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LENDA DA DESCOBERTA DA ILHA DE SANTA MARIA

Sábado, 30.07.16

Segundo uma antiga lenda, Gonçalo Velho Cabral marinheirodo Infante, frade  devoto Nossa Senhora, Mãe de Deus, por ordem do Infante Som Henrique, fez-se ao mar numa caravelac, fazendo uma promessa à Virgem de dar o nome d’Ela à primeira terra que encontrasse no mar Oceano.

As viagens marítimas dos descobrimentos eram geralmente perigosas, difíceis, demoradas e imprevisíveis. Os marinheiros dependiam do vigia, no alto cesto da gávea quase na ponta de um mastro, para olhar o horizonte desde o raiar da madrugada até ao anoitecer e tentar descobrir terra.

Gonçalo Velho esquadrinhava os mapas, anotava as correntes e rezava à Virgem Santa Maria. Passaram-se calmarias e tempestades, noites e dias, meses... Foi então que num dia de verão, no dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora amanheceu um dia claro, suave, de céu limpo. A vista alcançava grandes distâncias.

Na linha do horizonte foi surgindo uma nuvem, que foi se agigantando, ganhando forma e nitidez. A dada altura o gajeirojá não tinha mais dúvidas e gritou:

- Terra! Terra à vista!

Gonçalo Velho Cabral e a restante marinhagem começavam o dia, como era hábito nessas alturas, com orações a Deus e a Nossa Senhora para que os ajudasse a encontrar terras novas. Estavam a rezar a Avé Maria e nesse preciso momento pronunciavam a Santa Maria.

Gonçalo Velho considerou que se tratava de um milagre de Nossa Senhora a lembrar-lhe a promessa que tinha feito. Esta era a primeira ilha descoberta nos Açores, a ilha mãe, que recebeu de imediato o nome de Santa Maria.

Segundo a lenda, esta fé de Gonçalo Velho perpetuou-se no local, onde ainda se mantém grande devoção em Nossa Senhora, festejada efusivamente no mês de Agosto de cada ano.

 

NB  - Texto parcialmente retirado da Wikipédia.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:38

LENDA DAS VARAS

Domingo, 17.07.16

Conta-se que há muitos séculos, a população de uma das ilhas açorianas tinha caído num grande desleixo para com o seu semelhante: havia desavenças por todo e qualquer motivo e todo o tipo de abusos. Nas igrejas os padres pregavam pedindo penitência e humildade e anunciavam castigos de Deus. Mas o povo não se emendava, continuava com os seus abusos e desavenças, maltratando-se uns aos outros.

Certo dia começaram a sentir-se grandes tremores de terra. Toda a ilha era abalada com muita violência. No cimo de um dos montes mais altos da ilha começou a sair fumo seguido de fogo e de uma grande erupção. Cinzas vulcânicas e lavas desceram do monte, aterrorizando as populações que nas partes baixas da ilha viam as lavas incandescentes a vir na direção das suas casas, destruindo-as e matando os seus animais. O castigo para os pecados tinha chegado, gritavam os padres nos altares e as pessoas de boa alma nas ruas. Do alto do monte foram atiradas pedras incandescentes até grandes alturas e a lava correu vulcão abaixo numa ribeira lenta, muito quente e caudalosa, em direção ao mar. Os abalos eram cada vez mais fortes.

Nos povoados as pessoas choravam, juntavam-se nas igrejas e rezavam, impotentes, perante a violência da natureza. Outras desorientadas, corriam de um lado para o outro numa tentativa vã de encontrar abrigo. Foi então que um fradinho teve a ideia de todos, cheios de fé saírem numa procissão fazendo preces a Deus para que parasse a erupção. Com eles levavam coroa do Espírito Santo de um dos Impérios da ilha e iam dentro de um quadro formado com as varas do Espírito Santo.

Seguiram pelas ruas cujas casas se encontravam no caminho do rio de lava. Aproximaram-se o mais possível da lava que corria lenta e pastosa, e nesse local atiraram as varas do Espírito Santo para o chão, de forma a que formassem um traçado, um caminho que queriam que a lava tomasse, que a levasse ao mar.

Fizeram-no com tanta fé que pouco depois o rio de lava começou a mudar o seu curso, encaminhando-se para o mar, seguindo assim o caminho traçado pelas varas do Espírito Santo. A população ainda chorosa e atónita, estarrecida de medo e admiração, começou a agradecer ao Divino Espírito Santo. Fizeram-Lhe muitas promessas por os ter protegido da lava.

Essa a razão por que ainda hoje se conservam as varas juntamente com outros símbolos do Espírito Santo.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

FÉRIAS NOS AÇORES

Terça-feira, 26.04.16

Os Açores cada vez se assumem mais como local ideal para passar férias. Na verdade e de acordo com o site informativo I Love Azores, prevê-se que o número de portugueses que escolhem os Açores para fazer férias aumentará, este ano, cerca de cinquenta por cento, o que demonstra que a atividade hoteleira em Portugal continua a apresentar resultados positivos, com a procura a aumentar muito particularmente nos Açores.

A procura de hotéis nas ilhas açorianas aumentou tanto da parte de residentes no continente como de estrangeiros, sendo, neste caso, que os mercados italiano, francês e alemão foram os que apresentaram os mais elevados valores. Apenas, segundo o relatório do INE, Espanha e Irlanda ostentaram uma evolução negativa.

Os mesmos dados mostram que, o maior aumento da procura verificou-se nos aldeamentos turísticos. Em sentido contrário, os estabelecimentos de classe mais baixa hotéis-apartamentos de duas e três estrelas registaram alguma quebra.

Quanto aos locais mais procurados no país, é verdade que o Algarve, Lisboa e Madeira estão no topo da lista, mas foram os Açores que registaram o maior aumento no número de dormidas. O INE explica este aumento com "a implementação de novos serviços de transporte aéreo na região", que permitiu aumentar as dormidas dos residentes naquela ilha em mais de cinquenta por cento

Este crescimento refletiu-se sobretudo nas receitas de hotelaria. Por tudo isto, um outro site, o Business Insider colocou o arquipélago açoriano entre os 30 locais para visitar este verão. O mesmo site classifica os Açores como locais imperdíveis e que devem constar nos planos de viagem de férias para este verão. O mesmo site listou aqueles que são os trinta locais de paragem obrigatória durante o próximo verão e os Açores fazem parte dos escolhidos, figurando ao lado de locais como a Isola Bella, na Itália, Tulum, no México e Marraquexe, em Marrocos.

As nove ilhas dos Açores têm sido referenciadas como um dos segredos mais bem guardados do Oceano Atlântico, onde os viajantes podem encontrar cada tipo de maravilha natural, desde praias, a lagos, passando por cascatas e cavernas vulcânicas.

Vale a pena passar Férias nos Açores. São Miguel, Santa Maria, Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Graciosa, Flores e Corvo são as 9 ilhas que constituem o arquipélago mais ocidental da Europa e que são, incondicionalmente, um dos destinos mais apreciados por quem procura descanso, natureza e paisagens deslumbrantes. Apesar de fazerem parte do mesmo arquipélago, cada ilha possui uma identidade muito própria e diferentes atrações a visitar, tendo na natureza o seu principal fator comum, por isso não se fique apenas pela maior e mais conhecida, São Miguel. Visite-as todas, se não este verão, nos próximos. Delicie-se com a sua saborosa e variada gastronomia, refresque-se nas suas piscinas naturais, descontraia-se com passeios pelos vários trilhos existentes, descubra paisagens deslumbrantes e incríveis de lagoas, montes vulcânicos, campos verdejantes, sente-se à beira-mar e sonhe com a imensidão do Atlântico, observe as comunidades locais de baleias e golfinhos, desfrute de tantas outras imagens que ficarão certamente na sua memória.

Na verdade, os Açores são o local ideal para as suas férias.

 

NB – Dados retirados do site I Love Azores

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OS AÇORES E A ATLÂNTIDA

Segunda-feira, 11.01.16

Hoje é crença comum que, há muitos anos, existiu, no Oceano Atlântico, localizada, parcialmente, no lugar onde hoje se situa o arquipélago dos Açores, um continente lendário, chamado Atlântida. Segundo Platão tratava-se de uma ilha enorme e que era uma espécie de ponte entre os grandes continentes então existentes.

Esta ilha gigante estava dividida em três regiões: a região setentrional chamada Poseidonis, a maior e que se situava num planalto onde hoje ficam as ilhas açorianas, uma segunda constituída por uma enorme ilha central chamada Antília, e a terceira constituída pelo Arquipélago Equatorial que chegava até às proximidades do Equador. Há quem cuide, no entanto, que a civilização Atlante não estava confinada a estas zonas no oceano Atlântico, mas que, pelo contrário, se estendia por um imenso vale que hoje é o mediterrâneo. Era um vale húmido e fértil, atravessado por rios que desciam desde as vertentes continentais e cujo leito dos oceanos foi subindo lentamente, aumentando a pressão sobre a enorme barreira que separava o oceano do vale e que estava situada na zona que hoje chamamos de Gibraltar. Aos poucos, o vale foi sendo inundado até ao dia em que, tal como nas ilhas, enormes tremores de terra se fizeram sentir e acabaram por destruir essa barreira, precipitando as águas do oceano numa enorme torrente diluviana que tudo destruiu.

O desaparecimento deste mítico continente parece dever-se a convulsões várias entre os deuses e os demónios. A sua destruição é referida em quase todas as culturas do mundo através da mítica história do dilúvio, narrada não apenas na Bíblia mas noutras mitologias, incluindo o poema de Guigalmesh e da cultura grega, por exemplo, segundo a qual os deuses inundaram o mundo e destruíram a raça humana devido à sua maldade. Temos, assim, um cataclismo que assolou um vasto lugar, e um povo que, por ordens de deus, ou seja, dos seres extraterrestres, constrói embarcações para salvar parte da humanidade e assim dar corpo à quinta raça que se veio a formar depois do dilúvio, a nossa raça actual.

Muitos relatos existem sobre esse lugar lendário, contanto as mais diversas histórias. O de Platão, senão o mais interessante, é o mais conhecido:

 "Pois, naquele tempo, podia-se atravessar o mar. Tinha uma ilha diante dessa passagem que vós chamais as colunas de Hércules. Esta ilha era maior que a Líbia e a Ásia reunidas. Os viajantes daqueles tempos podiam passar desta ilha para outras ilhas, e dessas ilhas podiam alcançar o continente, na margem oposta deste mar que merecia verdadeiramente o seu nome".

Mas apesar de situada em pleno Atlântico e de se saber que emergiu nas profundezas do mar há milhares de anos, na sequência de violentas erupções vulcânicas, ainda bem vivas nas ilhas dos Açores, manifestando-se diariamente sob as mais diversas formas de atividades vulcânicas secundárias, segundo o tenente-coronel José Agostinho, a Atlântida nunca existiu e não existem provas científicas de que os Açores sejam o remanescente do mítico continente da Atlântida que, outrora, teria sido o berço de uma próspera e culta civilização, desaparecida nas profundezas do oceano.

 

NB – Dados retirados da Net

 

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A LENDA DE PÉROLA REGO

Quinta-feira, 11.06.15

Em tempos muito recuados, na freguesia dos Altares, vivia Pérola Rego, menina muito rica, herdeira de grande fortuna. Descendente das famílias Rego e Baldaia pela linha paterna, e da família Pamplona pela linha feminina. Pérola Rego era bela, com cabelos louros escuros, brilhantes e fartos. Os seus olhos eram castanhos da cor do cetim. A sua pele rosada, era muito fina.

Reza a lenda que tais atributos, aliados a uma grande candura e bondade levaram a que um elevado número de jovens se enamorassem dela. Uma bela manhã ensolarada, Pérola desceu o eirado do solar de seu pai e foi ver a sua imagem refletida nas águas da cisterna da casa.

Uma fada que vivia nas imediações queria defendê-la dos pretendentes, visto que estes não a amavam mas apenas queriam assenhorar-se da sua fortuna. Escondida dentro da cisterna à espera de Pérola, fez um encanto e tomou poder sobre a imagem da menina que se refletia nas águas paradas da cisterna. Começou, então, a engendrar uma forma de a surpreender durante o sono e levá-la para um local seguro no seu castelo encantado, longe do olhar daqueles ambiciosos e malvados jovens.

O palácio da fada encontrava-se no interior da ilha. Tinha lindos jardins e magníficos bosques de árvores típicas das florestas exóticas da Macaronésia. Tinha lindos Azevinhos, Sanguinhos, altos Cedros, belas árvores de Pau-Branco e gigantescos e antiquíssimos Dragoeiros. Era rodeado pelos dourados campos de trigo que se enfeitavam de vermelhas papoilas. No centro destes campos encontrava-se o grandioso castelo feito de brancas pedras de mármore, brilhante marfim, prata e ouro.

À meia-noite do dia de São João, quando as estrelas brilhavam com suavidade e a lua surgia como rainha nos céus, a bela Pérola foi levada para o mágico palácio, durante o sono, envolta nas asas brancas da fada. Pela manhã a notícia do seu desaparecimento espalhou-se, deixando os pais em pânico, o solar em alvoroço e os seus enamorados em ansiedade. Em grupo, os pretendentes recorreram a uma velha feiticeira que vivia no cimo de uma serra e lhes revelou a existência do palácio encantado.

Alguns pretendentes quiseram atacar o castelo, deitando abaixo as muralhas pela força das armas. Outros mais cuidadosos consultaram também uma velha benzedeira que lhes disse que tinham de levar alaúdes e, à maneira dos antigos trovadores, deviam ir cantando versos mágicos e executando marchas de magia que ela lhe ensinaria. Assim veriam ao longe o castelo encantado, visto que uma coisa encantada só se desencanta com outro encanto.

A benzedeira ainda os avisou que iriam encontrar uma inscrição sobre um enorme rochedo: se estivesse gravada a prata, conteria nas suas palavras o modo de atrair Pérola; mas se a tivesse sido gravada a fogo, os seus poderes não tinham força para vencer e nenhum deles merecia o amor da jovem.

Os pretendentes partiram de madrugada, mal o sol raiou. Pelos caminhos iam cantando os versos ensinados pela velha benzedeira. Ao fim de muitas horas de caminhada foi ouvido um grito de alegria. Ao longe via-se recortado na paisagem o palácio da fada, lindo, brilhando à luz do sol nascente.

Apressando o passo, percorreram o longo caminho até ao castelo. Desceram encostas, percorreram vales e subiram serras e colinas. Ao chegarem ao local onde devia estar o castelo, este tinha desaparecido na bruma. No seu lugar encontrava-se uma bela, serena e plácida lagoa de águas claras. Numa das margens, uma mensagem gravada a fogo numa pedra dizia: "Aqui, neste espaçoso lago, escondeu-se o palácio da linda Pérola, a donzela de cabelos loiros". Desiludidos, pensaram que Pérola estava perdida para sempre.

Mas a mãe desta, cristã piedosa, logo na manhã em que a fada lhe levara a filha fora-se ajoelhar diante de uma imagem de São Roque e pedir a sua intervenção. No fim de uma das suas muitas preces, ouviu uma voz ao ouvido que lhe segredou: "Vai tranquila, a tua filha está ao anjo da guarda". No dia de São Pedro à hora do por sol, Pérola apareceu no terraço do solar de seu pai, acompanhada por um Arcanjo. Vinham num batel de marfim puxado por um cisne de uma brancura imaculada.

Anos mais tarde apareceu o verdadeiro amor de pérola, um cavaleiro na demanda do Santo Graal, vestido com uma armadura refulgente. Mas hoje ainda existe o lago encantado onde se escondeu o castelo da fada - a Lagoa do Ginjal.

 

Dados retirados da Wikipédia

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publicado por picodavigia2 às 00:06

AS FREGUESIAS DOS AÇORES

Terça-feira, 17.02.15

Nos Açores existem 19 concelhos, com um total de 155 freguesias. São as seguintes as freguesias açorianas, ordenadas por ilha e concelho. Assim, em Santa Maria existe apenas um concelho, Vila do Porto 5 freguesia: Almagreira, Santa Bárbara, Santo Espírito, São Pedro e Vila do Porto. São Miguel, para além de maior é a ilha mais povoada e com maior número de freguesias. São seis os concelhos micaelenses: Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo. O concelho da Lagoa tem cinco freguesias: Água de Pau, Cabouco, Rosário, Ribeira Chã e Santa Cruz, o de Nordeste, nove: Achada, Achadinha, Algarvia, Lomba da Fazenda, Nordeste e Lomba da Pedreira, Salga, Santana, Santo António de Nordestinho e São Pedro de Nordestinho, e o de Ponta Delgada o maior concelho açoriano, vinte e quatro: Ajuda da Bretanha, Pilar, Arrifes, Candelária, Capelas, Covoada, Fajã de Baixo, Fajã de Cima. Fenais da Luz, Feteiras, Ginetes, Livramento, Mosteiros, Pilar da Bretanha, Relva, Remédios, Santa Bárbara, Santa Clara, Santo António, São José, São Pedro, São Roque, São Sebastião, São Vicente Ferreira e Sete Cidades. O concelho da Povoação tem cinco freguesias: Água Retorta, Faial da Terra, Furnas, Remédios, Povoação e Ribeira Quente, o da Ribeira Grande tem catorze: Calhetas, Conceição, Fenais da Ajuda, Lomba da Maia, Lomba de São Pedro, Maia, Matriz da Ribeira Grande, Pico da Pedra, Porto Formoso, Rabo de Peixe, Ribeira Seca, Ribeirinha, Santa Bárbara e São Brás, o de Vila Franca seis e que são: Água de Alto, Ponta Garça, Ribeira das Tainhas, Ribeira Seca, São Miguel e São Pedro.

Na ilha Terceira existem dois concelhos: Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. O concelho de Angra tem dezanove freguesias: Altares, Cinco Ribeiras, Doze Ribeiras, Feteira, Conceição, Porto Judeu, Posto Santo, Raminho, Ribeirinha, Santa Bárbara, Santa Luzia de Angra, São Bartolomeu dos Regatos, São Bento, São Mateus da Calheta São Pedro, Sé, Serreta, Terra Chã e São Sebastião. Por sua vez o concelho da Praia abrange onze freguesias: Agualva, Biscoitos, Cabo da Praia, Fomnte do Bastardo, Fontinhas, Lajes, Porto Martins, Santa Cruz, Quatro Ribeiras, São Brás e Vila Nova. Na Graciosa há apenas o concelho de Santa Cruz constituído pelas quatro freguesias da ilha: Guadalupe, Luz, São Mateus da Praia e Santa Cruz. São Jorge esta divido em dois concelhos e o Pico em três. Em São Jorge o concelho da Calheta tem cinco freguesias: Calheta, Norte Pequeno, Ribeira Seca, Santo Antão e Topo enquanto o das Velas tem seis: Manadas, Norte Grande, Rosais, Santo Amaro, Urzelina e Velas. No Pico, o concelho das Lajes é constituído por seis freguesias: Calheta de Nesquim, Lajes do Pico, Piedade, Ribeiras, Ribeirinha e São João, o da Madalena também por seis: Bandeiras, Candelária, Criação Velha, Madalena, São Caetano e São Mateus, e o de São Roque por cinco: Prainha, Santa Luzia, Santo Amaro, Santo António e São Roque. Ainda no que ao grupo central diz respeito, o Faial constitui apenas um concelho o da Horta que abrange treze freguesias: Angústias, Capelo, Castelo Branco, Cedros Conceição, Feteira, Flamengos, Matriz da Horta, Pedro Miguel, Praia do Almoxarife, Praia do Norte, Ribeirinha e Salão.

A ilha das Flores, uma das menos povoadas dos Açores, divide-se em dois concelhos: Lajes e Santa Cruz. O concelho das Lajes tem sete freguesias: Fajã Grande, Fajãzinha, Fazenda, Lajedo, Lajes das Flores, Lomba e Mosteiro, enquanto o de Santa Cruz tem apena quatro: Caveira, Cedros, Ponta Delgada e Santa Cruz. A ilha do Corvo é constituída apenas pelo concelho de Vila Nova do Corvo, não tendo nenhuma freguesia, caso único no país.

Dos 19 concelhos em que se dividem as nove ilhas do arquipélago 12 (Vila do Porto, Lagoa, Nordeste, Povoação, Ribeira Grande, Angra do Heroísmo, Lajes do Pico, São Roque do Pico, Horta, Lajes das Flores e Santa Cruz das Flores) têm freguesias com menos de 500 habitantes., sendo a mais pequena de todas o Mosteiro das Flores, com apenas 43 habitantes. Por sua vez, o concelho das Lages das Flores é o que tem maior número de freguesias com menor população. Para além do Mosteiro, a Fajãzinha tem apenas 76 habitantes, o Lajedo 93, a Fajã Grande 202, a Lomba 206 e a Fazenda 257. Na mesma ilha, no concelho vizinho de Santa Cruz das Flores, mais três freguesias não ultrapassam os 500 habitantes: a Caveira com apenas 77, os Cedros com 128 e Ponta Delgada 359. O Nordeste, na Ilha de S. Miguel, é o segundo concelho com mais freguesias de idêntica dimensão. A Achada com 436 habitantes, a Salga com 488, Santana com 475, a Algarvia com 290 e Santo António de Nordestino com 273. No concelho da Povoação a freguesia de Água Retorta tem 489 habitantes e o Faial da Terra 359. No concelho Ribeira Grande a Lomba de S. Pedro tem 284 moradores e no da Lagoa a freguesia mais pequena e a Ribeira Chã com 396.

Algo de semelhante acontece na Ilha do Pico. No concelho das Lajes a Calheta de Nesquim tem 343 habitantes, a Ribeirinha 374 e São João 423. Em São Roque Santa Luzia tem 422 habitantes e Santo Amaro 288. Na Horta, Ilha do Faial, a freguesia do Capelo tem 486, Praia do Norte 250, Ribeirinha 427, e o Salão 401., não atingem os 500 habitantes. Em Santa Maria a freguesia de Santa Bárbara tem apenas 405 pessoas.

Segundo o Censos 2011, 40 freguesias açorianas têm 500 e os mil habitantes., enquanto 43 têm ente mil e mil e quinhentos. Com mais de dois mil e menos de cinco mil habitantes contam-se, na Região Autónoma dos Açores 39 freguesias. Em todo o arquipélago apenas duas freguesias ultrapassam os 10 mil habitantes: Vila Franca do Campo com 11229, em S. Miguel e Praia da Vitória, na Terceira com 21035.

 

NB – Dados retirados dos sites Açores e ANAFRE

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publicado por picodavigia2 às 00:31

AVENTURAS DE UM FRADE OU O PRIMEIRO NAUFRÁGIO NO CANAL ENTRE O FAIAL E O PICO

Quarta-feira, 05.11.14

Se é lenda ou história, não se sabe ao certo, mas a verdade é que o historiador açoriano Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha do Faial terá sido um frade eremita vindo do Reino. Segundo os relatos do mesmo historiador o frade vivia só, na ilha, apenas com algum gado miúdo, possivelmente, ovelhas, que ali haviam deitado os primeiros povoadores e donos das ilhas, e mais tarde, os próprios moradores da ilha Terceira. Estes davam-se ao luxo de "Somente no Verão iam pessoas da Terceira a suas fazendas e visitar seus gados e comunicavam com este ermitão". Ele apenas comunicava com alguém nessas alturas.

O frade acabaria por desaparecer, ao que se julga, ao fazer a travessia do canal do Faial para ir até à ilha do Pico, numa pequena embarcação revestida de couro e que se afundou. O frade terá morrido no primeiro naufrágio ocorrido no canal, pois não tinha ninguém por perto que o salvasse.

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publicado por picodavigia2 às 10:13

A UNIVERSIDADE DOS AÇORES

Quinta-feira, 30.10.14

Fundada em 9 de Janeiro de 1976, a Universidade dos Açores é hoje um motivo de orgulho de todos os açorianos, porquanto tem contribuído para o desenvolvimento, científico, cultural, económico e social do arquipélago. Trata-se duma universidade, com sede na cidade de Ponta Delgada. A sua fundação surgiu, muito naturalmente, na sequência da implantação do regime autonómico nos Açores e da política de expansão do ensino superior em Portugal, sendo o seu objetivo primordial dar resposta às múltiplas necessidades de formação de quadros dos Açores, elevar o seu nível cultural e promover o seu desenvolvimento científico e tecnológico.

Hoje em dia, o grau de desenvolvimento que se alcançou nos Açores encontra na ação desenvolvida pela Universidade uma das suas principais fontes de dinamização. As várias áreas de ensino e investigação cultivadas na Universidade ampliaram profundamente o conhecimento da complexa realidade do mar, da terra, da vida, da história, da sociedade e, em geral, da cultura das ilhas.

A mais prestigiada instituição de ensino açoriana de sempre apresenta uma estrutura tripolar, com polos nas cidades de Ponta Delgada (onde se localiza a sede, os principais serviços e a reitoria), de Angra do Heroísmo (Ilha Terceira) e Horta (Ilha do Faial). A sua orgânica assenta numa lógica de departamentos e escolas, que são unidades destinadas à realização continuada do ensino e da investigação. A Universidade integra, ainda, o ensino superior politécnico, que contempla as Escolas Superiores de Enfermagem de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo. Desde a sua fundação, a Universidade já teve cinco reitores, entre os quais o Dr José Enes Pereia Cardoso, um dos mais insignes professores que integrou a equipa formadora do Seminário de Angra nas décadas de cinquenta e sessenta. Atualmente ocupa este cargo o professor Jorge Manuel Rosa de Medeiros

Com a finalidade de prover efetivamente serviços educacionais para a população regional, a Universidade foi estabelecida em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, e na Horta, na Ilha do Faial, estando organizada em dez departamentos e duas escolas superiores para, essencialmente, prover instrução e pesquisa. Enquanto no campus principal, em Ponta Delgada, são ministrados cursos em várias áreas, os outros especializaram-se nos domínios das ciências agrárias e da oceanografia.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:14

A ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO PILAR

Sexta-feira, 17.10.14

Na cidade da Horta, ilha do Faial, existe uma pequena ermida, dedicada a Nossa Senhora do Pilar. A ermida situa-se num miradouro natural, na encosta da Espalamaca, voltado para a cidade e para o mar, com o Pico e São Jorge ao fundo. Segundo reza a história, a ermida foi erguida em 1701 pelo padre Felipe Furtado de Mendonça, vigário da paróquia da Conceição, às próprias expensas e à custa de esmolas recolhidas para esse fim, e onde pediu para ser sepultado, existindo, ainda, a lápide da sua sepultura, colocada dentro do templo na parede do lado do Evangelho.

Sabe-se, no entanto, que a ermida primitiva foi destruída por um incêndio e esteve muitos anos abandonada, sem portas nem cobertura, tendo sido reconstruída em 1729, por uma Irmandade então criada. Possuí na sua fachada o Brasão de Armas da monarquia portuguesa.

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publicado por picodavigia2 às 13:54

FERNÃO DE HUTRA E OS ILHÉUS DAS CABRAS

Sábado, 30.08.14

Conta uma antiga lenda terceirense que, há muitos, muitos anos, nos Ilhéus das Cabras, terá vivido desterrado um homem chamado Fernão de Hutra.

Segundo a lenda, Fernão de Hutra terá sido um imprudente e desajuizado jovem faialense que se apaixonou por uma freira, e pela impossibilidade de a ter, tencionava raptá-la. Para isso, fez um pacto com o diabo, só que foi mal sucedido. Ao saber disso, a população expulsou-o da cidade da Horta, tendo o jovem procurado na cidade de Angra. Mas Fernão de Hutra não continha facilmente os seus devaneios amorosos e, em Angra, continuou na vadiagem, enamorando-se de uma das filhas do alcaide-mor. Este, para evitar um trágico desenlace do romance, foi falar com o cunhado que era proprietário dos ilhéus das Cabras, e ambos conseguiram prender o jovem Hutra, levando-o, como desterrado, para os ilhéus.

Fernão de Hutra permaneceu durante sete anos nos ilhéus e continuou com o seu pacto com o diabo, sendo alimentado pelo leite de algumas cabras que ali viviam e que deram nome aos ilhéus.

Finalmente, conclui a lenda, até que numa noite, se sentiu arrependido e morreu, mas só depois de ter sido absolvido e ungido por um fradinho, que misteriosamente lhe aparecera. Ainda hoje nas imediações dos Ilhéus das Cabras encontram-se uns penhascos chamados de ilhéus dos Fradinhos.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:15

A REGIÃO AUTÓNOMO DOS AÇORES

Sábado, 23.08.14

A Região Autónoma dos Açores é um território autónomo da República Portuguesa, constituída por um arquipélago de nove ilhas, chamado Açores, situado no Atlântico nordeste- Actualmente a Região Autónoma dos Açores, outrora divida em três distritos, está dotada de uma autonomia política e administrativa, consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, integrando a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da mesma.

Com cerca de seis séculos de presença humana continuada, as ilhas açorianas, individual e colectivamente, granjearam um lugar importante na História de Portugal e na história do Atlântico, ao constituírem-se em escala para as expedições dos Descobrimentos e para naus da chamada Carreira da Índia, das frotas da prata, e do Brasil, contribuindo, também, para a conquista e manutenção das praças portuguesas do Norte de África; quando da crise de sucessão de 1580 e das Guerras Liberais. Além disso, as ilhas dos Açores firmaram-se como baluartes da resistência; durante as duas Guerras Mundiais, em apoio estratégico vital para as forças Aliadas, mantendo-se, até aos nossos dias, em um centro de comunicações e apoio à aviação militar e comercial.

O descobrimento do arquipélago permanece, ainda hoje, um pouco controverso. Algumas, assentando na apreciação de vários mapas genoveses, afirmam que as ilhas açorianas já eram conhecidas aquando do regresso das expedições às ilhas Canárias realizadas cerca de 1340-1345, no reinado de Afonso IV. Outras, porém, referem que o descobrimento das primeiras ilhas, nomeadamente Santa Maria, São Miguel e Terceira, provavelmente, terá sido efectuado por marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique. A apoiar esta versão existe um conjunto de escritos posteriores, baseados na tradição oral, que se criou na primeira metade do século XV. Algumas teses mais arrojadas consideram, no entanto, que o achamento das primeiras ilhas ocorreu já ao tempo de Afonso IV de Portugal e que as viagens feitas no tempo do Infante D. Henrique não passaram de meros reconhecimentos.

O que se sabe concretamente sobre esta questão é que Gonçalo Velho Cabral chegou à ilha de Santa Maria em 1431, decorrendo nos anos seguintes o achamento ou, se quisermos, o reconhecimento das restantes ilhas do arquipélago dos Açores, no sentido de progressão de leste para oeste. Uma carta do Infante D. Henrique, datada de 2 de Julho de 1439 e dirigida ao seu irmão D. Pedro, é a primeira referência segura sobre a exploração do arquipélago. Nesta altura, as ilhas das Flores e do Corvo ainda não tinham sido achadas, o que aconteceria apenas cerca de 1450, por obra de Diogo de Teive. Entretanto, o Infante D. Henrique, com o apoio da sua irmã D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, mandou povoar a ilha de Santa Maria.

O povoamento das ilhas deverá ter-se iniciado por volta 1432, no caso das ilhas mais orientais, sendo da responsabilidade de colonos oriundos do Algarve, do Alentejo e do Minho. Pouco depois terão ingressado nalgumas ilhas alguns colonos estrangeiros, nomeadamente, flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.

Desde o início do povoamento foi necessário fortificar as ilhas, através da edificação de infra-estruturas militares e de apoio, como castelos, fortalezas, fortes, redutos e trincheiras.

Muitos dos primeiros colonos chegados aos Açores teriam sido cristãos-novos, isto é, judeus sefarditas que foram obrigados a se converter forçadamente pelas perseguições do catolicismo e que ali encontravam lugar de refúgio. O próprio monarca, através das Ordenações Afonsinas, procurou captar tanto judeus quanto flamengos nestas condições, para povoar o arquipélago, mediante a distribuição de terras. Assim, longe da Europa continental, esses grupos ficariam livres das perseguições religiosas de que eram vítimas nas suas terras de origem.

No processo do povoamento de algumas ilhas mais ocidentais, como São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo, ter-se-ão integrado muitos flamengos, cuja presença se veio a reflectir na produção artística e nos costumes, na toponímica e nos modos de exploração das terras. De recordar q,e a actual cidade da Horta, recebeu o nome do capitão flamengo Joss van Hurtere, a quem foi confiado o povoamento de parte da ilha do Faial. Além disso, existe ainda uma freguesia do concelho da Horta chamada Flamengos, para além dos moinhos e dos modelos da exploração agrária.

Por sua vez a administração primitiva das ilhas açorianas foi feita através do sistema de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário. As primeiras capitanias constituíram-se nas ilhas de São Miguel e de Santa Maria. Em 1450, na sequência da progressão ocidental do descobrimento das ilhas, foi criada uma outra capitania na ilha Terceira, cuja administração foi atribuída também a um flamengo, de seu nome Jácome de Bruges. As restantes ilhas também se encontravam sob administração de capitanias. A administração e assistência espiritual das ilhas ficou subordinada à Ordem de Cristo, que detinha também o senhorio temporal das ilhas, mas a presença de outras ordens religiosas não deixou de se fazer notar no processo de povoamento desde o início, como no caso dos Franciscanos em Santa Maria e Terceira desde a década de 1940 do século XV.

A Região Autónoma dos Açores possui um clima temperado, sendo que as ilhas, inicialmente, se encontravam cobertas de densa vegetação Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário proceder ao arroteamento, isto é, ao desbastar de densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação, para produção escultórica e para a construção naval. O cultivo de cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes, com o trigo e o pastel a registarem uma produção considerável. A produção de pastel e a sua industrialização para exportação destinada a tinturaria desempenhou um papel relevante na economia do arquipélago. A exploração do pastel e da urzela, esta também para tinturaria, atingiu o seu auge precisamente quando a produção de cana-de-açúcar e do trigo entraram em decadência.

No século XVII, no entanto, as matérias-primas tintureiras sofreriam uma recessão, sendo substituídas pela produção do linho e de laranjas, que, por seu lado, registaram um impulso extraordinário. Nesta altura, foi introduzida a produção de milho, sendo esta significativa para as melhorias alimentares da população e também como apoio à pecuária. A primeira exportação de laranjas surgiu no século XVIII, numa altura em que foi também introduzida a cultura da batata. Em finais de Setecentos, regista-se o início de uma das mais expressivas e emblemáticas actividades económicas açorianas: a caça ao cachalote e a outros cetáceos. Na ilha de São Miguel, tanto a produção de chá como a produção do tabaco, revelar-se-iam muito importantes para a economia da ilha.

No século XVIII, os Açores já tinham uma população suficientemente grande para que a Coroa portuguesa incentivasse a emigração de famílias açorianas para terras brasileiras, sobretudo para a parte meridional de então sua colónia na América do Sul.

É de se notar que os açorianos sempre almejaram conquistar uma maior autonomia política e administrativa, o que, durante séculos, foi negado, dando ensejo a alguns movimentos em favor da emancipação do arquipélago. No entanto só muito recentemente esse desiderato foi conseguido, devido à persistência do regime fascista em Portugal e porque as regiões autónomas só foram consagradas na Constituição Portuguesa de 1976. Nos termos da Constituição, a autonomia regional não afecta a integridade da soberania do Estado. Compete às regiões autónomas legislar em todas as matérias que não sejam da reserva dos órgãos de soberania e que constem do elenco de competências contido nos seus Estatutos Político-Administrativos; pronunciar-se nas mais diversas matérias que lhes digam respeito; e exercer poder executivo próprio, em áreas como a promoção do desenvolvimento económico e da qualidade de vida, a defesa do ambiente e do património, e a organização da administração regional.

Assim, actualmente, os órgãos de governo da Região Autónoma dos Açores são a Assembleia Legislativa e o Governo Regional. A primeira é eleita por sufrágio universal directo e tem poderes fundamentalmente legislativos, além de fiscalizar os actos do Governo Regional. O presidente do Governo Regional é nomeado pelo Representante da República, que para tal considera os resultados eleitorais, e é o responsável pela organização interna do órgão e por propor os seus elementos. As atribuições do Governo Regional são fundamentalmente de ordem executiva.

O Representante da República é o representante do Chefe do Estado na Região, competindo-lhe assinar e mandar publicar os decretos da Assembleia e do Governo Regional.

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publicado por picodavigia2 às 15:41

PASSAGENS A 134 EUROS

Segunda-feira, 21.07.14

Segundo informou o próprio presidente do Governo Regional, os residentes nos Açores vão passar a pagar o valor máximo de 134 euros nas suas deslocações ao Continente, quer para Lisboa quer para o Porto, ou seja menos da metade do que pagam habitualmente

Esta é uma das principais novidades do novo modelo de obrigações de serviço público nas ligações aéreas entre os Açores e o Continente e entre os Açores e a Madeira, revelado pelo presidente do Governo Regional dos Açores, que também prevê a liberalização das rotas Lisboa-Ponta Delgada, Lisboa-Terceira, Porto-Ponta Delgada e Porto-Terceira e a autorização da realização de voos low-cost.

Com o novo modelo de transporte de passageiros, que deverá estar em pleno funcionamento no Verão de 2015, estas rotas estarão abertas à entrada de qualquer companhia aérea, incluindo as low-cost, prevendo-se que a concorrência neste sector gerará benefícios no que respeita ao preço das passagens e na qualidade do serviço prestado.

 Quanto à passagem ida e volta para um residente nos Açores que se desloque ao Continente, Vasco Cordeiro explicou que os 134 euros correspondem ao preço final "sem restrições", incluindo a tarifa, todas as taxas aeroportuárias e de emissão de bilhete, bem como a taxa de combustível. "Este preço de 134 euros é garantido através do pagamento direto aos residentes do subsídio, nos casos em que o preço praticado pelas companhias aéreas ultrapasse 134 euros, mediante a apresentação após a viagem dos comprovativos da mesma", salientou aquele governante.

As novas obrigações de serviço público contemplam a melhoria das condições de encaminhamentos de passageiros no interior da Região, do transporte de carga por via aérea e a "proteção diferenciada dos residentes e estudantes açorianos", os quais, neste último caso, passam a pagar um valor máximo de 99 euros nas suas deslocações ao Continente.

 "Registe-se que os preços máximos atrás referidos, que significam uma redução de cerca de 50% em relação aos valores atuais, são aplicáveis em todas as gateways dos Açores, independentemente do regime das respetivas rotas. Ou seja, é um preço máximo garantido a todos os açorianos de todas as ilhas nas ligações com o Continente, utilizem eles os voos a partir de Santa Maria, de São Miguel, da Terceira, do Pico ou do Faial", esclareceu Vasco Cordeiro.

Nada se esclareceu, no entanto, relativamente aos voos entre ilhas, aliás bastante altos.

 

NB - Dados de: «Forum Ilha das Flores», «TeleJornal» e «Açoriano Oriental».

 

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publicado por picodavigia2 às 02:15

A LENDA DOS NOVE IRMÃOS

Terça-feira, 08.07.14

Conta uma antiga lenda açoriana que há muitos, muitos anos, existiu no meio do Oceano Atlântico um país muito belo e próspero, com cidades maravilhosas, praias lindíssimas, campos muito férteis e montanhas cobertas com árvores frondosas, umas carregadas de frutos saborosíssimos, outras tão esplendorosas e altas que pareciam chegar ao céu. Chamava-se Atlântida.

Conta a lenda que nesse fantástico país existiu, numa dada altura, um rei que tinha nove filhos, todos eles rapazes, muito fortes mas também muito amigos.

Certo dia o velho monarca, sentindo que se aproximava o fim dos seus dias, resolveu chamar os filhos. Pediu-lhes que lhe dissessem que sítio preferia cada qual para viver, pois dividir o seu reino por eles, dando a cada um, a parte que mais lhe agradasse. Todos escolheram montanhas, mas como se entendiam bem, não houve discussões e cada um foi para um dos nove cumes montanhosos que o país possuía, decidindo que se haviam de reencontrar, passado um ano.

Após a morte do pai, partiram todos. Na véspera do dia combinado, porém, cheios de desejos de se verem uns aos outros e de se reencontrarem, estavam tão nervosos e excitados que mal conseguiram dormir. Malogradamente, nessa mesma noite ouviram um grande estrondo que se propalou por todas as montanhas. Ao acordar, aperceberam-se, com grande mágoa, que o território que constituía o seu maravilhoso país, se tinha afundado, e que haviam ficado, à superfície das águas, apenas os nove cumes das montanhas que cada um tinha escolhido para si e onde se encontrava naquele momento. Ficavam, assim, impedidos de se reencontrarem, podendo fazê-lo, somente, através do mar. Mas para isso teriam que construir barcos, tarefa que, no entanto, lhes estava facilitada, pois as montanhas que habitavam estavam cobertas de árvores com belos e rijos troncos. Assim decidiram todos e cada um por si, construir barcos, que algum tempo depois lançaram ao mar, viajando, de montanha para montanha, com sucesso. Assim conseguiram todos reunir-se, voltando a abraçar-se e a conviver como nos bons velhos tempos em que viviam no reino de seu pai. Foi assim que aprenderam a viajar pelo mar, e o facto de cada um viver sozinho na sua ilha, nunca mais os impediu de se juntarem e de se visitarem uns aos outros, passando, assim, a viajar de um para outro daqueles cumes montanhosos que eram as ilhas dos Açores.

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publicado por picodavigia2 às 10:48

AS FESTAS DO ESPÍRITO SANTO EM MAU TEMPO NO CANAL DE VITORINO NEMÉSIO

Segunda-feira, 09.06.14

Vitorino Nemésio, no seu romance “Mau Tempo no Canal”, no capítulo XVIII – “No Tempo da Frol” -, refere-se às festas do Espírito Santo nos Açores, mais concretamente, na ilha do Faial, onde descreve a função da irmã de Manuel Bana, na freguesia do Capelo:

«Em meados de Abril, Margarida andava ocupada com a perspectiva da «função» que a irmã de Manuel Bana ia dar no Capelo.

As festas do Espírito Santo enchem a primavera das ilhas de um movimento fantástico, como se homens e mulheres, imitando os campos, florissem. Da Páscoa ao Pentecostes e à Santíssima Trindade são sete ou oito semanas de ritos de uma espécie de florália cristã adaptados à vida da lavoura, dos pastos carregados de humidade e de trevo no meio das escórias de lava – o «Mistério». Em vão, os bispos de Angra, talvez lembrados do que deviam à sucessão de D. Fr. Jorge de Santiago e à sua douta luta pela pureza da fé e do culto nas sessões do Concílio de Trento, tentavam desterrar da religião insulana aquelas estranhas práticas: o Paráclito entre círios e olhos de raparigas ardentes, o Veni creator cantado ao rés do transepto cheio de vestidos leves. O próprio abuso dos «foliões» trajando a opa dos bobos e dançando a toque de caixa, em plena capela-mor, foi reprimido a custo. A alma do ilhéu é cândida e tenaz: quer um Deus vivo e alegre; chama-o à intimidade do seu pão e das suas ervas húmidas. Deus lhe perdoe…

O Espírito Santo aberto numa pomba de prata ao topo de uma coroa real, liga o Pai do Céu aos seus filhos das ilhas dos Açores como a própria ave que marcava nos portulanos de Maiorca e de Veneza  aquelas paragens mortas: Insula Columbi… Insula Corvi Marini… Primaria sive Puellarum…

… Ou ilha das Meninas. Um bando delas, em filas que semeiam os caminhos de rosas e madressilva, Publicado em 27/05levam o “emblema do divino Espírito Santo” a casa do pobre e do rico. O “alferes da bandeira” desfralda o estandarte de uma realeza de sonho, império de pão dourado. Vêm os “vereadores” com varas de mordomos, o “pajem da coroa” investido na grandeza do reino, a criança ou o pobre de pedir coroados pelo sacerdote. Fecha o cortejo a fanfarra e o esturro bufado dos foguetes. – “Imparador do séisto domingo: Chico Bana!” – tum, tum.

Botas novas, rodadas de rosquilhas e aguardente no giro das bandejas de lata, um trono a arder de círios e rosas abertas no canto da casa térrea. “Vamos a antrar cá pâr’dentro! Toca a gastar, senhores!” – E assim os sete dias.»

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publicado por picodavigia2 às 01:11

O SENHOR SANTO CRISTO

Sábado, 24.05.14

A festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, popularmente referido apenas por Senhor Santo Cristo ou Santo Cristo dos Milagres, é, incontestavelmente, a maior de todas as festas açorianas, ladeada, apenas, pelas do Espírito Santo, estas dispersas por todas as ilhas, aquela concentrada na cidade de Ponta Delgada. Celebrada no Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde se guarda a veneranda imagem, a festa espalha-se por toda a cidade, sobretudo, na tarde do domingo, em que uma gigantesca procissão, percorre as principais artérias da maior urbe açoriana. Esta festa realiza-se nos dias em torno do quinto domingo após a Páscoa, dia em que se procede à grande procissão, terminando na quinta-feira da Ascensão e constitui uma das maiores e mais antigas devoções que se realizam no país, e que só encontra paralelo com a devoção popular expressa no Santuário da Mãe Soberana, em Loulé, e, a partir do século XX, nas celebrações em honra de Nossa Senhora de Fátima. A devoção atrai, anualmente, milhares de açorianos e seus descendentes, de todas as ilhas e do exterior, uma vez que é um momento escolhido por muitos emigrantes para visitarem a sua terra natal.

A imagem de Cristo, impressionante e enternecedora, é entalhada em madeira sob a forma de relicário/sacrário, sendo o seu autor desconhecido, em estilo renascentista, representando o "Ecce Homo", isto é, o episódio do martírio de Jesus Cristo em que este é apresentado à multidão, na varanda do Pretório, acabado de flagelar, de punhos atados e torso despido, com a coroa de espinhos e os ombros cobertos pelo manto púrpura. Trata-se de uma imagem elaborada por um autor desconhecido e que, segundo reza a tradição, nenhum outro é capaz de a representar com a mesma forma, ou seja com um grande senso artístico, fazendo contrastar a violência infligida ao corpo de Cristo com a serenidade do Seu rosto e a ternura do Seu olhar.

Reza a história que a imagem terá sido oferecida pelo Papa Paulo III a algumas religiosas que se deslocaram a Roma no sentido de obter uma Bula pontifícia que as autorizasse a instalar o primeiro convento na ilha de São Miguel, na Caloura ou no Vale de Cabaços. No entanto, em virtude do Convento da Caloura, erguido sobre um rochedo à beira-mar, se encontrar demasiado exposto aos ataques de piratas e corsários, então abundantes nas águas do arquipélago, as religiosas ter-se-ão transferido para outros estabelecimentos religiosos, aa ilha, nomeadamente para o Convento de Santo André, em Vila Franca do Campo e, mais tarde, para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. Terá sido a Madre Inês de Santa Iria, uma religiosa oriunda da Galiza, que trouxe consigo a actual imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

O culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres tomou impulso a partir dos séculos XVII e XVIII, devendo-se à irmã Teresa da Anunciada o actual culto ao Senhor Santo Cristo. Desde que deu entrada no convento, Teresa da Anunciada adoptou uma atitude de profunda devoção e entrega à imagem do "Ecce Homo", com a qual estabeleceu uma íntima relação. As duas irmãs terão despertado a da população em geral, para o carácter milagroso da imagem. Joana de Santo António, antes de ser transferida para o Convento de Santo André, terá alertado nomeadamente para o poder milagroso de uma estampa que cobria a abertura do peito da imagem. Por sua vez, Teresa da Anunciada não se poupou a esforços para engrandecer a imagem de Cristo, apelando à vassalagem e entrega por parte de todos à mesma. Embora com entraves por parte de uma abadessa do convento, conseguiu que se erigisse uma capela condigna para a imagem e que a imagem fosse ornada com todas as insígnias próprias de majestade. Para esses fins, contou com as esmolas de inúmeros crentes em toda a ilha, do reino e mesmo das colónias, assim como o apoio do rei D. Pedro II. Foi ainda a irmã Anunciada quem organizou e instituiu a procissão anual do Senhor Santo Cristo dos Milagres, com o apoio e a colaboração da população. Nos dias das festas em honra do Senhor Santo Cristo, uma enorme multidão acorre ao Campo de São Francisco e ao Convento da Esperança que, por esta altura, assumem o papel de santuário, numa manifestação de profunda devoção, fé e respeito. Além de se prestar homenagem à imagem do Senhor, são pagas as promessas feitas. Mas também ao longo do ano, a imagem, que se encontra guardada numa capela do convento, localizada em frente e em sentido oposto ao altar-mor da igreja, separada da nave por um gradeamento, é visitada por inúmeros fiéis que ali vêm rezar e pagar as suas promessas.

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publicado por picodavigia2 às 18:23

A LENDA DA CIDADE DE ANGRA

Sexta-feira, 07.03.14

Conta uma lenda muito antiga que, certo dia, o Príncipe dos Mares se apaixonou por uma linda princesa. Mas o príncipe vivia triste, desafortunado e infeliz porquanto a sua amada não correspondia à sua grande paixão pois já tinha, no seu coração, um outro príncipe que muito amava.

Então, o Príncipe dos Mares, levado por um enorme ciúme, pensou desistir dos desejos de conquistar a princesa que amava, a fim de acabar com a tristeza e infelicidade em que vivia diariamente. Para isso, chamou ao seu reino uma fada, ordenando-lhe que deveria mudar o rumo dos acontecimentos, isto é, fazer com que a princesa o amasse e o tornasse feliz. A fada tentou, durante algum tempo, exercer a sua influência, porém, nada conseguiu e foi expulsa, com rudeza, pelo desesperado e infeliz príncipe.

Um dia, a princesa e o tal príncipe que ela, realmente, amava, trocaram o primeiro beijo. O sussurro dos dois apaixonados, porém, foi tão forte, tão alto e tão violento que se repercutiu por todos os reinos vizinhos e foi também ouvido pelo Príncipe dos Mares que dormitava, envolto em infortúnio, no seu leito de basalto e areia, e pela fada. Esta, mais lesta do que o vento, atravessou os céus em direcção ao reino do mar, cuidando que assim poderia ajudar o príncipe a vingar-se da princesa que amava e que lhe tinha roubado a felicidade.

Chegou a fada junto do Príncipe dos Mares que se debatia em grandes ondas de ódio e disse-lhe, em voz doce e convincente:

- Príncipe do Mares, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes.

Ele, cego de ciúme e de raiva, não se apercebeu do despeito que animava a fada e ordenou em tom de ódio:

- Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas castigai-o só a ele… A ela, não podeis fazer mal algum

A fada concordou e convidou-o a assistir à vingança. Tomou-o pela mão e caminharam os dois em direcção à praia, onde a princesa, com os seus cabelos dourados pelo sol poente, se encontrava, docemente inclinada sobre o príncipe enamorado.

Com a rapidez de um raio, a fada deixou a mão do Príncipe dos Mares e avançou, com um sorriso infernal e fulminante, sobre o par enamorado. O feitiço foi perfeito. De imediato, o príncipe transformou-se num grande monte, coberto de arvoredo, levantando-se com altivez, em frente ao mar. A princesa, ainda reclinada, tornou-se na mais bela cidade do atlântico.

Foi assim que apareceu o "Monte Brasil" e a encantadora cidade de "Angra do Heroísmo", ainda embalada e amada, noite e dia pelo soluçar angustiado do Atlântico, o Príncipe dos Mares, enquanto, ao lado, o Monte Brasil, permanece adormecido para sempre.

 

Fonte: WIKIPÉDIA  - LIVRE

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publicado por picodavigia2 às 17:00

AÇORIANIDADE

Sexta-feira, 28.02.14

No sentido de procurar uma definição clara e concisa do conceito de “açorianiedade”, encontrei a seguinte, numa tese de doutoramento da Universidade dos Açores, da autoria de José Manuel Dias Batista, sendo o tema da  Contributos para uma noção de açorianidade literária.

 “A açorianidade é o reconhecimento duma identidade cultural que se formou a partir das condições geográficas, meteorológicas, geológicas e históricas do arquipélago dos Açores. A açorianidade literária é a forma como os escritores açorianos representam a vivência insular nas suas obras, criando uma literatura regional com caraterísticas próprias, mas pertencente à literatura portuguesa.”

José Manuel Dias Batista, in Contributos para uma noção de açorianidade literária-

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publicado por picodavigia2 às 16:28

JUSTA HOMENGEM A COELHO DE SOUSA

Sábado, 22.02.14

Ontem, dia 21 de Fevereiro, a Assembleia Municipal e a cidade de Angra, finalmente, prestaram uma justa e devida homenagem a um dos mais ilustres terceirenses, o padre Coelho de Sousa, galardoando-o com a Medalha de Honra do Município Angrense.

Manuel Coelho de Sousa nasceu a 30 de Setembro 1924 na Vila de São Sebastião, ilha Terceira, ali falecendo a 2 de Setembro de 1995. Filho de João de Sousa Pacheco e de Maria de Melo Toste, entrou para o Seminário de Angra, em Outubro 1937 onde cursou Filosofia e Teologia, ordenando-se de presbítero em 20 de Junho 1948, precisamente no dia, em que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visitava os Açores.

Foi professor no Seminário de Angra e no Liceu da mesma cidade, jornalista e chefe de redacção de “A União.” Já em plena década de sessenta frequentou o Curso de Filologia Hispânica na Universidade de Salamanca, Espanha, após o que regressou aos Açores, sendo nomeado pároco de São Sebastião, onde permaneceu até à data do seu falecimento. Durante esse período de tempo foi director-adjunto do jornal “A União”, e mais tarde seu director.

Além de pároco, professor e jornalista, Coelho de Sousa notabilizou-se, também, como orador sacro, como poeta, dramaturgo, pintor, encenador e ensaiador, escritor e animador cultural. Da sua vasta obra literária destacam-se, na poesia Poemas de Aquém e Além (1955) e Três de Espadas (1979), e na prosa Na Rota da Emigração Amiga (1983), Migalhas (1987) e Boa Nova (1994).

Tive o Padre Coelho de Sousa como meu professor nos primeiros anos de estudo no Seminário de Angra, em duas disciplinas: Português e Desenho. Confesso que a segunda nunca me motivou, não por culpa dele mas por falta de aptidão minha. Mas como professor de Português guardo dele as mais belas lições que foram despertando em mim acelerado interesse não só pela prosa mas sobretudo pela poesia. Recordo uma aula de Português em que o tema era o soneto. Tarefa nada fácil a qualquer professor, a de ensinar o soneto a crianças. Coelho de Sousa fê-lo de forma sábia, agradável e, sobretudo, cativante. No fim da aula, Coelho de Sousa munido dos mais interessantes e conhecidos sonetos de Camões, distribuiu um por cada aluno, com a tarefa de o decorar e o declamar na aula seguinte. A mim coube Erros meus, má fortuna, amor ardente que ainda hoje declamo de cor e que mais tarde me deliciei ao ouvi-lo cantar, magnificamente, por Amália Rodrigues.

Para além de professor e de sacerdote, apreciei sempre Coelho de Sousa como um homem digno, honesto, exemplar, educado, elegante, simpático e meigo. Deliciava-me ouvi-lo declamar os seus poemas, deleitava-me com o deslumbramento da sua sensibilidade estética, adorava presenciar as suas peças de teatro levadas à cena pelos teólogos e guardo dele a mais verdadeira memória de professor amigo, sincero e nobre nas suas relações comigo.

Em boa hora, pois, foi prestada uma justa homenagem, àquele que desde há muito a merecia.

O padre Coelho de Sousa, no entanto, já havia sido homenageado pela população da freguesia que o viu nascer, crescer e que o teve como pastor, mandando edificar-lhe um busto na adro da Matriz e atribuindo-lhe o nome a uma rua na Vila S. Sebastião.

Aqui lhe presto, também, a minha simples, humilde, singela, mas sincera e grata homenagem.

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publicado por picodavigia2 às 15:41

A VILA DAS VELAS

Sexta-feira, 14.02.14

Guilherme de Morais descreveu a vila das Velas, o maior agregado populacional da ilha de São Jorge, assim: “um aglomerado de casas muito brancas subindo a encosta íngreme em jeito de pessoa cansada que parou a meio da viagem, deixando correr os olhos pelo horizonte sem fim.” Por sua vez alguns panfletos turísticos definem-na desta forma: visão peregrina e aliciante, açapada no sopé de forte morro. Vila gaiata e alegre, aconchega sobre si monumentos vistosos...”

A vila das Velas fica do lado Sul da ilha de São Jorge, no fundo de uma fajã, resultante de um escorrimento de lava proveniente das montanhas que lhe ficam a norte. Enclausurada entre a montanha e o mar, a vila das Velas torna-se bastante abrigada, resistindo às intempéries e aos ventos fortes. Esta sua posição geográfica privilegiada, terá sido, incontestavelmente, o principal motor da sua evolução e do seu crescimento. Esta vila, situada geograficamente mais ou menos a meio da ilha, possui uma posição estratégica tal que a torna ponto de intercâmbio de pessoas e bens entre as ilhas do grupo central, justamente por se encontrar no centro das mesmas. Esta posição e as condições do seu porto, também lhe permitiam que outrora fosse o porto eleito para escala dos navios das carreiras regulares entre Lisboa e as ilhas, nomeadamente, do Carvalho Araújo e, actualmente, do Santirini.

As Velas é uma vila fascinante. O seu fascínio estampa-se de modo particular na sua arquitectura e na sua posição geográfica. Além das suas igrejas, destaque para o jardim situado no centro da vila, dotado de um característico coreto e que é ponto de encontro ou de passagem obrigatória dos jovens nas quentes noites de Verão. A Igreja Matriz dedicada a São Jorge, levantada no local onde dantes existia uma primitiva igreja, também dedicada a São Jorge foi construída no seculo XVII, sendo sagrada em 1675, pelo então bispo de Angra, D. Lourenço de Castro. No entanto, sabe-se que a actual fachada já não é a primitiva. O seu interior e composto por três naves e possui, na capela-mor um retábulo que se cuida ter sido oferta de El-rei D. Sebastião. Vários vitrais contemporâneos representam a lenda de São Jorge a matar o dragão. Anexo à igreja encontra-se o Museu de Arte Sacra de São Jorge, que possui uma interessante colecção de imagens sacras, uma pintura em vidro representando São Jorge, e valiosas alfaias litúrgicas, assim como algumas esculturas, cerâmicas, móveis, fotografias e um importante arquivo histórico. Outro templo importante é a igreja de Nossa Senhora da Conceição, templo que pertenceu ao antigo Convento de São Francisco. Trata-se de uma construção do século XVII. Apresenta-se com corpo único dotado de galilé e cornijas elaboradas em lava de negra. A nave está enriquecida com talha dourada e o altar-mor é de estilo barroco.

Sob o ponto de vista paisagístico, um dos percursos mais admirados nesta região é aquele que parte das Velas na direcção direito da baía de Entre Morros, passando pelo Parque Florestal das Sete Fontes, até à Ponta dos Rosais, à Fajã da Ponta Ferrada e à Urzelina. Aos verdes matizados e frescos das pastagens, juntam-se as manchas azuis das hortênsias, os maciços de fetos, os jarros e as beladonas que cobrem as encostas. Pelo Sul, num percurso paralelo ao canal, avista-se sempre ao fundo a ilha do Pico, com o seu magnífico cone quase sempre rodeado de uma coroa de nuvens. Sucedem-se panoramas sempre diferentes, passando pelas fajãs dos Lourais, de Vimes e de São João. Na vila da Calheta, construída paralela ao mar, existe um conjunto de piscinas naturais talhadas nas rochas negras que fazem as delícias dos banhistas. O Topo, primeiro ponto de desembarque dos descobridores, é hoje uma pequena vila com um pitoresco porto de pesca e, naturalmente, um farol vermelho e branco, com um enorme ilhéu, em frente

Considerada, juntamente com as Flores, uma das ilhas mais verdes dos Açores, S. Jorge está povoada, aqui e além, de castanheiros, faias, pinheiros, eucaliptos e acácias, que se misturam com os vestígios da floresta laurissilva existente antes do povoamento. O cedro e a urze são relíquias da vegetação existente no Sul da Europa e no Norte de África há mais de 15 milhões de anos.

As fajãs resultam dos desprendimentos de terra da falésia, que se estendem até ao mar e são transformadas pelo homem em férteis campos de cultivo

Gaspar Frutuoso, o mais antigo cronista açoriano, descreveu a ilha de S. Jorge no seu livro «Saudades da Terra» observando a existência de «muito gado vacum, ovelhum e cabrum, do leite do qual se fazem muitos queijos em todo o ano, o que dizem ser os melhores de todas as ilhas dos Açores, por causa dos pastos», abundantes nas zonas de média e elevada altitude.

Quem sair da Vila das Velas e for até a costa do morro da Ponta das Eiras, fim da pequena planície onde assenta a vila, descobre uma paisagem fascinante e pode deliciar-se com a Natureza que se abre sobre o miradouro da vila. Se subir ao morro a paisagem é quase de cortar a respiração. Não só pelo precipício que do morro se abre a nossos pés mas pela vista das Velas e de grande parte da costa. Nos arredores das Velas existem, varias fajãs como é o caso da fajã da Queimada, com miradouro debruçado sobre o aglomerado de tipo citadino que é hoje a vila. Famosa também por ter sido palco de uma erupção vulcânica recente.

Sabe-se hoje que a vila das Velas foi outrora fortificada sendo a sua costa defendida por muralhas fechadas por portões, restando, actualmente, apenas o portão do cais. O porto das Velas, situado numa baía abrigada, funda e espaçosa, é um dos melhores e mais abrigados portos dos Açores.

 

NB – Dados retirados de alguns sites da Internet.

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publicado por picodavigia2 às 16:12

OS PADROEIROS DAS PARÓQUIAS AÇORIANAS

Segunda-feira, 27.01.14

Os Açores têm 156 freguesias e 164 paróquias, uma vez que, nalgumas ilhas existem paróquias que não correspondem a freguesias, assim como há freguesias que ainda não são paróquias.(1) Obviamente que cada paróquia tem a sua igreja paroquial e, consequentemente, o seu padroeiro. Algumas paróquias terão sido constituídas logo após o povoamento e, por isso, muitos dos seus padroeiros assim como os das localidades que mais tarde lhes deram origem, foram o resultado da devoção dos primeiros povoadores, de cujos santos traziam as respectivas imagens. Mas, por vezes e muito naturalmente, nalguns lugares não havia imagens. Sabe-se, por exemplo, que a primeira igreja construída no Faial, teve como padroeiro a “Santa Cruz”, precisamente porque os povoadores que ali chegaram não tinham nenhuma imagem, construindo uma cruz para colocar no altar-mor. Outros padroeiros terão surgido como resultado da aflição dos habitantes em momentos de angústia, como crises sísmicas e tempestades, (Santa Bárbara, Senhora da Agonia) ou crises agrícolas (Santo Antão e Santo Amaro) ou de ataques dos piratas (Senhora dos Milagres), etc.

São 74 os padroeiros açorianos para as 156 paróquias, pelo que muitos se repetem em várias ilhas e até dentro de cada ilha. Nossa Senhora é a mais proclamada como padroeira, sobre 36 invocações diferentes, muitas delas também repetidas, num total de 69, o que corresponde a 42% do total das paróquias açorianas.

A invocação mais repetida, nos Açores, é a de São Pedro, padroeiro em nove paróquias: S. Miguel (4), Terceira (3), Flores e Santa Maria. Segue-se Santa Bárbara com oito invocações, como padroeira, o que acontece em todas as ilhas, excepto Flores, Corvo e Graciosa, sendo esta invocação repetida na Terceira e em São Miguel. As invocações marianas mais frequentes são a Senhora da Conceição (6): S. Miguel (3), Terceira, Faial e Flores e a Senhora do Rosário (6): S. Miguel (3), São Jorge (2) e Flores. Santo António é padroeiro de 5 paróquias: S. Miguel (2), Terceira, S. Jorge e Pico, o mesmo acontecendo com São José: S. Miguel (3), Terceira e Flores e também com São Mateus: Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial. Nossa Senhora da Ajuda tem 4 invocações: S. Miguel (2), Pico e Faial, assim como a Senhora da Luz: S. Miguel (2), Graciosa e Faial e a Senhora dos Milagres: S. Miguel, Terceira, Flores e Corvo. Ainda com 4 invocações, temos a Santa Cruz: S. Miguel, Terceira, Graciosa e Pico e São Sebastião: São Miguel (2), Terceira e Pico. O Divino Espírito Santo, embora amplamente festejado e fruto de muita devoção em todas as paróquias, é padroeiro, apenas de 3: S. Miguel, Terceira e Faial. Voltando às invocações marianas, a Virgem é 3 vezes proclamada padroeira como: Senhora dos Remédios: S. Miguel (2) e Flores, Senhora da Graça: S. Miguel (2) e Faial e Senhora do Pilar: S. Miguel, Terceira e Flores. Santa Ana também tem 3 invocações: S. Miguel (2) e S. Jorge, assim como Santa Catarina de Alexandria: Terceira, S. Jorge e Faial e Santa Luzia: S. Miguel. Terceira e Pico. Curiosamente, na Terceira existem duas paróquias com o nome de Santa Luzia, sendo que o padroeiro de uma delas (Santa Luzia da Praia) é São José. A Santíssima Trindade tem 3 invocações: Pico, Faial e Flores assim como o Santíssimo Salvador: S. Miguel, Terceira e Faial. São Jorge também tem 3 invocações: S. Miguel, Terceira e, naturalmente, S. Jorge. São Roque tem 3: S. Miguel, Terceira e Pico. São muitas as invocações como padroeiros de duas paróquias, quer de Nossa Senhora, quer de Santos. Nossa Senhora da Penha de França (S. Miguel e Terceira), da Piedade (S. Miguel e Pico), das Candeias (S. Miguel e Pico), das Dores (Pico e Faial), das Neves (S. Miguel e S. Jorge), do Guadalupe (Terceira e Graciosa), do Livramento (S. Miguel e Flores) (2) e, ainda, dos Anjos, neste caso, com ambas as invocações em São Miguel. Há também várias invocações de santos, como padroeiros, simultaneamente, em duas paróquias açorianas: Santo Amaro (S. Jorge e Pico), Santo Antão (S. Jorge e Pico), São Bartolomeu (Terceira e Pico), São Brás (S. Miguel e Terceira), São Caetano (Pico e Flores), São João Baptista (Terceira e Pico), São Lázaro (S. Miguel e S. Jorge) e São Miguel Arcanjo (S. Miguel e Terceira)

São 35 as invocações Divinas, de Maria ou de Santos que não se repetem nas paróquias dos Açores. As invocações divinas, são apenas três: duas em S. Miguel: Bom Jesus Menino e Senhor Bom Jesus e, nas Flores) Santo Cristo, enquanto as marianas são bastantes mais: Senhora da Assunção, da Purificação e do Bom Despacho em Santa Maria, Senhora da Anunciação, da Apresentação, da Boa Viagem, da Estrela, da Misericórdia, da Oliveira, da Saúde, das Necessidades, do Amparo, dos Prazeres e Mãe de Deus, na ilha de São Miguel. Por sua vez na Terceira as invocações marianas não repetidas, são apenas três: Senhora da Pena, das Mercês e de Belém, no Faial, Senhora das Angústias e Senhora do Socorro e no Pico senhora da Boa Nova.

Finalmente são treze os santos invocados, singularmente, como padroeiros das ilhas açorianas: Em São Miguel: Santa Clara, São Nicolau, São Paulo, São Vicente Ferreira e Santos Reis Magos, na Terceira: Santa Beatriz, Santa Margarida, Santa Rita, São Bento e São Francisco Xavier, em São Jorge: São Tiago Menor e no Pico, Santa Maria Madalena.

 

(1)     Nos Açores existem 10 paróquias que não são freguesias: Corvo, Pico 2 (Silveira e Santa Bárbara/Santa Cruz-Ribeiras), S. Jorge 2, (Santo António e Beira): Terceira 3, (Santa Rita, St Luzia e Casa da Ribeira) e S. Miguel 2 (Atalhada e Saúde/Milagres-Arrifes). Por sua vez há duas freguesias que não são paróquias: Ribeira Seca no concelho de Vila Franca do Campo e Lomba de S. Pedro, no da Ribeira Grande.

(2)     Nas Flores, na Caveira, a invocação primitiva era “As Benditas Almas”, caso único no mundo. Esta invocação, no entanto, foi retirada e substituída pela Senhora do Livramento, durante o episcopado de D. Manuel Afonso de Carvalho, argumentando o Prelado que as “Almas do Purgatório” ainda não eram santas e que o dia da sua festividade (2 de Novembro) era inadequado a uma celebração festiva condigna.

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publicado por picodavigia2 às 15:03

A REVOLTA DOS INHAMES

Terça-feira, 21.01.14

O inhame chegou aos Açores no século XVII, protagonizando, algum tempo depois, uma das maiores e mais importantes revoltas internas açorianas, com o epicentro na ilha de São Jorge, onde cultivado junto de fontes e rochas, locais pouco propícios a outras culturas, passou, rapidamente, a ter um papel importantíssimo na alimentação e na economia jorgense. O mesmo aconteceu nas outras ilhas e, assim, a produção do inhame nos Açores despertou, de imediato, o interesse dos cobradores de impostos. Mas o povo não aceitou de bom grado o ter que pagar impostos sobre o cultivo dos inhames, com a agravante de os impostos serem, obrigatoriamente, cobrados na terra do cultivador, que assim ficava obrigado a transportá-los, sobretudo no caso de São Jorge, por veredas e rochas íngremes e inacessíveis, até ao local destinado à cobrança do imposto e a entrega aos cobradores.

Descontente, o povo, o povo daquela ilha, com apoio de algumas autoridades locais, manifestou-se revoltosamente, ficando esta rebelião conhecida pela “Revolta dos Inhames”. A sublevação, que teve lugar no largo da igreja do Norte Pequeno, e que está gravada com duas folhas de inhame no brasão da vila da Calheta, no entanto, nada trouxe de benéfico para o povo que acabou por ter que acatar, à força e contra a sua vontade, a imposição dos cobradores de impostos.

Portugal, no século XVII vivia os dissabores da guerra da Restauração, cujas despesas eram enormes e não podiam ser somente cobertas com a simples arrecadação dos impostos, até então, existentes, essencialmente centrados nos produtos de maior valor comercial, como os cereais e as carnes. Face ao aperto das finanças reais, foi preciso reforçar os mecanismos de geração de receita fiscal e taxar novas produções, alargando assim a base tributária. Estas medidas também chegaram à parcela mais ocidental do país. O inhame florescente e fortemente cultivado nos Açores e com grande peso económico das ilhas – São Jorge era o protótipo – manifestava-se como uma fonte de receita, aparentemente, proveitosa para o reino

Assim e com o nome de “dízimo das miunças e ervagens” foi criado um novo imposto sobre todas as produções de hortícolas, erva para os gados (incluindo neste caso o próprio gado) e outras pequenas produções agrícolas (daí a designação de miunças). Este dízimo, perdurou nos Açores até à implantação do regime liberal e a sua cobrança gerou profundo repúdio, tanto mais que os cobradores eram, em geral, capitalistas lisboetas que enviavam agentes às ilhas, os quais extorquiam, sem dó nem piedade, o que era devido e o mais que podiam, aos pobres habitantes das ilhas. A este descontentamento, somava-se o desfazer dos sonhos de uma vida melhor, prometida pela Restauração e, além disso, os antigos capitães-do-donatário de outrora haviam possuído, nas ilhas, grandes latifúndios, que agora estavam nas mãos da alta aristocracia de Lisboa, e reduziam a maioria dos lavradores açorianos à mísera condição de foreiros, sujeitos a pesadas rendas e impostos. Nalgumas freguesias de São Jorge, os poucos terrenos disponíveis para os seus naturais cultivarem eram apenas as rochas e as fajãs onde floresciam os inhames.

Tudo isto fez com que o descontentamento da população aumentasse e se criassem condições propícias para eclodirem vários movimentos de contestação.

A Revolta dos Inhames despoletou em 1694, quando foi solicitado o pagamento coercivo da dízimo, com a agravante de que deveriam ser os agricultores a proceder ao transporte dos inhames desde os campos até ao local de recolha. O descontentamento foi geral, sobretudo em São Jorge. Carregar às costas inhames, desde as Fajãs até ao povoado, ou arriscar a vida a transportar inhames ao longo de falésias, por carreiros mais adequados a cabras do que a pessoas, para depois os entregar como dízimo parecia desumano. Tanto mais que o dízimo do trigo era cobrado na eira, o do milho era cobrado ao portal da terra e o do vinho à bica do lagar. Pretendiam os revoltosos, sobretudo, que se cobrasse o imposto no local de cultivo e não tivessem que subir as encostas íngremes e abruptas com os inhames às costas, destinados aos cobradores. Para São Jorge foram enviados militares da Terceira sendo muitos habitantes da ilha sujeitos a interrogatórios, havendo também muitas prisões. Foi levado a cabo um rigoroso inquérito aos incidentes ocorridos, o qual culpabilizou os amotinados e ainda as autoridades da Calheta que os tinham apoiado e defendido. Igualmente foram julgados culpados os juízes e vereadores da Câmara da Calheta, que no entanto fugiram, escapulindo à prisão. No entanto, procedeu-se ao arresto dos seus bens e haveres, a fim de pagar os dízimos em atraso e os juros que eram acrescidas, as soldadas e demais despesas do corregedor, dos soldados, dos juízes, incluindo as viagens e a alimentação.

Muitos dos culpados ficaram, definitivamente, arruinados, tendo de vender tudo o que possuíam para pagar as quantias em que foram condenados. Outros foram conduzidos sob prisão ao Castelo de São João Baptista, à cadeia de Angra e ainda à cadeia da Horta. Sabe-se que muitos por lá morreram de doença, fome e desgosto. É verdade que a revolta dos inhames foi um ponto alto na vida comunitária da população de São Jorge e de união e luta das suas gentes, em prol dos seus interesses, mas muitos dos seus habitantes foram injustiçados e a ilha ficou mais pobre, porquanto muitos moradores arruinados pelas quantias a pagar mergulharam numa enorme miséria, que os forçou a sair da ilha e a emigrar para o Brasil e, mais tarde, para a América.

Curiosamente noutras ilhas tudo foi mais calmo, como no caso do Corvo e Flores, em que os habitantes, ardilosamente, construíram grutas e aproveitaram outras naturais, para esconder os inhames e fugir, assim, aos malditos impostos e à sádica ganância dos cobradores.

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publicado por picodavigia2 às 22:45

A LENDA DA ATLÂNTIDA

Terça-feira, 14.01.14

Conta uma lenda que há muito tempo, no local onde actualmente se situam as ilhas açorianas, terá existido um grande continente, chamado Atlântida. Situava-se no meio de um grande oceano que, por isso mesmo, se chamou Atlântico.

Segundo a lenda, a Atlântida era uma espécie de paraíso, onde existiam belas e exóticas paisagens, tinha um clima suave e bonançoso, e era povoada de florestas de árvores gigantescas e frondosas, intercaladas com extensas e férteis planícies. Os animais eram dóceis mas fortes, mas nem havia animais ferozes. A Atlântida possuía grandes e bonitas cidades, mas os pequenos e humildes povoados também eram belos e atractivos. Os seus habitantes chamavam-se atlantes, eram sábios, inteligentes, sóbrios, bondosos e senhores de uma civilização muito avançada. Nas cidades mais importantes da Atlântida havia grandes e sumptuosos palácios e belos e magníficos templos, uns e outros cobertos de marfim e ornamentados com ouro e outros metais preciosos. Em todas as cidades havia belos jardins, bonitas praças, fontanários, ginásios, estádios, estradas, aquedutos e pontes. Tudo isto estava à disposição de toda a população. A Atlântida era um continente próspero, rico e abundante. Tudo isto fazia com que entre os atlantes, para além de viverem felizes, prosperassem nas artes e nas ciências. Eram muitos os artistas, os músicos, os escritores, os profetas e os sábios.

Mas os atlantes não podiam viver completamente tranquilos, pois não estavam sozinhos no mundo. Ao seu lado e para lá das portas de Hércules, no Mediterrâneo, viviam outros povos que invejavam a sua paz, a sua tranquilidade e, sobretudo, a sua riqueza. Por isso apesar de prezarem a paz, os atlantes nunca deixaram de praticar as artes da guerra, apenas com a intenção de se defenderem, já que vários povos, movidos pela inveja, cobiçando a sua riqueza, tentavam conquistar a Atlântida. Mas as vitórias obtidas contra os invasores foram tão grandiosas que, infelizmente, despertaram o orgulho, a cobiça, o ódio, a ambição e a vontade de passarem eles próprios ao contra ataque. Assim, os atlantes, já não lutavam para se defenderem mas sim para conquistar outras terras, aumentar o seu império. E o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas do Mediterrâneo, uma grande parte da Europa Atlântica e o Norte de África. Os seus corações até ali puros e sem mácula foram endurecendo como as suas armas. Enquanto perdiam a inocência, nascia, entre eles, o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses e para com os outros povos, seus semelhantes. Posídon, o maior de entre todos os deuses, convocou então os outros deuses para julgar os atlantes, tendo decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência a Atlântida foi assolada por terríveis catástrofes e enormes calamidades e cataclismos.

As terras da Atlântida tremeram violentamente, o dia transformou-se noite, e de seguida emergiu do seio da Terra um fogo terrível que queimou florestas, arrasou os campos cultivados e destrui casas, palácios, templos e outros edifícios. O mar inundou a terra com ondas gigantes, engolindo pequenos povoados e grandes cidades. Em pouco tempo a Atlântida desaparecia para sempre. No entanto, as suas grandes e altas montanhas não foram completamente cobertas pelas águas. Os altos cumes ficaram acima da superfície do mar, dando origem, às nove ilhas dos Açores.

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publicado por picodavigia2 às 13:42

VENDAVAIS E CICLONES DE OUTUBRO

Quinta-feira, 09.01.14

As ilhas açorianas foram mais uma vez, durante este mês de Outubro, assoladas por vendavais, tempestades e ciclones, com destaque para o que afectou algumas delas, no passado dia quatro –  o Nadine. Embora prevista, a sua passagem, sobretudo pelas ilhas do grupo central, deixou algumas marcas destruidoras e o temporal que provocou, assustou de sobremaneira, durante a noite de três para quatro, muitos dos moradores daquelas ilhas, nomeadamente na parte Sul do Pico. Não satisfeito com os estragos e prejuízos da sua primeira passagem, o famigerado Nadine, havia de ameaçar as ilhas, com uma segunda passagem, embora menos aterrorizante e mais restrita.

Acontece, porém, que a história dos Açores está repleta de referências a tempestades e vendavais deste género, desde os mais remotos tempos do seu povoamento, conforme refere Gaspar Frutuoso, em Saudades da Terra, onde enumera várias catástrofes naturais, relacionadas com o estado do tempo, acontecidas entre os séculos XV e XVIII. Às mesmas ou a outras intempéries faz referência António Cordeiro na Historia Insulana. Por isso mesmo vendavais, tempestades, furacões e ciclones não são e nunca foram novidade nos Açores. Ainda em anos recentes, haviam chegado outros, alguns deles também deixando pesadas marcas nalgumas ilhas, como o Charley, o Tânia, o Bonnie e o Gordon, este de tal maneira e com tal exagero anunciado que, durante a sua passagem muitas pessoas se fecharam em casa, outras pregaram as portas e as janelas e algumas até sofreram ataques de pânico prematuros.

Mas o maior ciclone de que há memória nos Açores, verificou-se no dia 4 de Outubro de 1946, por curiosidade, precisamente sessenta e seis anos antes da passagem da actual passagem do Nadine, acontecida no passado dia quatro. Tratou-se de um ciclone de grande força e intensidade e que assolou, de forma muito particular, a parte Sul da ilha do Pico. Na freguesia de São Caetano fez-se sentir com uma intensidade medonha, uma força aterradora, uma extraordinária violência. Ainda hoje, pessoas existem naquela freguesia picoense que lembram, com respeito e temor, aquela hecatombe que, embora não tendo provocado mortes, os prejuízos materiais foram enormes e de tal ordem que, inclusivamente, forçaram uma alteração significativa no desenho geográfico da freguesia. Muitas casas ficaram danificadas, as adegas, na altura localizadas na orla marítima, numa faixa compreendida entre o Porto e o lugar dos Coxos, foram totalmente destruídas, assim como a casa dos botes e outras ramadas de guardar barcos que ali também se localizavam. Essa a razão por que na sua reconstrução, a maioria das adegas foram edificadas bem mais longe do mar. Conta-se ainda que três mulheres que por ali transitavam teriam sido salvas como que milagrosamente. Noutras localidades da ilha do Pico, nomeadamente em São Mateus e nas Lajes, assim em muitas ilhas do arquipélago, os estragos também se fizeram sentir, havendo notícia de que o grande hangar do Aeroporto de Santa Maria, aberto a voos, dois anos antes, foi parcialmente destruído. Sabe-se também que se afundaram alguns batelões e lanchas de pesca e que terão encalhado alguns iates, sendo que o mar, nos dias seguintes, surgiu repleto de destroços das embarcações naufragadas.

Crê-se que os Açores, nos últimos cem anos, em que já existem registos fiáveis de tais catástrofes, tenham sido assolados pela passagem de cerca de trinta e três ciclones ou  tempestades tropicais, sendo algumas de enorme violência, provocando graves prejuízos, sem, no entanto, nunca haver referências a mortes.

Se a estas intempéries acrescentarmos as crises sísmicas, as pestes e os anos de seca prolongada, entende-se melhor a força gigantesca deste povo que, pese embora seja permanentemente fustigado por tão frequentes e desoladoras atrocidades da natureza, conseguiu sobreviver, defendendo, reconstruindo e recuperando os seus bens, os seus haveres e sobretudo o seu património arquitectónico.

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publicado por picodavigia2 às 20:38

MÚSICA E RECORDAÇÕES DO NATAL

Quinta-feira, 26.12.13

A RTP Açores, no programa Atlântida, com emissão também na RTP-Internacional e RTP-Madeira, apresentou, a partir da freguesia da Piedade, na ilha do Pico, no passado dia 24 de Dezembro, uma excelente reportagem na qual, por um lado divulgou não apenas o percurso histórico mas sobretudo a música, mais concretamente a que inclui temas natalícios, do Grupo Coral das Lajes do Pico e ainda testemunhos e referências sobre a maneira como era e ainda é celebrado o Natal naquela ilha açoriana.

Embora tendo sido informado, com alguma antecedência, do referido programa, inexplicavelmente, não o pude ver ou ouvir em directo. Primeiro porque a RTP Açores, não entendo bem porquê, não faz parte do conjunto de canais que, no território continental, estão disponíveis na TV Cabo, onde aliás prolifera uma infinidade variadíssima de ofertas de outros canais, uns abertos outros a subscrever, alguns, diga-se em abono de verdade, de reduzido interesse. Por sua vez, a RTP Açores e a RTP Madeira, assim como a RTP Internacional, estão interditas a quantos açorianos e madeirenses, que, residentes no continente e subscritores da TV Cabo, queiram deliciar-se com programas das televisões insulares e actualizar-se com notícias da sua terra. Em segundo lugar, cuidei que podia ver o programa via internet, uma vez que a RTP Açores, no seu site, havia informado de que, a partir daquela data, iria transmitir em directo, via internet, todos os seus programas produzidos nos Açores. Porém, na hora da verdade, esse acesso estava bloqueado, sendo-me, por conseguinte, impossível de todo ver o programa em directo. Felizmente, que o mesmo foi gravado, estando, por isso, actualmente disponível no site da RTP Açores. Assim, só ontem o pude ver, enquanto na véspera de Natal me limitei a ouvir as canções de Natal daquele Grupo, uma vez que o seu maestro me obsequiara com o respectivo CD, recentemente gravado.

Este prolongado atraso, porém, teve as suas vantagens, pois aguçou ainda mais a vontade e o interesse pelo referido programa. É que, entre um e outro espaço de tempo, foi-me possível realizar mais uma das minhas frequentes visitas ao “Alto dos Cedros”, blogue da autoria do Emílio Porto, o maestro do Grupo Coral das Lajes do Pico e principal interveniente no programa Atlântida de 24 de Dezembro, onde pude ler que naquele: “…programa televisivo não houve, nem comédia, nem tragédia. Houve a representação, alusiva ao presépio, pelas crianças da freguesia, houve a poesia de Dias de Melo, dita por quem sabe, houve os testemunhos dos usos e costumes natalícios, e houve a música coral. (…) O programa “Atlântida” do Natal de 2011 deu-nos a lembrança, fugaz embora, da década de 50/60 do Seminário de Angra. Por isso, e sobretudo por isso, o programa, gravado na Ponta da Ilha foi, não só cultural mas também de sabor pastoral. Apesar de ter sido feito pela laicidade de hoje, acabou por ser um reflexo dos movimentos culturais da Angra eclesiástica do século passado.”

Tudo isto açudou-me a vontade e acelerou-me a curiosidade. É com emoção, deslumbramento e muito agrado que se vê, se ouve e se observa o programa que a RTP Açores, em boa hora, apresentou sobre o Grupo Coral das Lajes do Pico, um programa que “(…) abraçou toda a gente. Dos Açores, do Canadá e das Américas. Foi até aos lugares onde há gente das ilhas.” Transmitido a partir da nova sede da Filarmónica da freguesia da Piedade, o Atlântida fez ecoar pelas ilhas açorianas a música natalícia, agora também divulgada num novo CD gravado por aquele grupo e recordar o “Natal de antigamente” nas ilhas açorianas, mais concretamente no Pico.

Na verdade o programa apresentado pela RTP Açores na véspera de Natal constitui um inesquecível momento de beleza, de emoção e de sublimidade, sobretudo para quem aprecia música de qualidade, nomeadamente a referente à época natalícia e para quantos se envolvem, se não no espaço e no tempo, pelo menos na memória das mais belas tradições natalícias das ilhas onde passaram a sua infância ou onde viveram alguns anos da sua vida.

Texto publicado no Pico da Vigia, Dezembro de 2012

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publicado por picodavigia2 às 18:27

TRILHOS PEDESTRES AÇORIANOS

Terça-feira, 10.12.13

Segundo o Jornal “Açoriano Oriental”, (edição de 14 de Novembro pp) os Açores têm actualmente mais de 60 trilhos pedestres devidamente homologados, estendendo-se por mais de 500 quilómetros de caminhos ou veredas, no conjunto das nove ilhas do arquipélago. Estes números são fornecidos pela Equipa de Coordenação e Manutenção da Rede Regional de Trilhos Pedestres. Trata-se duma equipa resultante da contratação de 20 pessoas que, em permanência, passarão a assegurar a manutenção e identificação dos trilhos já homologados, prevendo-se, também, a criação de outros.

Segundo aquela Equipa, nos Açores, acrescenta o mesmo jornal, existem apenas, neste momento, trilhos pedestres de "pequenas rotas", ou seja, com menos de 30 quilómetros. No entanto, as autoridades açorianas contam "abrir num futuro próximo" grandes rotas, assim como trilhos urbanos, tendo sido avançado o exemplo da cidade de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Dos turistas que visitam os Açores, cerca de 60% a 70% praticam pedestrianismo, segundo dados dos inquéritos feitos em postos de turismo da Região, revelou o director regional do Turismo, João Bettencourt, acrescentando que também os residentes no arquipélago praticam cada vez mais este tipo de actividades.

O secretário regional com a pasta do Turismo, Vítor Fraga, declarou ao mesmo jornal que os percursos pedestres têm "um papel determinante" e são "um produto âncora" na oferta turística dos Açores, inscrevendo-se este reforço de meios humanos destinados aos trilhos numa aposta do executivo que visa "o incremento contínuo e sustentado da qualidade dos produtos turísticos" regionais.

Segundo Vítor Fraga, a Rede de Percursos Pedestres Classificados dos Açores é já "devida e regularmente" verificada, "através da revitalização de sinalética, vistorias, acções de limpeza e manutenção".

Acrescente-se que destes 60 trilhos açorianos, treze pertencem à ilha do Pico e são os seguintes: Caminhos de Santa Luzia, Caminho dos Burros: vertente Norte, Ponta da Ilha, Vinhas da Criação Velha, Caminho das Voltas, Mistérios do sul do Pico, Nove Canadas da Ribeirinha, Quintas e Ribeiras, Ladeira dos Moinhos, Prainha do Norte, Santana – Lajido, Calheta do Nesquim e Lagoa do Capitão

Na freguesia de São Caetano, na mesma ilha, já estão delineados três trilhos aina não homologados pela Equipa de Coordenação e Manutenção da Rede Regional de Trilhos Pedestres. Estes trilhos são os seguintes:

Trilho da Canada de são Caetano – Trilho antigo que tem início junto à Prainha do Galeão, subindo pela encosta escarpada, sob a forma duma escadaria, até à rua de São Caetano. Era este trilho que outrora servia de percurso entre o porto de pesca e os lugares do Caminho de Cima e da Terra do Pão. Era, essencialmente, utilizado por baleeiros e pescadores destes dois lugares. Devido à existência de um poço de Maré, junto ao porto da Prainha, muitas mulheres também utilizavam este trilho nas idas e vindas para lavar a roupa ou tirar e transportar água daquele poço.

Trilho da Canada da Ribeira da Prainha – Trilho antigo que fazia a ligação entre o porto e zona da Prainha do Galeão e a parte central da freguesia. Aquando da construção da Igreja Paroquial, com inicio em 1876 por iniciativa de Manuel Silveira de Melo, homens e mulheres transportavam, às costas e cabeça, subindo este trilho, grande parte da pedra usada na construção da igreja, assim como a madeira de um barco carregado de trigo, vindo de Vincenza, Itália, naufragado na zona da Pontinha, facto que foi considerado um milagre de São Caetano, santo padroeiro da localidade e natural daquela cidade. Este trilho também foi usado por pescadores e baleeiros da freguesia, neste caso dos residentes na Prainha.

Trilho das Fontes – situado no antigo caminho que ligava a freguesia às pastagens dos Matos. Trata-se de um espaço onde existiam várias nascentes de água fresca e pura e onde os pastores paravam para descansar e saciar a sede. Era pois ponto de encontro entre pastores que, regressando dos matos ali paravam. O Trilho actual inicia-se com a subida da antiga Canada do Brejo até às Fontes e desce pelo antigo caminho do Mato numa zona, em parte, muito íngreme,

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publicado por picodavigia2 às 09:19

AÇORES (II)

Segunda-feira, 09.12.13

Outrora divididos em três distritos, os Açores constituem, hoje, uma Região Autónoma, ou seja, uma parcela de território da República Portuguesa dotado de autonomia política e administrativa, consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Além disso são um arquipélago transcontinental e integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União.

Embora com apenas meia dúzia de séculos de presença humana continuada, a história açoriana é rica e ocupa lugar de relevo e de importância na História de Portugal, constituindo as ilhas açorianas locais privilegiados na navegação do Atlântico Norte. A quando da crise de sucessão de 1580, que originou a perda da independência nacional e os sessenta anos de governo filipino e também, durante as lutas liberais, os Açores constituíram-se em baluartes de resistência, e durante as Guerras Mundiais serviram de apoio estratégico vital para as forças Aliadas.

Descobertas em meados do século XIV, talvez aquando do regresso de expedições às ilhas Canárias, realizadas no reinado de Afonso IV, o seu povoamento, ter-se-á verificado quase cem anos mais tarde, uma vez que Gonçalo Velho Cabral chegou a Santa Maria, em 1431, decorrendo, nos anos seguintes, o povoamento das várias ilhas, com excepção das Flores e Corvo, que só tiveram o seu povoamento definitivo, no início do século XVI. Os primeiros povoadores eram, na sua maioria, oriundos do Algarve, do Alentejo e do Minho, tendo-se registado, em seguida, o ingresso de flamengos, bretões e outros europeus. Uma das suas primeiras preocupações foi a de construir fortificações destinadas a defender-se dos ataques piratas, seduzidos pelas riquezas insulares e motivados pela falta de protecção das suas gentes.

Inicialmente a administração das ilhas açorianas era feita através de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário, nomeado pelo rei ou por quem o substituía na posse das ilhas. Por sua vez a administração e assistência espiritual ficou subordinada à Ordem de Cristo, exercida pelo vigário “nullius” do Convento de Tomar, até à criação da Diocese do Funchal, em 1514 e da qual os Açores fizeram parte até 1563, ano em que o papa Clemente VI, com a bula “Aequum reputamos” criou a diocese de Angra, nomeando como seu primeiro bispo D. Agostinho Ribeiro.

A tarefa inicial dos colonos foi árdua e difícil, pois tiveram que desbravar encostas, desbastar arvoredos, aplanar montes, juntar pedregulhos e criar maroiços, abrir veredas e construir pontes para poderem cultivar as terras. O cultivo dos cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes, com o trigo a registar uma produção considerável. A produção de pastel e a sua industrialização para exportação destinada a tinturaria também desempenhou um papel relevante na economia das ilhas. Mas no século XVII, estas as matérias-primas tintureiras sofreram uma recessão, sendo substituídas pelo linho, pelas árvores de fruto e, sobretudo, pelo milho, passando este a ter um papel importante na alimentação dos ilhéus. Simultaneamente dá-se um grande desenvolvimento da pecuária. No século seguinte é introduzida nas ilhas a batata branca e inicia-se uma das mais expressivas e emblemáticas actividades económicas açorianas: a caça à baleia.

No século XVIII, a população açoriana aumentou, começando a verificar-se a emigração para o Brasil e, um século depois, para os Estados Unidos da América.

É de se notar que os açorianos sempre almejaram conquistar uma maior autonomia política e administrativa, o que, durante séculos, foi negado, dando ensejo a alguns movimentos em favor da emancipação do arquipélago. Só após o 25 de Abril a Constituição Portuguesa de 1976 consagrou e deu estatuto às regiões autónomas, passando os Açores, assim como a Madeira, a ter um estatuto político-administrativo especial, segundo o qual podem legislar em todas as matérias que não sejam da reserva dos órgãos de soberania e que constem do elenco de competências contido nos seus Estatutos Político-Administrativos. Os órgãos de governo são: a Assembleia Legislativa e o Governo Regional. A primeira é eleita por sufrágio universal directo e tem poderes fundamentalmente legislativos, além de fiscalizar os actos do Governo Regional. O presidente do Governo Regional é nomeado pelo Representante da República, que para tal considera os resultados eleitorais, e é o responsável pela organização interna do órgão e por propor os seus elementos.

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publicado por picodavigia2 às 10:22

AÇORES AS 9 MARAVILHAS DO MUNDO

Quinta-feira, 05.12.13

Foi colocado, no dia 7 de Abril, no “You tube”.pelo canal “AndCura” um vídeo de excelente qualidade sobre as ilhas açorianas, com o título “Açores – As 9 Maravilhas do Mundo. Trata-se de trabalho muito interessante, com imagens de rara beleza e com a locução de um dos maiores actores portugueses de sempre, Ruy de Carvalho.

No vídeo podem observar-se imagens de todas as ilhas, das vilas e cidades mais importantes e ainda dos ilhéus das Formigas. Embora colocado apenas há seis meses o vídeo já conta com 3.369 visualizações.

Curiosamente e porque a ordem de apresentação das ilhas se inicia nas Flores, passando por Corvo, Faial, Pico, S. Jorge, Graciosa, Terceira, Santa Maria, Formigas e São Miguel, as primeiras imagens apresentadas no vídeo são precisamente da Fajã Grande, vista do mar, ou seja do ponto mais ocidental da Europa.

O vídeo pode ser observado no “You Tube” ou no próprio canal “AndCura”, nos seguintes endereços:

No You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=xSt5eGP4ofU

No AndCura:

http://www.youtube.com/user/AndCura#p/u/1/xSt5eGP4ofU

 

Este texto foi publicado no Pico da Vigia em 23/10/11

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publicado por picodavigia2 às 11:03

GANHOA

Segunda-feira, 02.12.13

Ganhoa é uma palavra típica e exclusivamente açoriana. Trata-se do nome com que, popularmente, se designa uma espécie de gaivota muito comum em todas as ilhas do arquipélago. Trata-se da Gaivota-de-patas-amarelas ou Ganhoa, uma das aves marinhas mais fáceis de identificar. De facto, não há outra que nidifique nos Açores que com ela se possa confundir. Os adultos são brancos com excepção do dorso e das asas que são cinzento-claro e das pontas das asas que têm manchas pretas. As aves adultas têm as patas amarelas e um anel orbital de cor laranja escura e em alguns indivíduos quase vermelha. O bico também é amarelo e possui uma pequena mancha vermelha na ponta da mandíbula inferior que se estende ainda claramente à mandíbula superior. No inverno, os adultos adquirem uma plumagem acastanhada na cabeça. Nos juvenis, a plumagem varia ao longo dos três primeiros anos permitindo assim identificar a idade. Os juvenis do primeiro inverno são acastanhados e têm o bico preto e as patas e tarsos cor-de-rosa seco e, ao contrário dos adultos, apresentam uma faixa preta na extremidade da cauda.

A Ganhoa nidifica e tem o seu habitat em todas as ilhas dos Açores, onde existem mais de 4200 casais, distribuídos por 32 diferentes colónias. O número de Ganhoas açorianas já foi avaliado por duas vezes, em 1984 e em 2004, tendo-se verificado um aumento de quase 60% no número de casais reprodutores durante esse período. Sabe-se que a colónia da Lagoa do Fogo na ilha de São Miguel é a única que se situa no interior de uma ilha, estando todas as outras localizadas em falésias, zonas costeiras ou ilhéus. As maiores colónias localizam-se na Lagoa do Fogo e nos ilhéus do Topo, na ilha de São Jorge e das Cabras, na ilha Terceira. Estudos recentes, realizados pela professora da Universidade dos Açores, Verónica Neves, indicam que as Gaivotas estão a estender a sua distribuição nos Açores e nos últimos anos a espécie foi também observada a nidificar nos ilhéus da Vila, em Santa Maria, das Contendas, na ilha Terceira e no de Vila Franca do Campo, em São Miguel.

 Estas aves podem ser observadas nas principais colónias de nidificação ao longo de todo o ano. Começam a construir o ninho em Abril e as posturas de dois a três ovos, castanhos e com manchas escuras, ocorrem entre meados deste mês e meados de Maio. As primeiras crias eclodem no início de Maio e tornam-se voadoras a partir de finais de Junho, inícios de Julho.

 A Ganhoa é uma espécie oportunista e sinantrópica, estando bastante associada ao homem e beneficiando do alimento abundante disponível em lixeiras. Nos regurgitos produzidos pelas Gaivotas é possível encontrar um pouco de tudo, papel, vidro, plástico, etiquetas plásticas de marcar frangos, beatas de cigarro, etc. Na colónia dos Capelinhos na ilha do Faial, um adulto chegou mesmo a regurgitar cogumelos e milho quando estava a ser anilhado. É nas ilhas de maior densidade populacional como São Miguel e Terceira que a proporção de lixo na dieta das Gaivotas é maior. Mas, para além da forte associação aos detritos humanos, as Gaivotas também caçam e pescam muito bem. A sua dieta inclui Pombo-da-rocha, Canários e outros pequenos pássaros, incluindo as crias das Cagarras. Embora raros, os casos de canibalismo também ocorrem e algumas Ganhoas adultas podem matar e ingerir crias de ninhos vizinhos. As Ganhoas seguem com frequência barcos de pesca e é provável que muitos dos peixes de que se alimentam sejam obtidos dos desperdícios e do engodo lançados ao mar pelos pescadores. Mas também são capazes de capturar peixes e mesmo caranguejos e outros crustáceos.

A Ganhoa é, segundo Verónica Neves, a única ave marinha residente no arquipélago ao longo de todo o ano, todas as outras realizam migrações, afastando-se mais ou menos dos seus locais de nidificação. É uma espécie bastante cosmopolita e não possui ameaças graves nos Açores. Pelo contrário, constitui ela própria uma ameaça para outras espécies de aves marinhas, nomeadamente, para as mais pequenas e sensíveis como os Painhos e Garajaus, pois alimentam-se de Painhos adultos e de ovos e crias de Garajau e competem com os Garajaus por locais de nidificação.

 

Dados retirados de: Neves V. C., Population status and diet of the Yellow-legged Gull in the Azores.

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publicado por picodavigia2 às 19:28

EDIFÍCIOS RELIGIOSOS AÇORIANOS NECESSITAM DE RESTAURO

Sábado, 30.11.13

Segundo o jornal Público e alguns meios de comunicação social açorianos, cerca de 50 edifícios religiosos, dos quais 29 são igrejas paroquiais e 21 ermidas, pertencentes à Diocese de Angra, registam problemas graves de manutenção, ao nível da sua estrutura construtiva, sendo que dez dos mesmos necessitam de uma intervenção profunda nos altares e retábulos.

Nos Açores ou, mais concretamente, na Diocese de Angra, existem 172 paróquias, muitas delas com curatos anexos, possuindo tanto aquelas como estes, a sua própria igreja, num total de 217 edifícios. Por sua vez, em todas as paróquias existem pequenas ermidas, num total de 290, a que se acrescentam 32 conventos e 10 capelas, perfazendo o total de 549 imóveis religiosos inventariados, embora a Diocese, pelos vistos e actualmente, só disponha de informação sistematizada sobre 58 igrejas e 30 ermidas. Deste registo não constam, obviamente as centenas de capelas do Espírito Santo que, por pertencerem a cada Irmandade, não fazem parte do património diocesano.

Em Abril do ano em curso foi iniciado um levantamento da situação em que se encontram estes imóveis, inserido no programa nacional de actualização da base de dados sobre o património móvel e imóvel da Igreja Católica.

O Sistema de Informação para o Património Arquitectónico já inventariou 542 imóveis no arquipélago dos Açores, na sua maioria igrejas e capelas. Este levantamento do património arquitectónico religioso dos Açores, iniciado em Abril, segundo João Paulo Constância, membro da Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja “tem procurado completar o acervo que já estava sinalizado ou que se inventariou de novo, quer em termos de informação histórica quer em termos de informação fotográfica”.

A Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja pretende desenvolver todos os esforços necessários para inventariar, salvaguardar e valorizar todo o património diocesano e proceder à elaboração de futuros roteiros que sirvam de guias turísticos a quem visita o arquipélago.

Estes parecem ser os primeiros dados obtidos a partir dos inquéritos enviados às paróquias do arquipélago dos Açores pela Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja, cujo objectivo é avaliar, embora de de forma genérica o estado de conservação do património cultural das igrejas da Diocese de Angra e identificar casos com necessidade de intervenção urgente.

Recorde-se que no que respeita ao património móvel, também já devidamente inventariado, existem na diocese 185 esculturas, 28 pinturas, 110 peças de ourivesaria e 177 de paramentaria e têxteis a necessitarem de um rápido restauro. Há também nove arquivos e cinco bibliotecas, pertencentes à Diocese, cujos acervos necessitam de restauro, registando-se igualmente 21 igrejas sem condições para acondicionamento quer do arquivo quer de biblioteca. Impõe-se pois à Diocese e aos poderes políticos locais o oneroso desafio de se encontrarem soluções para resolver os problemas mais prementes e ajudar na concertação de posições que possam reunir os apoios necessários, quer a nível governamental quer do mecenato, para a recuperação deste valiosíssimo património. Recorde-se que muitos destes edifícios são classificados como “monumentos nacionais”.

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publicado por picodavigia2 às 20:20

AÇORES DE BRUMA

Quarta-feira, 27.11.13

Vistas lá bem do alto, as ilhas açorianas parecem pedaços de um continente desfeito, mas a abarrotar de cheiro a basalto negro e perfume a madressilva, migalhas sobrantes de um ciclone aniquilado pelo silêncio desesperante das madrugadas cinzentas, pegadas verdes de um gigante lávico a chafurdar num oceano atulhado de brumas e gaivotas, cacos perdidos, aqui e acolá, de um enorme jarrão quebrado, mas colorido e a transbordar de sonhos, de saudade e de um medonho sentimento de cumplicidade recíproca.

Mas as ilhas, apesar de possuírem uma diversidade inexaurível e uma beleza ímpar, excedem-se numa singularidade específica e numa especificidade singular. É que todas são feitas de lava adormecida, todas permanecem embrulhadas numa adocicada e atraente maresia, todas escolheram o verde como estandarte da sua pureza original e todas decidiram, desde os tempos primitivos, ornar-se de brumas e caligens e assim permanecerem até hoje. Todas teimaram em dançar a Chamarrita e cantar o Samacaio e todas, mas mesmo todas, inventaram a sublimidade inequívoca da saudade e o desejo destemido da aventura. Todas construíram casas de basalto negro e todas edificaram moinhos nas suas ribeiras ou no cimo dos seus montes, todas malharam o trigo em eiras e mediram o milho com rasoiras. Todas edificaram maroiços, construíram portos e varadouros, encheram os seus matos de hortênsias floridas, plantaram maravilhosas lagoas no seu interior e transformaram as madeiras das suas florestas nos mais belos botes de baleia. Todas acreditaram, tanto ontem como hoje na grandeza profunda do oceano imenso que as rodeia, todas se atiraram e agarraram ao mar como se ele fosse só seu e todas entenderam e sempre souberam que foi do seio da terra que nasceram e todas se cobriram de espuma e de respingos de maresia e nenhuma se esqueceu nunca que foi o mar que as embalou e que é dele que se recolhem as esperanças e se desbrava a aventura e que é na terra que se plantam os destinos, da terra que se recolhem as flores e os cardos.

Mas se iguais, também todas são diferentes. Umas açambarcaram e escolheram para si as maiores e mais belas cidades, enquanto outras se satisfizeram com a pequenez e simplicidade de uma vila ou meia dúzia de povoadas. Umas construíram estradas de sonho, ornadas de jasmins e safiras, outras rasgaram campos construindo canadas de abrunhos e silvados, atrofiadas e desfeitas pelo tempo. Umas pavonearam-se altivas e sonhadoras, outras reduziram-se ao perene silêncio das manhãs enevoadas. Umas povoaram-se de projectos imponentes e megalómanos, outras reduziram-se à simplicidade da sua pureza original. Umas adocicaram o sabor transcendente dos seus frutos, enquanto outras azedaram com o salpico do mar e transformaram em mosto o perfume adocicado das suas flores. Umas afinaram as suas violas e guitarras pelo canto madrugador dos pássaros, outras apenas e somente enriqueceram o seu simples cantar com o silêncio estupefaciente dos seus morros e penhascos, mas todas são e continuarão a ser sempre “as ilhas de bruma onde até as gaivotas vem beijar o chão”.  

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publicado por picodavigia2 às 22:49





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