela sua sabedoria, deu o ser às coisas, razão por que é dito: Tudo fizestes com sabedoria (Sl 103,24). Daí podermos, pela consideração das obras, recolher a sabedoria divina, que está como que espelhada nas criaturas por certa comunicação da sua semelhança”. A metáfora referida permite-nos uma outra conclusão: Se o artista produziu uma magnífica obra é por que a sua capacidade tem que ser tida como superior às coisas que ele fez. É o que diz o livro da sabedoria: “Se ficam admirados (os filósofos) da sua potência e das suas obras (isto é, do céu, das estrelas e dos elementos do mundo) compreendam que quem as fez é mais poderoso que elas” (Sb 13,4). Assim podemos concluir que Deus criou de tal maneira o universo deixando ao homem vestígios para que este pudesse contemplar os inefáveis reflexos de seu Autor. Como, no entanto, o bem perfeito do homem consiste em conhecer a Deus de algum modo, e para que uma tão nobre criatura não fosse considerada totalmente vã por não poder atingir o seu fim, foi-lhe dado um caminho pelo qual pudesse elevar-se ao conhecimento de Deus, a saber: como todas as perfeições das coisas descem de Deus ordenadamente, de Deus que é o vértice supremo de todas elas, também o homem, partindo das coisas inferiores e subindo gradativamente, deve progredir no conhecimento de Deus, pois também nos movimentos corpóreos há caminho pelo qual se desce e o caminho pelo qual se sobe, distintos em razão do princípio e do fim

De modo que através dos objectos sensíveis que nos circundam, podemos subir gradativamente até Deus. Pelas criaturas conhecemos o seu Criador.

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publicado por picodavigia2 às 11:23





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