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LOUSADA FESTEJOU AS CAMÉLAS

Terça-feira, 21.02.17

No passado fim-de-semana (17, 18 e 19 de fevereiro) decorreu na vila de Lousada um Festival Internacional das Camélias de Lousada sob o tema As camélias, a história e o património são essenciais para o desenvolvimento do turismo, através da criação de produtos transversais às diversas áreas.

O certame que conta já com oito edições Festival de Camélias decorreu no coração daquela vila duriense, num dos seus espaços mais emblemáticos, o jardim do Senhor dos Aflitos. Num espaço adequado e preparado para tal foram colocadas cerca de dezena e meia de mesas, com produtores nacionais e estrangeiros. Entre o conjunto de expositores destaque muito especial para o Parque Terra Nostra, das Furnas, São Miguel, um jardim centenário criado há mais de 200 anos por Thomas Hickling, um comerciante abastado de Boston que se apaixonou pela Ilha de São Miguel e, mais concretamente, pelas Furnas.

O festival teve com objetivo a exposição e o concurso das várias espécies de camélias, no mercado de camélias, mas contou com outras atividade alusivas a esta flor, nomeadamente desfiles de moda, provas de produtos locais com esta temática e sabor, e visita guiada pelos jardins de camélias do concelho, o que atraiu a uma das mais belas vilas durienses muitos visitantes. No sábado, dia 18 houve Mercado das Camélias e entrega dos prémios do Concurso. Na tarde desse dia decorreu teve lugar ainda um workshop intitulado “A paixão pelo cultivo das Camélias”, sob a orientação de Carina Amaral Costa, representante do Parque Terra Nostra. À noite foi servido um chá de camélias, acompanhado com prova de produtos de Lousada.

No domingo, dia 19, em autocarros disponibilizados pela edilidade local realizou-se Passeio pelos Jardins de Camélias do concelho, no participaram várias dezenas de pessoas. O périplo iniciou-se, precisamente, no Jardim do Senhor dos Aflitos, verdadeiro ex-libris de Lousada, passando depois pela Casa de Rio Moinhos, em Covas. Seguiu-se uma visita ao Solar do Cedro, em Sousela e uma outra aos jardins da Casa de Lagoas, em Nevogilde. Todos estes jardins repletos de uma inúmera variedade de camélias pertencem a casas senhoriais, grande parte delas sucedâneas das primeiras iniciativas de povoamento da região, algumas delas desenvolvendo ainda a atividade agrícola, nomeadamente a vinicultura. Na tarde de domingo, em pleno ar livre e num espaço do jardim do Senhor dos Aflitos teve lugar um Concurso e Desfile de Body Painting e um outro de Moda Infantil, um e outro sob o tema das Camélias.

Durante os três dias e paralelamente, realizou-se um fim-de-semana gastronómico em parceria com a Entidade de Turismo Porto e Norte. A convite da Câmara de Lousada alguns restaurantes locais associaram-se à iniciativa, criando de uma ementa comum a todos: cozido à portuguesa e leite-creme de sobremesa.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OITAVO FESTIVAL INTERNACIONAL DAS CAMÉLIAS EM LOUSADA

Sábado, 18.02.17

A Câmara Municipal de Lousada vai organizar a oitava edição do Festival Internacional das Camélias, nos próximos dias 18 e 19 de fevereiro, numa iniciativa que segundo os responsáveis pela organização daquele evento muito dignifica o concelho e o turismo da região e acrescentam As camélias, a história e o património são essenciais para o desenvolvimento do turismo, através da criação de produtos transversais às diversas áreas.

O Festival de Camélias que decorre num salão de eventos de uma das casas nobres ou de Turismo do concelho e em que também estarão representados produtores espanhóis e açorianos, consiste na exposição e concurso das várias espécies de camélias, no mercado de camélias e outras atividades alusivas a esta flor, nomeadamente desfile de moda, provas de produtos locais com esta temática e sabor, e visita guiada aos jardins de camélias do concelho. Na verdade, nos dias 18 e 19 de Fevereiro, as camélias serão rainhas em Lousada. O concelho promove mais uma edição do Festival Internacional das Camélias, na Praça das Pocinhas.

No sábado há Mercado das Camélias e entrega dos prémios do Concurso, a partir das 15h00. Às 17h00 vai decorrer um workshop intitulado “A paixão pelo cultivo das Camélias”, sob a orientação de Carina Amaral Costa, representante do Parque Terra Nostra, nos Açores. O Chá de Camélias, acompanhado com prova de produtos de Lousada, é a última atividade agendada para o primeiro dia de Festival.

No domingo, dia 19, a partir das 9h00, decorre o já tradicional Passeio pelos Jardins de Camélias do concelho. Quem pretender participar tem transporte assegurado pela autarquia devendo inscrever-se através do e-mail turismo@cm-lousada.pt, na Loja Interactiva de Turismo ou através do telefone 255 820 580. Segundo a autarquia, o primeiro local a ser visitado é o Jardim do Senhor dos Aflitos. Pelas 10h00 o grupo vai passar pela Casa de Rio Moinhos, em Covas, seguindo-se a visita ao Solar do Cedro, em Sousela. O passeio termina com a visita aos jardins da Casa de Lagoas, em Nevogilde.

Para as 15h30 está marcado um Concurso e Desfile de Body Painting e de Moda Infantil sob o tema das Camélias.

Durante os dois dias em que decorre o Festival vai estar em funcionamento o Mercado das Camélias e exposição das mesmas. No sábado o Mercado está aberto entre as 15h00 e as 20h00 e, no domingo, entre as 10h00 e as 19h00.

Na mesma data realiza-se o fim-de-semana gastronómico em parceria com a Entidade de Turismo Porto e Norte. A Câmara de Lousada convidou os restaurantes locais a associar-se à iniciativa com a criação de uma ementa comum a todos. A ementa apresenta um prato típico: cozido à portuguesa e leite-creme de sobremesa, tudo acompanhado pelos vinhos verdes e espumantes produzidos no concelho. Este ano são 12 os restaurantes aderentes.

 

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COMPASSO NA JOSÉ BRAGANÇA TAVARES

Domingo, 27.03.16

Mais uma vez, em dia de Páscoa a rua Dr José Bragança Tavares, onde moro, aqui para os lados da Fonte Sacra, na cidade de Paredes, a exemplo ou seguindo as pisadas de todas as outras ruas e artérias da mesma cidade, e possivelmente das ruas de muitas outras cidades do norte do país, engalanou-se de alto a baixo, nesta tarde de Páscoa, para receber com pompa e circunstância a Visita Pascal, ou seja o tradicional Compasso nortenho,  acompanhado pelos harmoniosos, estridentes e nada habituais por estas bandas, sons duma filarmónica. Dando cumprimento a uma secular tradição religiosa, algumas cruzes, devidamente ornamentadas e acompanhadas pelo singelo badalar de campainhas, transportadas por acólitos vestidos de branco e homens trajando opas vermelhas, durante largos minutos, percorreram os passeios, ultrapassaram os portões e halls e entraram pelas casas, assinaladas, fora da porta, com os tradicionais “tapetinhos de flores” anunciando a Boa Nova da Páscoa, enquanto a filarmónica expelia acordes melodiosos e cadenciados, num bucólico e nada habitual peregrinar por estas bandas. Das varandas e janelas, outrora ornamentadas com colchas multicolores (o que hoje em dia já rareia) ou debruçados em pátios e terraços o povo aclamava, acompanhava, rezava e manifestava gestos de alegria, de paz e de felicidade, anestesiando, por momentos, o tumulto, e o burburinho quotidianos e frenéticos desta diariamente bastante movimentada Circular Rodoviária Interna de Paredes que liga Mouriz a Penafiel.

 

 

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MOGADOURO

Sexta-feira, 08.01.16

Mogadouro é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, situada na Região Norte de Portugal e sub-região do Alto Trás-os-Montes. De acordo com os censos de 2011, possui 3 549 habitantes.

Mogadouro é sede de um município com a área 760,65 km², com 9 542 habitantes, constituído por 21 freguesias. O Concelho, limitado a norte por Macedo de Cavaleiros e Vimioso, a nordeste por Miranda do Douro, a sueste pela Espanha, a sul por Freixo de Espada à Cinta e por Torre de Moncorvo e a oeste por Alfândega da Fé, recebeu foral de D. Afonso III em 27 de Dezembro de 1272. Nesta região, além do português, fala-se sua própria língua: a língua mirandesa. O nome recorda o domínio árabe no Nordeste Transmontano. Pouco resta do seu castelo, para além da torre que ainda domina o monte, construído pelo rei Dom Dinis e cedido aos Templários em 1297. Junto à torre, é possível admirar o pelourinho, a Igreja Matriz seiscentista, algumas casas brasonadas e o Convento de São Francisco.

Mogadouro é uma vila calma e pacata que oferece um excelente artesanato, nomeadamente artigos de seda, linho, lã e couro. Ali perto situa-se a Serra da Castanheira, de onde se pode admirar, na primavera, o deslumbrante lençol branco das amendoeiras em flor. Mais além, de Penas Roias, também se desfruta de uma bela vista desta vila medieval. Na pequena aldeia de Algosinho, pertencente ao concelho, existe uma igreja do século XII com uma curiosa característica: o acesso é feito descendo uma escadaria de granito e, com a sua nave única e pilares românicos, mais parece uma cripta.
A sul da vila, surge a serra com o mesmo nome, onde floresce uma interessante paisagem florestal, com predominância de pinheiros e castanheiros, intercalada com alguns terrenos agrícolas, muito férteis, alguns junto à vila, onde predominam searas e pastagens. A norte, a suavidade das colinas também está povoada de terras cultivadas, onde é bem marcante a cor vermelha dos solos, que empresta à paisagem uma alternância cromática de tonalidades vermelhas e verdes de uma beleza singular. É neste contexto paisagístico que a actividade pecuária ganha maior intensidade. Entretanto, junto às linhas de água que serpenteiam por entre as colinas, nas zonas mais encaixadas, surgem pequenas hortas, regadas pelo engenhoso processo de cegonhas ou picotas Já nas zonas baixas e mais frescas, por vezes associadas também a linhas de água, surgem os lameiros, delimitados por sebes, árvores ou muros de pedra. Os lameiros são pastagens naturais irrigadas, a que se encontram muitas vezes associados os ulmeiros e os freixos, sendo a ramagem destes últimos por vezes utilizada na alimentação do gado. Nesta paisagem, irrompem alguns relevos mais acentuados, de entre os quais o mais notável é a serra da Castanheira, a norte do concelho e em cujo topo se situa a capela da Sr.ª da Assunção. Daqui se podem apreciar deslumbrantes paisagens.

Neste concelho vive uma população eminentemente rural, cujas principais atividades económicas continuam a ser a agricultura e a pecuária. A população, na sua maioria, dedica-se ao cultivo da oliveira, da vinha, do trigo, do centeio, das árvores de fruto, com destaque para o castanheiro. No que à pecuária diz respeito, o destaque vai para o gado bovino, sobretudo destinado à produção de leite. A produção de carne, no entanto, tem lugar de relevo, sobretudo devido à criação da raça mirandesa e que deu origem, na gastronomia, à já célebre posta mirandesa. Para além do gado bovino, os caprinos e os ovinos assumem, também, neste concelho, uma relativa importância nas economias familiares, produzindo carne, lã e leite, sendo este destinado, sobretudo, ao fabrico de queijo

No concelho existem importantes vestígios arqueológicos que nos fazem recuar até ao Neolítico. Mais recentemente Mogadouro teve um papel importante na defesa da fronteira contra as invasões castelhanas, tendo constituído, por isso, e dada a sua localização, um apoio precioso na formação da nossa nacionalidade.

Concelho eminentemente rural, de uma beleza agreste e doce, povoado de gente sã, afável e laboriosa, herdeira de um carácter nobre e de uma história rica e antiga, assim poderíamos caracterizar este pedaço do território nacional.

 

NB – Dados retirados da Net.

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A IGREJA MATRIZ DE PENAFIEL

Domingo, 05.07.15

A Igreja Matriz de Penafiel situada bem no centro da cidade foi construída no século XVI, no local onde se encontrava uma antiga ermida edificada em honra do Divino Espirito Santo. Trata-se de um edifício renascentista de três naves e quatro tramos, ou seja, quatro unidades rítmicas, formadas por uma abóbada e elementos de descarga de força, definidos transversalmente por dois arcos torais e longitudinalmente, também por dois arcos mas formeiros e que separam a nave principal das laterais, e ainda por arcos cruzeiros, que formam as arestas ou nervuras da abóbada. As naves, por sua vez, estão separadas por duas arcadas de arcos de volta perfeita apoiados em colunas jónicas, e cobertas por abóbada de berço. A igreja foi mandada construir, ao gosto manuelino, por João Correia, rico mercador da cidade de Penafiel, para aí albergar o seu túmulo, constituído por uma lâmina de bronze de tipo flamengo onde aquele mandou gravar sua imagem. O túmulo está na capela do Senhor dos Passos, que corresponde à antiga capela-mor da ermida do Espírito Santo, coberta por abóbada estrelada. A capela-mor, cujo espaço foi ampliado em 1694, alberga um grande retábulo rocaille dourado.

O templo, no exterior, apresenta u modelo de fachada-retábulo de linhas austeras e despojadas e preserva ainda o remate ameado com merlões chanfrados e uma janela decorada com pérolas, abre-se para a nave lateral do lado do Evangelho através de um arco quebrado com três arquivoltas de toro e escócia, sendo rematada por uma abóbada tardo-gótica de nervuras ou arestas. O portal é enquadrado, a cada lado, por pares de colunas jónicas e encimado por entablamento decorado com motivos geométricos. Sobre este, o habitual nicho foi substituído por uma pintura que representa São Martinho repartindo a sua capa, ladeada por duas cartelas inscritas com as datas que possivelmente se reportam ao início das obras do templo e à sua sagração. De cada um dos lados do conjunto retabular do portal foram rasgadas duas janelas. O conjunto da fachada é rematado em empena, e do lado esquerdo, embebida pela estrutura do corpo da igreja, foi edificada a torre sineira. Inserida no cunhal existe uma gárgula, que, possivelmente, formaria um par, sendo que a outra gárgula se encontrava no cunhal oposto. Esta gárgula, de construção muito tosca, apresenta forma de cabeça humana e caracteriza-se por um grande arcaísmo formal e plástico que nos indica que a sua realização e construção terá partido de um artista local, pouco experiente em tais construções. Foi executada em granito, o que faz com que apresente semelhanças com cachorros ou modilhões românicos. As gárgulas, na arquitetura, são desaguadouros, ou seja, são a parte saliente das calhas de telhados que se destinam a escoar águas pluviais a certa distância da parede e que, especialmente na Idade Média, eram ornadas com figuras monstruosas, humanas ou animalescas, comumente presentes na arquitetura gótica. A palavra em origem no francês gargouille que significa gargalo ou garganta. Acredita-se que as gárgulas eram colocadas nas Catedrais Medievais para indicar que o demônio nunca dormia, exigindo a vigilância contínua dos fiéis. No templo penafidelense ainda se destaca a fachada maneirista, de parede lisa rasgada por duas amplas janelas que flanqueiam o pórtico, composto por colunas jónicas e entablamento clássico sobre o qual se desenvolve um nicho retangular, com a representação policromada de S. Martinho e do mendigo, encimado por rosácea.

Recorde-se que Penafiel, na Idade Média, se chamava de S. Martinho de Moazare e, mais tarde, Arrifana do Sousa e era um pequeno povoado que tinha sede na capela de Santa Luzia. Em meados do século XVI, ascendeu a sede da própria freguesia e a nova igreja foi construída. A parir de então passou a chamar-se Penafiel. Cuida-se que este topónimo tem origem de os fiéis de Arrifana, durante as obras de construção da sua igreja se deslocavam a Meinedo para assistir à missa. No regresso a casa vinham carregados de pedras para a construção do templo. Os habitantes de Meinedo, ao vê-los tinham pena deles Pena fidelis, ou Penafiel A pequena freguesia de Arrifana de Sousa ascendeu a vila em 1741.Trinta anos depois no reinado de D. José, dão-se novas alterações. El-Rei solicitou ao Papa Clemente XIV, a criação de uma diocese e um novo bispado em Penafiel, com sede em Arrifana de Sousa, desfazendo a área existente da diocese do Porto. Assim a diocese de Penafiel, hoje uma sé titular, foi criada em 1 de Junho de 1770 por bula do Papa Clemente XIV, desanexada da diocese do Porto. Com a elevação da vila de Arrifana de Sousa a cidade por D. José I, sob o nome de Penafiel; a criação da nova diocese duriense ficou em parte a dever-se ao desejo do Marquês de Pombal e Ministro de D. José, de afrontar o bispo do Porto, com o qual digladiava havia algum tempo, retirando-lhe assim uma fatia muito significativa da sua diocese e, mais importante que isso, os respetivos rendimentos. Foi nomeado para prover o cargo episcopal Dom Frei Inácio de São Caetano, confessor da princesa da Beira D. Maria. Esta, ao subir ao trono em 1777, conseguiu a renúncia de Frei Inácio no ano seguinte, e pedia pouco depois a abolição da diocese ao Papa, sendo esta reincorporada, novamente, no bispado do Porto. A atual igreja matriz foi destinada a catedral e a residência do bispo num edifício da rua do Paço, que assim houve jus a este nome.

Foi neste belo e histórico templo que hoje, 5 de Julho de 2015, se batizou o Gonçalo.

 

NB – Para a construção deste texto foram retirados alguns dados da Wikipédia.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O COMPASSO PASCAL

Domingo, 05.04.15

Hoje, 5 de abril, domingo de Páscoa as ruas da cidade de Paredes, como aliás de quase todas as cidades, vilas e aldeias do norte do país enchem-se de alegria, de música, de sons, de flores de cores, de sabores, de convívio e de partilha. É o compasso pascal! Trata-se duma tradição cristã que consiste na visita à casa de cada família que, eventualmente, a queira receber, do crucifixo levado por e de um pequeno grupo de paroquianos, com ou sem o seu pároco, liderados pelo Juiz da Cruz. O cruxifixo representa a presença de Jesus ressuscitado. O grupo, anunciado pelo toque de campainhas e do ribombar de foguetes, nalguns casos acompanhado por uma banda de música, percorre as várias casas dos outros paroquianos que manifestem vontade de receber esta visita de Jesus Ressuscitado no dia de Páscoa. Em cada uma das casas, após uma bênção inicial, moradores e convidados, familiares, vizinhos e amigos beijam a cruz como demonstração de respeito, alegria, crença e adoração. À frente vem normalmente um ou dois jovens cada um com uma sineta, que toca com maior intensidade anunciando a chegada da Cruz. Ao entrar, a casa é aspergida com água benta e anuncia-se a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. De seguida é dada a cruz a beijar, começando sempre pelo chefe da casa.

A esta tradição tem-se associado diferentes formas de receber essa visita, ocasionadas por fatores diversos, alterando-a num ou noutro aspeto. Mas a verdade á que ela continua a ser encarada como uma forma de confraternização dos membros da comunidade paroquial, com a partilha de alimentos, alguns específicos desta quadra pascal. É também comum ser aproveitada para oferta de donativos pecuniários à paróquia, através do tradicional envelope entregue ao Juiz da Cruz. Na cidade de Paredes, como nas maiores localidades do norte são várias as cruzes que percorrem as ruas entrando nas casas que manifestam a vontade de receber a visita. Este desejo é assinalado, colocando junto à entrada um pequeno tapete de flores e verduras. O encerramento e recolha das cruzes é anunciado pelo toque da sirene dos bombeiros, A Visita ou Compasso Pascal é, na verdade, uma tradição cristã que se continua viva e que parece ter as suas origens na Idade Média. Geralmente tem lugar no Domingo de Páscoa, podendo, no entanto, acontecer na segunda-feira ou no domingo seguinte, conhecido como domingo da Pascoela, no caso de freguesias maiores. O Compasso pascal continua pois a consubstanciar.se e a impor-se como um ritual que faz parte do património imaterial e das memórias de todos quantos o vivenciaram ao longo dos tempos. Para muitos cristãos do Norte de Portugal, a visita pascal representa um dos momentos mais esperados e festejados da celebração da Páscoa e até de todas as festas anuais, sendo, nos meios rurais, uma ocasião de arranjar, limpar e, por vezes, restaurar a própria moradia, uma vez que se trata de uma das festas mais marcantes de cada ano. Por volta da meia-noite, em cada aldeia estoiram foguetes. De manhã, após a missa, tocam os sinos e sai o compasso. Vizinhos, familiares e amigos visitam-se reciprocamente e apressam-se a desejar "Feliz Páscoa" uns aos outros. Em muitas localidades ainda se atapetam as ruas e os caminhos com flores. Grupos de pessoas correm de casa em casa, não esquecendo um vizinho, pobre ou rico, um amigo. É um reboliço! Há risadas e gritos. Beijos e abraços. Em cada casa põe-se uma farta mesa de iguarias, doces e salgadas, vinho do Porto, vinho corrente, e outras bebidas.(Net). O dono da casa ou a pessoa mais velha convida os visitantes a sentarem-se um bocadinho, oferecendo-lhe da "mesa" onde nada falta, desde o pão-de-ló até ao "sortido", doces passando pelo vinho do Porto, vinho da última colheita, geropiga ou algum licor ou aguardente. Quem quer abeira-se da mesa e come sem cerimónia. Por volta do meio-dia, recolhe o compasso a casa do Juiz da Cruz para os elementos que o compõem irem almoçar. O rei é o cabrito assado ou o borrego. No final, uma girândola de foguetes diz que o "almoço" já terminou e que o ritual vai continuar da parte de tarde, visitando os restantes lugares e casas da freguesia.

 

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publicado por picodavigia2 às 01:10

RURALIDADE ABSOLUTA

Domingo, 26.10.14

Hoje é domingo. No meu caminhar diário, por vezes cerceado ou até bloqueado por imperativos avoengos, decido abster-me do percurso urbano, habitual, mais tranquilo e envolvente, tomando como alternativa o rural, mais abrupto e sinuoso, mas mais delirantemente puro. Cinjo-me a este pedaço de Douro que me é disponibilizado usufruir e atravesso um monte fronteiro e que me conduz à Bouça. Outrora monte ermo e solitário, povoado de denso arvoredo onde imperava o pinheiro e o eucalipto, hoje é um espaço rasgado por ruas e vielas, parcialmente alcatroadas e ladeadas de pequenas vivendas, encastoadas em férteis quintais ou courelas a abarrotar de legumes e hortaliças, protegidas por densas latadas, agora, já aureoladas com as cores do outono.

Chego à Bouça, onde o perfume da ruralidade se torna mais intenso. Emerjo entre velhos casebres, de portas abertas a exalarem o fumo dos lares, velhos alpendres de mesas postas, caminhos rendilhados de silêncio, aqui e além ornados com uma ou outra cadeira à espera de um velhinho que vai passar ali a tarde, talvez sem sentir coisa nenhuma, a não os rumores do abandono. Mais além são os esqueletos de casas, outrora belas e recheadas de pessoas e de fartura, hoje reduzidas à sua forma pétrea, com telhados caídos, cheias de tédio e de abandono. Ao lado castanheiros a desfazerem-se dos ouriços com que atapetam o chão, vinhas de caules despedidos a abdicarem das folhas já amareladas mas a oferecem uma ou outra ripinha que ficou esquecida da safra, milheirais ressequidos e, aparentemente, abandonados, silvados despidos de amoras, macieiras perdidas entre o folhedo alfeiro.

Volto a uma viela onde predominam antigas casas reconstruídas, uma outra nova, prédios alegres e coloridos, entrelaçados entre cerrados de pencas à espera da grande noite… Tudo é silêncio e a madrugada parece prolongar-se estática, indiferente à força e ao vigor do astro-rei. Apenas uma mulher a estender roupa, um velho a refrescar-se no sossego da manhã, um cão a ladrar inutilmente e um ciclista a quebrar a rotina semanal. Dois homens passeiam como se fossem namorados.

Finalmente o monte que separa Vila Cova de Mouriz. Um torrão de verdura na sua vertente leste, com o Sol a açapar-lhe em plenitude. O que mais me encanta é o ribeiro que o atravessa. Fascina-me o murmúrio da água a esbarrar-se contra os pedregulhos, a elegância dos choupos a delimitar-lhe as margens, as fugas de rega aparentemente mortas, a força verde das ervas ao redor e o espantoso silêncio do arvoredo lá no alto. Este caminho, inseguro, irregular, abrupto e intragável a automóveis e quejandos, onde um homem mija destemido e sem complexos, bem podia ser transformado numa avenida onde o casario seriam os muros arqueados sobre o silêncio e os prédios as árvores elevadas por entre os raios do Sol. Chego, apreensivo à casa dos fantasmas. Inquieto-me porque embora não acreditando, ao redor há um silêncio impressionante e assustador. Além disso a casa é um monstro desfeito e amortecido. Estórias antigas e fantasmagóricas se desenharam ali. Talvez disputas de herdeiros… Mas verdade é que dela nada usufruíram e as ruínas permanecem ali, mudas como se fossem os restos de um navio naufragado. Ao redor só há silêncio, abandono, tédio, destruição e deserto. Mais além, já na descida da encosta, outras seguem-lhe exemplo, no abandono das suas paredes, na destruição das suas formas de que apenas permanecem os esqueletos. Uma terá sido deslumbrantemente bela, casa solarenga, ornada de varandas, beirais e pináculos, com os restos de uma capelinha, ao lado. Ao redor campos forrados de fartura. Ao longe o resto deste pedaço de Douro, onde há de tudo: montes, serras, árvores, florestas, vinhedos, caminhos, casas, prédios, fábricas e até uma autoestrada.

Neste oásis de ruralidade pura e absoluta, apenas falta o mar! 

                                                                                                  

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publicado por picodavigia2 às 16:45

PAREDES – A CIDADE E O CONCELHO

Sexta-feira, 05.09.14

Paredes é uma cidade portuguesa, sede do município com o mesmo nome, pertencente ao Distrito do Porto, situada na região Norte de Portugal e integrada na comunidade urbana do Vale do Sousa. O Concelho de que é capital tem uma área de 156 km2, com cerca 85 mil habitantes, dos quais cerca de 12 600 vivem na cidade. O município é constituído por 24 freguesias e limitado a norte pelo município de Paços de Ferreira, a leste por Lousada e por Penafiel, a sudoeste por Gondomar e a oeste por Valongo. O concelho foi criado em 1836, sucedendo, em grande parte do seu território, ao antigo concelho de Aguiar de Sousa, actualmente uma das freguesias mais pequenas que o constituem.

Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagisticamente interessantes de Portugal: o Vale do Sousa e tem uma riquíssima história, uma vez que é o sucedâneo do antigo concelho de Aguiar de Sousa, que data dos primórdios da Monarquia, tendo sido criado em meados do século XII, pois já consta nas inquirições de 1258 mandadas fazer por D. Afonso III, nas quais, também, já são referidas algumas das actuais freguesias do concelho de Paredes, pertencentes ao então julgado de Aguiar de Sousa: Estremir, Crestelo, Vilela, Bendoma, Ceti, Gondalães, Veiri e Gandera. Aguiar de Sousa recebeu foral em 1269, confirmado em 1411 por D. João I e reiterado por D. Manuel I em 1513. Sensivelmente na mesma altura, Baltar recebia também a categoria de concelho. Baltar foi elevada a categoria de vila, passando assim a ter enormes direitos, só comparáveis às maiores povoações do reino, privilégios confirmados por  D. João V, em 1723.

Extinto em 1837, o concelho de Baltar era constituído por 9 freguesias: Baltar, Cête, Vandoma, Astromil, Gandra, Sobrado, S. Martinho do Campo, Rebordosa e Lordelo. À excepção de Sobrado e S. Martinho de Campo, que actualmente fazem parte de Valongo, todas as outras seriam posteriormente integradas no concelho de Paredes. Foi durante o séc. XVIII que o lugar de Paredes, integrado na freguesia de Castelões de Cepeda, foi ganhando importância. Assim, em finais do séc. XVIII, já existiam os Paços do Concelho, actual Academia de Música, e o pelourinho.

Em 1821, o concelho de Aguiar de Sousa foi extinto como concelho e grande parte das suas freguesias foram anexadas a Paredes. Com a criação do concelho de Paredes, não só se extinguiu o de Aguiar de Sousa, como ainda o de Baltar, Louredo e Sobrosa, que emergiram da crise liberal e tiveram duração pouco superior a dois anos. O concelho de Paredes foi criado por Passos Manuel, em 1836, como resultado do reordenamento que ocorreu com a entrada da Constituição de 1820. Nesta data, passou a conter algumas das freguesias do extinto concelho de Aguiar de Sousa, englobando um total de 23 freguesias. Em 1855, dos vários lugares da freguesia da Sobreira foi criada a freguesia de Recarei.

Com esta configuração, Paredes passou a vila em 7 de Fevereiro de 1844, data do Alvará Régio de D. Maria II que elevava Paredes a essa categoria, com os correspondentes direitos e deveres por "a mesma povoação possuir os necessários elementos para sustentar com dignidade a categoria de vila".

O concelho de Paredes possui uma grande tradição na indústria do mobiliário, assegurando cerca de 65% da produção de mobiliário nacional. A relação tradição/modernidade da arte de trabalhar a madeira nas suas diferentes vertentes sustentam um produto turístico-cultural denominado "Rota dos Móveis".

A partir de 20 de Junho de 1991, Paredes ascendeu à categoria de cidade. A 26 de Agosto de 2003, foram elevadas a cidade as freguesias de Lordelo e Rebordosa. Gandra também se tornou cidade com estatuto especial, em virtude de nela se situar um importante pólo universitário. O concelho de Paredes contém, deste modo, quatro cidades, sendo o concelho português com maior número de cidades.

 

NB – Dados retirados do BMP

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publicado por picodavigia2 às 10:25

DR ANTÓNIOMENDES MOREIRA

Sábado, 23.08.14

Faleceu ontem, no hospital de Penafiel, uma dos maiores vultos da cultura paredense, nos últimos tempos, o Dr António Mendes Moreira, médico e escritor.

António Mendes Moreira, médico desde 1951, residia na cidade de Paredes, onde nasceu em 5 de Julho de 1926. Foi director clínico do hospital de Paredes, director do centro de saúde da mesma cidade e professor do ensino secundário. Álvaro Salema salientou que se trata dum «autor que persevera por gosto de escrever e por mérito próprio, distanciado dos meios onde se forjam e alimentam as reputações literárias». Foi incluído na colectânea de escritores do livro Além Texto, da autoria do crítico e ensaísta Ramiro Teixeira. Em 1991, o Município de Paredes instituiu um prémio bienal de ficção com o seu nome a atribuiu-lhe o nome a uma rua na toponímia local

Obras principais: O Tojo Também Floresce (romance, 1956), Vida de Médico (contos, 1966), Vilateia (narrativa romanceada, 1975), Sobretudo o Amor (contos, 1985), Eu e os Outros (7 volumes em: 1983, 1984, 1987, 1992, 1995, 1997 e 2001), O Homem de Bronze (narrativa romanceada, 1993), A Jornada (compilação de toda a ficção, 1996), Conversa de Amor (1998), As Minhas Charlas (literatura biográfica, 1999), e A Alma Nua de um Médico (narrativas autobiográficas, 2002).

 

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publicado por picodavigia2 às 21:47

HINO AO DOURO LITORAL

Quarta-feira, 20.08.14

A região do Douro Litoral é, incontestavelmente, uma das mais belas e deslumbrantes de Portugal. Plantada à beira-mar e, consequentemente, embelezada pelas águas vivas e refrescantes do Atlântico que a abraça num equilíbrio entre o passado e o presente moderno, esta região do norte de Portugal adorna-se de belas paisagens, deixa-se sulcar por grandes e ternurentos rios que a caracterizam e mistificam como o Douro, o Tâmega, o Sousa, ou outros mais pequenos como o Mesio, o Ferreira, o Paiva, o Arda o Sardoura e tantos outros, alguns pequenos mas belos riachos, que fertilizam as terras das suas margens, ricas em vinha, em pomares de frutos secos e frescos, mas também em legumes variados cujos verdes, amarelos, castanhos, rosas dão cor a paisagens rurais de rara e inigualável beleza.

Terra rica e de abundância, habitada por dum povo generoso que sabe despojar-se do melhor para o bem comum, guardou, na sua gastronomia, a prova do seu altruísmo levando ao expoente máximo a gastronomia portuguesa que é Património Mundial, com as “tripas à moda do Porto”.

Na verdade, reza a história, misturada com a lenda que em tempos idos, aquando das Descobertas que trouxeram a globalização ao mundo e mais tarde, quando vítima das bizarras invasões napoleónicas, este povo abdicou das carnes mais nobres para as dar como alimento aos marinheiros que iam cruzar os mares e enfrentar verdadeiros cabos de tormentas, ou então delas sendo despojado pela tirania dos invasores, guardando, para si, apenas as miudezas, em especial as tripas da carne de vaca que confeccionou com o mesmo carinho e com uma satisfação renovada, transformando-as num belo e apetitoso prato, hoje conhecido, praticamente, em todo o mundo.

Esta humildade e generosidade, intrínsecas ao duriense foram, sem dúvida, gratificadas, recuperando-se a riqueza das carnes de vaca e essencialmente as carnes de porco e os enchidos, que são levados à mesa em pratos de “rojões à moda do porto” guarnecidos por tripas recheadas com a melhor farinha de trigo, suavemente temperados com alho e sal do mesmo Atlântico e realçados com folha de um louro de mil aromas. Por outro lado, e a quando das invasões francesas, foi a sua astúcia e subtileza que fizeram com que, escondendo entre duas fatias de pão cobertas de molho e batatas fritas um bom bife, criassem a hoje tão tradicional e característica francesinha.

 E se estas são as iguarias mais relevantes, o certo é que a imaginação gastronómica é rica em sabores e experiências de paladares infindáveis numa valsa de temperos agridoces como o “sarrabulho doce”, com sabor a canela ou as “tortas de São Martinho” e os “bolinhos de amor” de gema e cobertos de um manto de açúcar, verdadeiras delícias para o paladar.

O Douro Litoral é uma região onde as tradições, usos e costumes se revelam em festas e romarias, onde o profano e o sagrado se harmonizam numa mesma manifestação de vida e num mesmo louvor entoado com pronúncia do Norte em ritmos e cores variadas em adros de igrejas românicas que provam a fé de um povo e testemunham a sua rica história que vem manifestando e conservando pelos séculos até aos dias de hoje.  

Terra de uma cultura rica em história, a região do Douro Litoral exibe, com brio, vestígios de povos ancestrais, castros celtas e visigodos, citânias romanas, castelos e fortificações medievais, templos românicos e mosteiros seculares, solares e quintas abastadas, edifícios de uma arquitectura robusta e imponente, de uma beleza rural ímpar, em granito ou em xisto retirado com esforço das pedreiras locais.

A região do Douro Litoral é assim uma espécie de museu vivo e a céu aberto, um hino de glorificação e de homenagem à natureza.

Compõem-na todos os concelhos do distrito do Porto e que são: Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Maia, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. Por sua vez, do distrito de Viseu, integram-se na região do Douro Litoral o concelho de Cinfães e o de Resende, enquanto todos os restantes concelhos da região, a saber, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho e Santa Maria da Feira, pertencem ao Distrito de Aveiro.

 

NB - Dados retirados de um Roteiro Tuístico da Região

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publicado por picodavigia2 às 16:44

A REGUEIFA DOS DOMINGOS

Segunda-feira, 12.05.14

Ainda hoje, muitas padarias de Paredes e de muitas outras localidades do Douro, têm por hábito, comercializar, aos domingos e como alternativa ao tradicional moulete a saborosíssima e deliciosa regueifa. Trata-se de um pão em forma de rosquilha, com a maça entrelaçada em forma de rosca, farinha de boa qualidade mas muito fofo, branquinho, macio e muito agradável e apetitoso. E então se as fatias forem barradinhas com manteiga… Uma verdadeira delícia!

A regueifa designa, na região do Douro, embora hoje expandida por muitas outras regiões do país, um pão de romaria., fazendo lembrar aquilo que, nalguns lugares, também se designa de "pão espanhol".

A regueifa é típica do Douro e do Norte, sendo conhecida desde o Minho até à região de Aveiro. Com a industrialização a regueifa, em especial no Entre-Douro-e-Minho, popularizou-se, na verdade, como pão domingueiro.

Cuida-se que o nome desta iguaria, assim como a forma tradicional de preparação, parecem intimamente ligados à massa original marroquina chamada rghaif e, especificamente, a uma variante desta, em que a massa é entrançada antes de ser cozida. Diz-se que teve origem em Branca, Albergaria-a-Velha.

Como alternativa, existe a regueifa doce. Para tal, desfaz-se fermento de padeiro num pouco de água tépida, mistura-se com uma pequena quantidade de farinha e deixa-se levedar cerca de uma hora. Batem-se gemas e uma clara de ovos com açúcar, junta-se manteiga amolecida e uma pitada de canela. Juntam-se as misturas anteriores com farinha, amassa-se e deixa-se repousar até aumentar de volume. Tendem-se as regueifas e torna-se a deixar aumentar de volume. Levam-se ao forno quente a cozer e, depois de cozidas, pincelam-se com manteiga.

 

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publicado por picodavigia2 às 12:04

COMPASSO

Domingo, 20.04.14

Esta tarde de domingo de Páscoa, a minha rua, de nome José Bragança Tavares, aqui no lugar da Fonte Sacra, assim como todas as outras ruas e artérias da jovem cidade de Paredes, engalanou-se, de alto a baixo e de um extremo ao outro, para receber com pompa e circunstância o “Compasso” da Páscoa e os harmoniosos acordos musicais da Filarmónica que o acompanhava. Dando cumprimento a uma secular tradição religiosa, algumas cruzes, devidamente ornamentadas e acompanhadas pelo singelo badalar de campainhas, transportadas por acólitos vestidos de branco e homens trajando opas vermelhas, durante largos minutos, percorreram os passeios, ultrapassaram os portões e entraram pelas casas anunciando a Boa Nova da Páscoa, enquanto a filarmónica expelia acordes harmoniosos num singelo e nada habitual peregrinar por esta via. Das varandas e janelas o povo aclamava com palmas e manifestava gestos de alegria, de paz e de felicidade, anestesiando, por momentos, o tumulto e o burburinho quotidianos e frenéticos desta diariamente movimentada artéria que liga a Circular Rodoviária Interna de Paredes a Mouriz.

As cruzes eram cinco, com sete elementos cada: dois tocadores de campainha, o portador da cruz, o representante do pároco, o portador da caldeirinha, o recolector dos envelopes com as prebendas e um mestre-de-cerimónias. Por sua vez a filarmónica, que tive a oportunidade de observar, minuciosamente, do alto, como se duma vista aérea se tratasse, com 57 elementos: 52 tocadores, dois controladores de tráfico, dois porta estandartes e o maestro.

Como a fronteira entre as paróquias de São Salvador de Castelões e de Mouriz está pouco claramente definida, gera-se alguma confusão, relativamente, à responsabilidade da visita Pascal. Pior ainda. Como não há via que as separe, compassos e filarmónica, ao transitar de Perrace para a José Bragança Tavares, foram forçados a um difícil corta-mato, tudo, no entanto, se desenrolando com muita alegria e divertimento.

Nos ares rebentam bombas e foguetes, mas estas cada vez menos, que a crise também se faz sentir nestas andanças.

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publicado por picodavigia2 às 17:13

TRADIÇÕES PASCAIS

Domingo, 20.04.14

Na Páscoa de 1975 foi-me proporcionada a oportunidade de, pela primeira vez, visitar e conhecer as terras transmontanas. Coincidindo com os três dias do tríduo pascal e fixando-me numa típica aldeia transmontana, junto às margens do Coa, foi-me possível também observar e conhecer algumas dos costumes e tradições relacionadas com a Semana Santa, naquela interessante região portuguesa.

Na realidade, em Trás-os-Montes, as múltiplas e diversas tradições da Semana Santa apresentam-se preenchidas com rituais que, simultaneamente, parecem ter misturados rituais cristãos e pagãos, alguns dos quais representam, um claro regresso a ambientes medievais. Às vias-sacras, endoenças, autos da paixão e procissões dos “sete passos”, juntam-se as queimas do judas, os enterros do bacalhau, as corridas dos rapazes aos sinos, entre outras.

A tradição gastronómica, por sua vez, na região transmontana incide, principalmente, sobre a confecção dos folares da Páscoa, feitos com massa um pouco adocicada e recheados com carnes salgadas e enchidos que, naturalmente e por imposições religiosas, ao longo de semanas, estiveram em standby, isto é, às escondidas e arredadas das mesas dos camponeses. Há ainda o cabrito assado, o borrego e a caldeirada de cabrito. As amêndoas e os ovos de chocolate também não faltam

Por sua vez as variadas e diversas celebrações de rituais da Paixão de Cristo traduzem e reflectem cenários de luto, de reflexão dolorida, expressos dos tons roxos e negros das celebrações e nos cânticos tristes e dolentes. Algumas aldeias ainda conservam as 14 cruzes, ou cruzeiros, que representam as 14 estações que a via-sacra cumpre simbolizando o calvário de Cristo a caminho da crucificação.

A tradição dos “sete passos” mantém-se em Freixo de Espada à Cinta como caso único no país. Embora seja mais intensa na Sexta-Feira Santa, trata-se de um ritual de raízes medievais que tem lugar em todas as sete sextas-feiras quaresmais. Num cenário bem ao jeito de um filme de terror, em plena escuridão, dois homens encapuçados de negro, ao soarem as badaladas da meia-noite, lançam ruidosamente sobre as lajes de granito do átrio da igreja correntes de ferro que prendem nas pernas e arrastam pelas calçadas das ruas produzindo barulhos estridentes e assustadores. O ritual prossegue com a saída de uma “velhinha” vergada sob um negro manto e capuz, transportando numa mão uma lamparina de azeite e na outra um cajado em que se apoia, bem como uma bota de vinho com a qual vai dando de beber aos populares que se ajoelham à sua passagem e devotamente o solicitem, pois a vinho é o símbolo do sangue de Cristo derramado. O cenário é ainda acompanhado por grupos de cantadores que junto aos cruzeiros entoam melodias angustiosas, próprias de ambientes lúgubres medievais. (Cf Alexandre Parafita: Antropologia da Comunicação, Lisboa, Âncora Editora, 2012) in Diário de Trás-os-Montes).

“Por sua vez, mais comuns em Trás-os-Montes, os autos da paixão, enquanto representações de teatro popular, que narram os últimos dias de Cristo, desde a traição até à morte e deposição na cruz, envolvem cerca de quarenta figuras humanas recrutadas no seio do povo, muitas delas pessoas idosas e iletradas, pelo que conservam na memória, durante décadas e décadas, os dizeres das personagens que encarnam. Alguns dos seus papéis eram, outrora, desempenhados com tal emoção e realismo, que, no ato de agredir ou chicotear, as vítimas chegavam a sair em braços e ensanguentadas de verdade das respectivas cenas, havendo ainda casos em que os atores ganhavam, pela vida fora, as alcunhas dos papéis que representavam, como por exemplo, Cristo, Judas, Caifaz, Pilatos, Fariseu ou Diabo”./Cf Ibidem)

Na maioria das localidades transmontanas, nestes dias, a vida das populações muda radicalmente. Em muitas aldeias, ao meio dia de Quinta-feira Santa, toca o sino ela última vez e as pessoas param por completo os seus trabalhos rurais, hábitos que, na década de cinquenta, também se verificavam na Fajã Grande, das Flores Com excepção dos mínimos afazeres domésticos, ninguém trabalhava até ao sábado à mesma hora. Contavam-se, inclusivamente, algumas estórias de insucesso nos trabalhos realizados nestes dias. Em algumas aldeias, um homem que corre todo o povoado tocando uma matraca, como se fazia nas Flores, onde a matraca era utilizada em substituição dos sinos, para alertar as pessoas para a solenidade do dia e chamá-las para as cerimónias religiosas celebradas na igreja. Também se deve jejuar e abster de carne e de outros pequenos prazeres, nestes dias. Contaram-me, inclusivamente, que, nestes dias as pessoas mais idosas nem se penteavam. Também não se devia cozer pão porque diziam que aparece sangue na massa ou nas broas, costume este que também havia nas Flores.

No Sábado de Aleluia, à meia-noite, havia outrora a tradição de os rapazes correrem a tocar os sinos das igrejas, que quebravam o silêncio quaresmal. Até então, os toques dos sinos eram proibidos, sendo substituídos por pungentes matracas de madeira e arame, que emitiam sons ritmados, com as quais um mensageiro percorria as ruas apelando ao recolhimento, à reflexão e à oração. A retomada do toque dos sinos à meia-noite de sábado era disputada pelos rapazes, na crença de que o primeiro que tocasse o sino seria recompensado na descoberta dos ninhos das melhores aves, especialmente a perdiz, o que, noutros tempos, era algo muito cobiçado.(Cf Ibidem)

“Em Montalegre, mantém-se viva a Queima de Judas, no Sábado de Aleluia. A Câmara Municipal organiza um concurso para melhor mobilizar a população. Mas esta tradição é igualmente ativa noutros pontos do país: Palmela, Azeitão, Vila Nova de Cerveira, Matosinhos, Santa Comba Dão, Tondela, Viana do Castelo, Vila do Conde, Maia, Travassô, Milheirós de Poiares, Ponte do Lima, entre outros. Nela se representa o julgamento de Judas Iscariotes, por ter traído Cristo por trinta dinheiros. O povo, armado de tochas, aguilhadas e outros meios, aguarda os momentos da acusação e defesa, a leitura da sentença e, por fim, participa no castigo fatal investindo sobre um sinistro boneco que se incendeia ou explode. Este castigo simboliza a expiação dos pecados do mundo e o fogo tem um carácter simbólico de purificação. As queimas do Judas, assim como o Enterro do Bacalhau, representam impulsos eufóricos de catarse e libertação perante os constrangimentos quaresmais. Em Vila Real, a tradição do “Enterro do Bacalhau” é um ritual que responde a outros “enterros”, de sentido inverso, outrora frequentes na região transmontana (enterro do galo na quarta feira de cinzas, enterro do Entrudo…). A tradição do enterro do bacalhau é hoje especialmente praticada na localidade de Constantim, nos subúrbios de Vila Real. Noutros tempos, era toda a cidade a vibrar com o ritual. Um bacalhau enorme feito de cartão seguia escoltado por militares e era julgado perante carrascos, juízes e advogados, tendo, como testemunhas de defesa, os marçanos das mercearias e, de acusação, os empregados dos talhos. O castigo a incidir sobre o bacalhau simboliza a libertação dos constrangimentos da Quaresma, que não permitia o consumo de carne. A partir do Sábado da Aleluia, dia da celebração, já o povo deixa de estar limitado ao consumo de peixe e festeja assim o regresso da carne.” (Cf Ibidem)

Nos meios rurais transmontanos e m quase todo o norte do país, no Domingo de Páscoa mantém-se a tradição do Compasso, traduzida num cortejo presidido pelo pároco ou por um leigo seu representante, que visita as casas dos fiéis dando a cruz a beijar e aspergindo com água benta os compartimentos. Neste dia as famílias juntam-se nas casas umas das outras, para receber o Compasso, convivendo, provando os folares e outros petiscos e almoçando o tradicional cabrito assado no forno.

NB – Alguns destes dados foram retirados de Alexandre Parafita, acima citada: Antropologia da Comunicação, Lisboa, Âncora Editora, 2012) in Diário de Trás-os-Montes

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publicado por picodavigia2 às 12:25

PAREDES

Sexta-feira, 18.04.14

Paredes é uma cidade portuguesa, situada no Distrito do Porto, Douro Litoral, região Norte e sub região do Tâmega, com cerca de 8.000 habitantes. É a capital e sede do Concelho com o mesmo nome, integrado na Região do Vale do Sousa. Trata-se de um município com 156,56 km² de área e cerca de noventa mil habitantes, subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Paços de Ferreira, a leste por Lousada e por Penafiel, a sudoeste por Gondomar e a oeste por Valongo. Fica na comunidade urbana do Vale do Sousa. A cidade situa-se a leste do concelho, fazendo fronteira com o concelho de Penafiel, estando separada deste pelo Rio Sousa e é constituída pelas freguesias de Castelões de Cepeda, Mouriz. Bitarães e Madalena.

O concelho de Paredes foi criado em 1836, sucedendo, em grande parte, ao antigo concelho de Aguiar de Sousa. Presentemente o município de Paredes tem quatro cidades: Paredes, Gandra, Rebordosa e São Salvador de Lordelo.

Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagisticamente interessantes de Portugal: o Vale do Sousa, O actual Concelho de Paredes assenta no antigo concelho de Aguiar de Sousa que data dos primórdios da Monarquia. O concelho de Aguiar de Sousa surgiu num pacto de povoamento de Vale do Sousa tendo sido criado pelos meados do século XII. De facto, nas inquirições de 1258 mandadas fazer por D. Afonso III, no Corpus Codicum Latinorum, referem-se algumas das actuais freguesias do Concelho de Paredes, pertencentes, ao então, grande julgado de Aguiar de Sousa (Estremir, Crestelo, Vilela, Bendoma, Ceti, Gondalães, Veiri, Gandera...). Aguiar de Sousa recebeu foral em 1269, confirmado em 1411 por D.João I e reiterado por D. Manuel I em 1513. Sensivelmente na mesma altura, Baltar recebia também a categoria de concelho. Baltar foi elevada a categoria de vila, passando assim, a ter enormes direitos, só comparáveis às maiores povoações do reino. D. João V, a 6 de Março de 1723, confirmou esses privilégios.

Extinto em 1837, o concelho de Baltar era constituído por 9 freguesias: Baltar, Cête, Vandoma, Astromil, Gandra, Sobrado, S. Martinho do Campo, Rebordosa e Lordelo. À excepção de Sobrado e S. Martinho de Campo, que actualmente fazem parte de Valongo, todas as outras seriam posteriormente integradas no concelho de Paredes. Foi por volta do séc. XVIII que o pequeno lugar de Paredes, integrado na freguesia de Castelões de Cepeda, foi ganhando importância. Assim, em finais do séc. XVIII, já existiam os Paços do Concelho e o pelourinho. Paredes tinha então o aspecto de uma verdadeira cidade, embora nem sequer tivesse a categoria de vila.

Em 1821 Aguiar de Sousa era extinto como concelho e grande parte das suas freguesias eram anexadas a Paredes. Com a criação do concelho de Paredes, não só se extinguiu o de Aguiar de Sousa, com ainda o de Baltar, Louredo e Sobrosa que emergiram da crise liberal e tiveram duração pouco superior a dois anos. O concelho de Paredes foi criado por Passos Manuel apenas em 6 de Novembro de 1836, como resultado do reordenamento que ocorreu com a entrada da Constituição de 1820. Nesta data passou a conter algumas das freguesias do extinto concelho de Aguiar de Sousa, englobando um total de 23 freguesias. Em 1855, dos vários lugares da freguesia da Sobreira criou-se a freguesia de Recarei.

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publicado por picodavigia2 às 07:52

O CONCELHO DE PAREDES

Domingo, 16.02.14

O Concelho de Paredes situa-se na região do Vale do Sousa e é constituído por 24 freguesias, fazendo fronteiras, a norte com os concelhos de Lousada e Paços de Ferreira, a oeste com o de Valongo, a sul com o de Gondomar e a este com o de Penafiel.

Testemunhos arqueológicos demonstram que há mais de 5000 anos o homem escolheu o território do actual concelho de Paredes, para habitar. Sabe-se, hoje que a sedentarização de povos nesta zona perdurou ao longo dos séculos, sendo que, os povos que por aqui passaram ou aqui se fixaram e foram deixando inúmeros e variados vestígios da sua presença, muito deles ainda hoje guardados em museus ou representados nos falares, nos usos, nos costumes e nos utensílios das gentes que ainda hoje habitam os povoados e aldeias da região.

No caso dos Romanos, chegaram à Península Ibérica durante o século II a. C. e o seu interesse na expansão do Império e a busca de riqueza conduziram-nos às jazidas auríferas de Castromil e das Banjas (Sobreira), onde a intensiva exploração do ouro ficou visível nos numerosos poços, galerias e cortas, alguns deles, ainda hoje existentes

O actual Município de Paredes assenta no antigo Julgado de Aguiar de Sousa, com origem nos primórdios da nacionalidade, que se apresentava como um espaço político, judicial e administrativo independente, exercendo domínio sob um vasto território, composto por 48 freguesias. A partir dos finais do século XVI, porém, as funções de Aguiar de Sousa como cabeça de Julgado, transitam para o lugar das Paredes, situado na freguesia de Castelões de Cepeda, junto à estrada que ligava Porto – Vila Real, com Cadeia e Casa de Audiências.

Fruto da presença de importantes famílias nobres, desde a Idade Média, nas terras deste Julgado, entre as quais o mais importante foi Egas Moniz, aio do primeiro rei de Portugal, surge a fundação de quatro mosteiros e a formação dos respectivos Coutos, bem como a delimitação de Honras com inúmeros privilégios que lhe eram associados. Esta situação permitiu que, durante a crise liberal, com as reformas administrativas de Mouzinho da Silveira, Baltar, Louredo e Sobrosa ascendessem à categoria de concelho, sendo extintos alguns anos mais tarde e integrando-se no de Paredes, o qual foi criado, como consequência da reorganização administrativa de Passos Manuel. Este concelho, inicialmente, era constituído por 23 freguesias, sendo que, em 1855, foi criada a nova freguesia de Recarei, a partir de vários lugares da freguesia da Sobreira, passando a corresponder às 24 freguesias actuais.

O crescente desenvolvimento do concelho levou D. Maria II a conceder-lhe o alvará régio, que o elevava à categoria de Vila, em 1844. A dirigir os rumos do Concelho de Paredes surgiu uma figura ímpar na sua história, que ficou conhecida pelo epíteto de “Rei de Paredes”, José Guilherme Pacheco, que foi presidente da câmara de 1864-1871 e durante parte do ano de 1878. Na linha política de Fontes Pereira de Melo, o conselheiro José Guilherme, procurou promover o progresso de concelho, no campo das acessibilidades, transportes, comunicações e educação. Paredes prestou-lhe justa e devida homenagem, dando o seu nome ao mais importante largo da cidade, fronteiriço ao actual edifício da Câmara Municipal, colocando no centro do mesmo uma estátua.  

Ao longo dos tempos, as gentes de Paredes foram-se dedicando às artes do mobiliário que evoluíram de forma significativa ajustando-se, hoje, às novas tecnologias e métodos de fabrico de acordo com os gostos e exigências do “modus-vivendi”. O concelho ocupa lugar de destaque no que à produção de móveis em Portugal diz respeito.

O florescimento económico do concelho, deve-se, em grande parte, à disponibilidade de capitais, trazido pelos emigrantes dos brasileiros nos finais do século XIX e inicio do século XX, regressaram à região, contribuindo, assim, directa e indirectamente, para o desenvolvimento da indústria mobiliária, quer pelo investimento directo nalgumas fábricas, quer pelas encomendas de mobiliário feitas por esses brasileiros, quer ainda pelo mobiliário que trouxeram do Brasil e que inspirou os marceneiros locais. A relação tradição/modernidade desta da arte de trabalhar a madeira nas suas diferentes vertentes sustentam um produto turístico-cultural denominado “Rota dos Móveis”.

Como resultado de todo um processo de desenvolvimento, Paredes é elevado à categoria de cidade em 20 de Junho de 1991, reunindo todos os requisitos exigidos pela lei vigente. O excessivo crescimento demográfico e notável desenvolvimento económico do concelho, convergidos a diferentes freguesias, fizeram que em 2003, as freguesias de Baltar, Cête, Recarei, Sobreira e Vilela fossem elevadas a Vila e as freguesias de Gandra, Lordelo e Rebordosa fossem elevadas à categoria de Cidade.

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publicado por picodavigia2 às 17:40

IGREJA E MOSTEIRO DE VILAR DE FRADES

Quinta-feira, 30.01.14

Dedicada a São Salvador, a igreja de Vilar de Frades e o mosteiro dos Lóios, que lhe é anexo, localizam-se no sopé do monte Airó, junto à margem esquerda do rio Cávado, na freguesia de Areias de Vilar, concelho de Barcelos, distrito de Braga. O conjunto arquitectónico ainda hoje existente faz parte do complexo do antigo convento da Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista que aí estabeleceu a sua primeira casa-mãe, tendo sido, antes, um mosteiro beneditino e hoje é Monumento Nacional. A sua arquitectura é notável, imponente e bela, com destaque para a abóboda da igreja e para o portal manuelino da fachada principal, do lado contrário à torre sineira, que se cuida ter pertencido ao templo primitivo.

As origens deste mosteiro beneditino remontam ao séc. VI e aos tempos em que São Martinho de Dume, apostado em estender o movimento monacal e a cristianização, entre Douro e Minho, era bispo de Braga. O convento, ocupado nessa altura pelos monges beneditinos, terá sido quase totalmente destruído em 714, a quando de uma investida muçulmana. A reconstrução da obra, por nobres locais empenhados em ajudar os reis na Reconquista Cristã, verificou-se apenas em 1070, mantendo-se sob a alçada da Ordem Beneditina, até ao início do séc. XV, altura em que passou a ser uma abadia secular, sob o padroado da arquidiocese de Braga, realizando-se, então, mais algumas obras de restauro. É por essa altura que a Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista ou frades Lóios, ali estabeleceu a sua primeira casa-mãe. Os seus reitores e abades, no entanto, vão adquirindo, aos poucos, alguma autonomia em relação ao arcebispado bracarense, ao mesmo tempo que vão anexando ao convento várias igrejas da região, dando um poderio crescente à Ordem, no Norte do País. Além disso, a Congregação ainda foi, paralelamente, conquistando muitos favores, indultos, graças, isenções e privilégios por parte de reis e papas.

Após o abandono por parte dos frades Lóios a igreja degradou-se e as instalações do mosteiro foram votadas ao abandono, passando a servir de cavalariça e celeiros de particulares.

A igreja voltou a sofrer obras de consolidação e restauro, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e do Instituto Português do Património Arquitectónico, a partir de 1990, nomeadamente alterações nas coberturas, limpezas e drenagens, estabilização de estruturas, limpeza e isolamento de alfaias litúrgicas e cantarias, sondagens arqueológicas, bem como obras de reabilitação das fachadas e caixilharias do edifício da igreja e restauro das salas do mosteiro, actualmente ocupado pelos frades da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Segundo reza a história, neste mosteiro situava-se, outrora, o túmulo de um "Santo Abade" junto do qual acorriam muitos crentes em busca de curas milagrosas. A prova da sacralidade deste túmulo, dizia-se, estava num extraordinário fenómeno de que, sempre que um animal profanava o túmulo, ao passar-lhe por cima, acontecia ficar imediatamente com uma perna partida.

Sob o ponto de vista arquitectónico, exteriormente e para além do portal manuelino da fachada principal, há também, na torre sineira, um portal e uma janela de características românicas, vestígios do mosteiro original. Esta torre, rectangular e com sabor defensivo, é encimada por ameias e por uma águia, símbolo da Congregação dos frades Lóios. Por sua vez, o dorso do templo é coroado por três pares de pináculos, um dos quais (o da frontaria) foi transplantado para o cimo do escadório, à entrada do pátio. Faz parte também deste conjunto arquitectónico, um chafariz, de grande interesse histórico e artístico, existente no pátio conventual e que é composto “por um tanque circular, com uma coluna ornada com elementos vegetalistas e rematada por uma coroa real sustentada por quatro águias, sob as quais correm quatro bicas” e que data do século XVII. No adro da capela há ainda um pelourinho seiscentista. Consta, também, que era pertença deste mosteiro, um outro chafariz, outrora localizado no pátio do convento e que foi transferido para a cidade de Barcelos e colocado no Largo da Praça Nova, em frente à Igreja do Bom Jesus da Cruz.

Quanto ao interior, o templo é constituído por uma nave, uma peça única, pavimentada de granito e dela se separa a capela-mor por um arco de volta perfeita, com capitéis de ordem toscana. O tecto, um dos traços de maior beleza arquitectónica do templo, é constituído por uma abóbada de madeira pintada de azul, com nervuras cruzadas. O frontão apresenta um óculo que, presumivelmente, terá sido “tapado” por um alpendre, durante as obras de restauro do início do século passado. Existem também vários revestimentos nas capelas com azulejos seiscentistas. O altar-mor é constituído por uma peça de talha imponente, datado de 1697. Destacam-se ainda, na sacristia, duas telas do século XVIII, de Pedro Alexandrino e algumas valiosas esculturas. A capela também incluía um púlpito e um retábulo em talha dourada. O retábulo original foi, posteriormente, substituído por um de estilo barroco. Um inventário datado de 1834, menciona a existência de um retábulo neoclássico de mármore de várias cores, frisos e relevos dourados e, segundo documentos da Torre do Tombo, a capela incluía duas esculturas de Nossa Senhora do Socorro, “uma pequena de um palmo de altura, e outra maior de cinco palmos, ambas com uma coroa de folha-de-flandres e a maior com o menino Jesus ao colo”. Do conjunto arquitectónico da igreja e mosteiro de Vilar de Frades ainda faz parte, à entrada, um alpendre de arco abatido apoiado em duas colunas e um muro exterior com um portão de entrada, encimado por um nicho com a imagem de São Lourenço Justiniano que se cuidam ser reminiscências do templo medieval.

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O MILAGRE DO MILHO

Quinta-feira, 12.12.13

Nos férteis campos do Douro Litoral, pais e filhos trabalhavam de sol a sol porque era deles que tiravam tudo o que era necessário para o seu sustento – milho, legumes, batatas e vinho. Em Março e Abril, quando os dias começavam a tornar-se maiores e mais quentes, jungia-se uma ou duas rezes à charrua, lavrava-se a terra ainda húmida das chuvas invernais e deixavam-se ficar as leivas e os torrões a secarem e como que a aquecerem-se ao Sol, durante alguns dias. Depois desfaziam-nos e transformavam-nos em terra fina que se alisava, umas vezes com enxadas e ancinhos, outras com uma grade puxada por animais, transformando os campos em enormes e fofos tapetes acastanhados. De seguida voltava-se à rabiça do arado, atrelavam-se os bois e traçavam regos paralelos e simétricos uns aos outros, de uma extremidade à outra dos extensos campos. Às mulheres competia a tarefa de semear o milho. Calcorreando os campos atrás do arado, retiravam punhados de grãos de uma cesta que levavam enfiada no braço, atiravam os grãos com tanta agilidade e perícia que eles caiam direitinhos no rego, muito bem alinhados uns à frente dos outros, como se fossem soldadinhos numa parada militar. Cada rego fechava-se com o abrir do seguinte, tapando assim os grãozinhos que ali ficavam a germinar durante alguns dias. Por fim a terra era de novo gradeada e alisada para que os grãos ficassem todos muito bem escondidinhos e assim germinassem mais facilmente, com a ajuda do Sol e da chuva dos dias seguintes. Não tardava muito e era um regalo ver o milho a crescer, a crescer, muito verdinho e espevitado. Nas extremidades do campo e nos lugares mais abrigados pelos bardos das beiradas ficavam pequenos canteiros de batatas, feijão, ervilhas e melões, misturados com as couves, as alfaces e o cebolo. Em Abril e Maio, quando o milho ainda estava miudinho, homens e mulheres em conjunto sachavam e mondavam os campos, de lés a lés, retirando as ervas daninhas e os pés de milho mais bastos para que os outros crescessem à vontade. Nos dias seguintes o campo transformava-se num enorme tapete de folhas verdes, caneladas e pontiagudas, ladeadas pelos canteiros onde floresciam couves repolhudas e as ervilhas e os feijoeiros começavam a trepar pelas estacas de cana que eram espetadas aqui e além. Os milheiros cresciam de dia para dia, as suas folhas entrelaçavam-se umas nas outras e balouçavam como ondas ao sabor das brisas matinais e os caules, canelados e esguios, tornavam-se altíssimos, enfeitando-se lá no alto com umas flores estranhas que cobriam os campos com um manto esbranquiçado e fofo. Algum tempo depois nos caules enrijecidos começavam a formar-se espiguinhas cabeludas que iam crescendo e alourando ao Sol do estio. Em Setembro as espigas amadureciam por completo e procedia-se à apanha. As mulheres arrepelavam dos caules já muito amarelados e envelhecidos as espigas maduras e recolhia-as em enormes cestos, enquanto os homens os iam acarretando para os carros ou para as lojas de arrumos, nos campos juntos das casas. Depois cortavam-se as folhas e os caules e guardavam-se para alimento dos animais.

Era o milagre do nascimento dos grãos de milho e do seu crescimento.

Algum tempo depois marcava-se o dia da desfolhada. Todos, mas sobretudo os mais jovens, esperava ansiosamente essa noite de sonho e de magia.

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publicado por picodavigia2 às 20:46

CASA COM JANELAS PARA| O SOUSA

Segunda-feira, 02.12.13

Casa pobre, humilde, modesta e muito antiga, mas com duas janelas voltadas para o rio Sousa. As paredes de um castanho amarelado, de tal maneira despidas de cal, deixavam ver os pedacinhos de xisto com que haviam sido construídas e que, semelhantes a tabuinhas, se sobrepunham e entrelaçavam uns nos outros, em camadas simétricas e rendilhadas que iam do chão ao telhado e se prolongavam ao longo dos muros e paredes circundantes. Tinha um aspecto muito tosco e rústico, com portadas de madeira carcomida pelo tempo, sem grandes vidraças e com dois andares. No rés-do-chão ficavam as lojas de arrumos, uma adega muito pequenina, a cozinha e a retrete. O primeiro piso, a que se tinha acesso apenas por uns degraus exteriores também de xisto e ladeados por um corrimão de ferro enferrujado, era constituído por uma sala e dois quartos e eram estes que tinham as janelas voltadas para o Sousa, porque a casa, na realidade, ficava muito perto, mesmo nas margens deste afluente do Douro, um rio de águas límpidas, cristalinas e azuladas, repletas de uma imensidade de barbos, carpas, bogas e outros pequenos peixes que se movimentavam em loucas correrias, em constantes rodopios e em simulados ziguezagues. O Sousa deslizava calma e suavemente, atravessando uma planície onde, de um lado e outro das suas margens, se escarrapachavam campos atulhados de milho e com ramadas de vinha a servir-lhe de tecto e se acomodavam terrenos divididos por beiradas de amieiros, choupos e videiras, todos muito férteis e produtivos. No Inverno, enquanto aguardavam as sementeiras, os campos com as vinhas despidas de folhagem, tinham um aspecto avermelhado e escurecido, mas na Primavera revestiam-se com o verde dos milheirais, dos legumes e das vides e no Verão começavam a amarelecer até alourarem por completo no Outono. A ladear a casa e também com as portas voltadas para o rio, as cortes onde os animais se aninhavam, refastelando-se em descanso à espera de sustento e da do destino.

Casa com janelas para o Sousa gasta e desfeita pelo tempo!

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publicado por picodavigia2 às 15:06

A MATANÇA DO PORCO NO DOURO LITORAL

Sexta-feira, 29.11.13

O dia que Mariana mais adorava era o da matança do porco. Nesse dia nem ia à escola. A mãe preparava tudo com muita antecedência. A enorme salgadeira, os alguidares, os caldeirões e as panelas, tudo era muito bem limpo e lavado. Na véspera Mariana ajudava a descascar uma enorme quantidade de alhos, a arranjar os temperos e a preparar as toalhas branquinhas enquanto o pai aprontava o colmo para a chamusca.

Nesse dia, a casa não se enchia de gente como na desfolhada, mas a azáfama era muito diferente e mais divertida do que a da vindima. Não era costume vir nem os vizinhos nem os amigos, porque todos tinham que preparar as suas matanças nesses dias. Apenas vinham os tios, os primos e os avós. De manhã cedo, quando o dia ainda não clareara de todo, chegava o Senhor Joaquim, o matador que o pai contratava todos os anos e que trazia umas facas enormes. Juntamente com o pai e os tios agarravam o cevado, amarravam-lhe as pernas e punham-no em cima duma pequena mesa que se guardava de ano para ano. Mariana de longe, apreensiva e cheia de medo, tapava os ouvidos com ambas as mãos para não ouvir os gritos de aflição que o porco emitia ao ser apanhado. A mãe, de avental novo ao peito, aproximava um alguidar do pescoço do porco e enchia-o com o sangue que se esvaía a jorros do buraco que lhe havia feito a faca certeira do senhor Joaquim. De seguida dividia o sangue em duas partes: uma para coagular e fazer o sarrabulho para a ceia, enquanto juntava à outra metade umas gotas de vinagre e deitava-a num alguidar, para mais tarde a misturar aos bocadinhos da carne da barriga com que se haviam de encher as chouriças. Com a palha do colmo retirada do centeio e transformada em espécies de vassouras, a que ateavam fogo, os homens chamuscavam o porco de uma ponta à outra. De seguida com baldes de água e sabão azul o suíno era lavado e esfregado com pedras e ramos de carqueja até ficar totalmente branquinho e limpo que era um regalo. Depois pegavam-lhe e levavam-no em ombros para a loja de arrumos, onde era amarrado de pernas para o ar, aos tirantes que seguravam o soalho do piso superior. A mãe limpava-o todo com um pano de linho, preparado exclusivamente para este fim e que depois de lavado era novamente guardado para o ano seguinte. O matador, com um enorme facalhão, abria-o de cima para baixo e retirava-lhe o fígado, os bofes, o coração, as tripas e a bexiga. As tripas eram embrulhadas em panos, de maneira a não secarem, a fim de que mais tarde fossem muito bem lavadas no rio. O porco ficava aberto e com umas canas a esticar-lhe a barriga, a fim de que a carne arejasse. Por cima das patas o pai colocava-lhe o redanho como que a simular um manto. E assim ficava até ao dia seguinte, escorrendo em fio um líquido avermelhado e sujo, recolhido numa bacia que lhe era colocada debaixo da cabeça. A mãe já havia preparado e guisado os miúdos com pedacinhos de batata e, com o fígado, fizera umas deliciosas iscas de cebolada. É que o dia começara cedo e a fome apertava. De tarde Mariana acompanhava as tias que iam ao rio lavar as tripas muito bem lavadinhas enquanto a mãe ficava em casa a preparar o unto para fazer o pingue. À noite, todos voltavam a sentar-se à mesa onde as papas de sarrabulho ferviam no velho caldeirão de ferro e exalavam um cheirinho a noz moscada e a cominhos que enchia a casa e, juntamente com o fumo, saía pelos telhados e se propagava pela vizinhança. No dia seguinte voltava o senhor Joaquim com as suas facas para desmanchar o porco. Tirava o redanho para que a mãe o derretesse. Depois extraía a carne da barriga destinada aos rojões, da qual separava as aparas para as chouriças. De seguida, cortava-lhe a cabeça, preparava as orelheiras e dividia o corpo em duas partes, das quais tirava os coelhos. Era com estes que a mãe fazia os melhores salpicões. Depois cortava as pás, tirava as costelas e as tiras da barriga que seriam guardadas na enorme salgadeira. Finalmente cortava os presuntos, que eram colocados juntamente com os salpicões num molho feito de alho, sal, vinho e louro e onde permaneciam durante alguns dias, antes de irem para o fumeiro. De modo semelhante eram temperados os ingredientes com que mais tarde seriam feitas as chouriças. Seguiam-se dias e dias de fumeiro, com a queima de rama verde, para o tornar mais lento e demorado. Depois os presuntos eram passados por vinha-d’alhos e postos em sal. Mariana ajudava a mãe em todas estas tarefas e com ela partilhava uma enorme tristeza quando algum presunto, ou porque o tempo estivesse mais quente ou porque não tivesse curado bem, se estragava.

 

C.F. texto retirado do conto “Mariana” e elaborado com a colaboração da Srª Dona Augusta Ribeiro, auxiliar de acção educativa na E. B. 2/3 de Paredes

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publicado por picodavigia2 às 21:15

VINHO VERDE

Sábado, 16.11.13

O Vinho Verde é um vinho de excelente qualidade, raro, produzido, exclusivamente, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, com epicentro no Douro Litoral e Minho, constitui uma denominação de origem controlada cuja demarcação remonta a 1908. O Vinho Verde é único no mundo! Trata-se de um vinho leve e fresco, produzido no numa região costeira geograficamente bem localizada para a produção de excelentes vinhos brancos. Berço da carismática casta Alvarinho e produtora de vinhos de lote únicos, a Região dos Vinhos Verdes oferece um conjunto ímpar de vinhos muito gastronómicos.

Com moderado teor alcoólico, e portanto menos calórico, o Vinho Verde é um vinho fácil de beber, óptimo como aperitivo ou em harmonização com refeições leves e equilibradas: saladas, peixes, mariscos, carnes brancas, etc.

A flagrante tipicidade e originalidade do Vinho Verde resulta, por um lado, das características do solo, clima e factores sócio-económicos da Região dos Vinhos Verdes, e, por outro, das peculiaridades das castas autóctones da região e das formas de cultivo da vinha. Destes factores resulta um vinho naturalmente leve e fresco, diferente dos restantes vinhos do mundo.

Existem Vinhos Verdes, brancos e tintos, rosés e espumantes. Existem também vinagres de vinho verde, aguardentes de vinho verde e reconhecidas bagaceiras.

Os vinhos produzidos nesta Região Demarcada têm uma agradável frescura e devem ser consumidos quando jovens. O Vinho Verde é o segundo vinho português mais exportado, depois do vinho do Porto.

As principais castas são, para os brancos, o Loureiro, o Alvarinho, o Arinto e a Trajadura. Para os tintos são o Vinhão e para os rosés o Espadeiro

 

Elementos retirados de panfletos publicitários.

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publicado por picodavigia2 às 21:50

ROTA DO ROMÂNICO – VALE DO SOUSA

Domingo, 03.11.13

A Rota do Românico do Vale do Sousa é uma rota turístico-cultural, composta por 21 monumentos de estilo românico na região do Vale do Sousa. Esta rota surgiu a partir da necessidade, entendida pelos poderes políticos locais, de aproveitar o potencial de qualificação cultural e turística e desenvolver de forma sustentável a região. Assim e por iniciativa conjunta dos municípios do Vale do Sousa, foi criada esta rota, graças ao Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do Sousa, em colaboração com o Instituto Português do Património Arquitectónico e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Inicialmente, constituíam a Rota do Românico 19 monumentos identificados na região. Algum tempo depois, juntam-se mais dois e contratualizam-se os direitos e deveres de todas as entidades envolvidas, bem como o conjunto base de acções necessárias para a dinamização desta interessante iniciativa cultural e turística. Além disso, a criação desta rota turística teve um outro interesse, por quanto os monumentos a ela pertencentes foram alvo de várias obras de restauro e de conservação, entre 2003 e 2007.

Em Março de 2010, deu-se um novo alargamento da Rota do Românico, passando a abranger, agora, todos os municípios da sub-região do Tâmega, passando, os seus membros, de seis para doze. Aos concelhos pertencentes à Associação de Municípios do Vale do Sousa - Paredes, Penafiel, Lousada, Felgueiras, Castelo de Paiva e Paços de Ferreira - juntaram-se os concelhos de Amarante, Baião, Celorico de Basto, Marco de Canaveses, da Associação de Municípios do Baixo Tâmega, e ainda Cinfães e Resende.

No contexto do românico português, a arquitectura românica do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares e muito regionalizadas.

No que à escultura diz respeito, esta mostra uma personalidade muito própria optando, quase sistematicamente, por elementos vegetalistas. A sua singularidade reside nos temas e nas técnicas. Nos capitéis e nos longos frisos a escultura é muito bem desenhada e plana, utilizando a técnica do bisel, muito utilizada nas Épocas Visigótica e Moçárabe. Correspondendo, quase sempre, a reformas românicas de igrejas anteriores, as novas construções utilizaram modelos patentes nas antigas igrejas pré-românicas, então reformadas, e inspiraram-se nos reportórios decorativos da Sé Velha de Coimbra, da Sé do Porto e da Sé de Braga/São Pedro de Rates, formando uma nova sintaxe, muito própria e muito regionalizada.

Nas igrejas do Tâmega e Sousa poucas vezes pontua a figura humana. Já os temas animalistas surgem sustentando os tímpanos dos portais, tendo claramente a função de defender as entradas do templo.

A arquitectura desta região adopta, geralmente, cabeceiras de perfil rectangular, embora haja exemplos mais eruditos que utilizam absides semicirculares, e fachadas onde se encaixam portais bastante profundos. Na maioria dos casos não existem, nestes portais, programas figurativos, mas o cuidado posto no seu arranjo e a profusão da escultura que ostentam mostram a vontade de os nobilitar e defender.

A Igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel, constitui um monumento nuclear no contexto da arquitectura românica da região. Terá sido em Paço de Sousa que se forjou uma corrente com base na tradição pré-românica influenciada, igualmente, por temas originários do românico de Coimbra e do Porto, dando origem ao que designou por românico nacionalizado. Este dialeto privilegia a decoração vegetalista aplicada em capitéis, frisos e impostas, usualmente plana, executada a bisel e de nítido desenho.

Outro dos aspectos mais significativos e peculiares da arquitectura românica do Tâmega e Sousa reside na aceitação dos modelos construtivos e das soluções decorativas, próprias da época românica, durante longo tempo.

A Rota do Românico recebeu, também, inúmeros prémios a nível nacional e internacional.

 Nesta rota destacam-se, entre outros, os seguintes monumentos: Ermida da Nossa Senhora do Vale, Paredes, Igreja de Santa Maria (Meinedo), Lousada, Igreja de Santa Maria de Airães, Felgueiras, Igreja de São Gens de Boelhe, Penafiel, Igreja de São Mamede de Vila Verde, Felgueiras, Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios, Penafiel, Igreja de São Pedro de Cete, Paredes, Igreja de São Pedro de Ferreira, Paços de Ferreira, Igreja de São Vicente de Sousa, Felgueiras, Igreja do Salvador de Aveleda, Lousada, Igreja do Salvador de Cabeça Santa, Penafiel,  Igreja do Salvador de Unhão, Felgueiras, Igreja Matriz de Abragão, Penafiel, Marmoiral de Sobrado, Castelo de Paiva, Memorial da Ermida, Penafiel,  Mosteiro de Paço de Sousa, Penafiel, Mosteiro de Pombeiro, Felgueiras, Ponte de Espindo, Lousada, Ponte de Vilela, Lousada, Torre de Vilar, Lousada e Torre do Castelo de Aguiar de Sousa, Paredes.

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publicado por picodavigia2 às 23:38

LENDA DO RIO DOURO

Terça-feira, 29.10.13

Como muitos outros rios também o Rio Douro anda envolvido num episódio lendário. E diz-se que, no momento da criação, quando Deus procedeu ao lançamento dos rios pela terra, com a determinação do dia em que dariam início à marcha para o destino comum — o mar —, o Douro se deixara adormecer. Assim, não pôde partir na hora aprazada pois só lembrara a prescrição ao acordar do seu sono pesado.

Com a maior surpresa, ainda estremunhado, o Douro pôde ver que os outros rios já serpenteavam nos vales, cortando serras e dividindo montes, em cumprimento dos propósitos fixados por Deus para seu fadário. Face ao seu descuido, passado o momento da estupefacção, cobrou ânimo e pensou na maneira de levar a cabo a recuperação. Então, para ganhar o que perdera com o seu descanso, empreendeu uma corrida difícil, mas decidida e corajosa, descendo fragas, atravessando montanhas, partindo rochas, galgando penedias, até que atingiu o oceano atlântico muito antes dos outros, apesar destes terem saído mais cedo, mas que preferiram escolher um trajecto com terrenos mais suaves.

 

Fonte Biblio VALLE, Carlos Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.422

 

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publicado por picodavigia2 às 16:53

A IGREJA MATRIZ E OUTROS MONUMENTOS ARQUITECTÓNICOS DE VILA DO CONDE

Terça-feira, 27.08.13

Quem passa por Vila do Conde não pode ficar indiferente à quantidade e variedade de monumentos arquitectónicos que a cidade possui. Terra milenária e, no dizer de José Régio, “espraiada entre pinhais, rio e mar”, a cidade de Vila do Conde, na realidade, encerra no seu seio um conjunto notável de monumentos históricos com destaque para a igreja Matriz, para o Convento de Santa Clara e a igreja gótica que lhe é anexa.

Dedicada a São João Baptista, a igreja Matriz de Vila do Conde, cuja construção recebeu forte impulso, segundo ainda hoje se conta, com a passagem e estadia na cidade do rei D. Manuel I, é de facto um belo monumento, datado dos séculos XV e XVI, revelando, consequentemente, um estilo arquitectónico de declarada transição entre o gótico e o manuelino. O gótico é mais notório na fachada exterior, nomeadamente no pórtico da entrada principal, ladeado por uma notável torre sineira, enquanto no interior de três naves, separadas por quatro arcos de volta inteira, assentes em pilares com capitéis, se revela mais o estilo manuelino, já com alguns sinais do barroco. De realçar ainda algumas imagens, nomeadamente a do padroeiro em pedra ançã, a pia baptismal, o púlpito, os retábulos de talha dourada e a capela da Senhora dos Mareantes, esta a necessitar de restauro urgente. Anexo à igreja e numa pequena sacristia existe um Museu de Arte Sacra, fenómeno pouco vulgar nas igrejas portuguesas, mas extremamente louvável, que se encontra permanentemente aberto ao público e onde estão expostas, para além de estatuária diversas dos sec.s XVI, XVII e XVIII, alfaias litúrgicas diversas e de grande interesse histórico, com realce para uma bela casula romana de cor branca bordada e debruada a ouro.

O património arquitectónico de Vila do Conde, no entanto, não se fica por aqui. A igreja de Santa Clara, anexa ao convento do mesmo nome, é um interessantíssimo monumento gótico do sec. XVI, onde repousa um dos filhos bastardos de el-rei D. Dinis, Afonso Sanches e a esposa, em duas das mais belas obras-primas da estatuária fúnebre portuguesa. Ao lado restos de um antigo mosteiro gótico, do qual esta igreja faria parte, com destaque para um fontanário, ainda existente, celebrando a chegada da água através de um famoso aqueduto, do qual sobram muitas ruínas que percorrem grande parte da cidade e da qual são uma espécie de ex-libris. Sobre este mosteiro gótico foi construído, no sec. XVIII, o actual convento de Santa Clara.

Um visitante atento, no entanto, na cidade de Vila do Conde ainda poderá apreciar muitos outros monumentos dos quais se destacam: o pelourinho, o edifício dos Paços do Concelho, a igreja de S. Francisco, a igreja da Misericórdia, o Forte de S. João Baptista, a igreja da Senhora da Lapa, as capelas da Sra da Guia e do Socorro, variadas casas senhoriais restauradas e muitos outros edifícios com fachada manuelina. Nas freguesias limítrofes da cidade são notáveis a igreja românica de Rio Mau, a igreja Matriz de Azurara, o povoado pré-romano de Bagunte e o castro de Labruge.

 

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VINDIMAS NO DOURO

Sábado, 24.08.13

Em casa dos pais de Mariana, a vindima era feita no mês de Outubro. É verdade que não era uma folia tão animada e divertida como a desfolhada. As uvas não eram muitas mas o trabalho era árduo e pesado. O pai de Mariana passara meses e meses a podar os bacelos e a enxertar e a amarrar as videiras a estacas de pedra granítica e aos amieiros e carvalhos das beiradas que circundavam o campo onde o milho crescia a olhos vistos. Quando as vides já cobriam os bardos de um verde muito escuro e os cachos começavam a desabrochar, suspendendo-se graciosamente das latadas ou pendurando-se desordenadamente nas beiradas, o pai passava horas e horas de máquina a tiracolo a sulfatá-las uma a uma. Depois, já amadurecidas e muito apetitosas, as uvas eram colhidas e levadas em cestos para o lagar, onde eram esmagadas. Durante os dias seguintes exalava do mosto um cheiro perfumado, acre e doce que se propagava por toda a casa.

Para além destes dias verdadeiramente diferentes para Mariana, os restantes dias do ano eram de uma verdadeira monotonia. Levantava-se cedo e seguia para a escola, onde fazia ditados, resolvia problemas, estudava os rios e as serras, os reis e as batalhas, os vertebrados e invertebrados. Na hora de leitura a senhora professora juntava todas as meninas à volta da secretária, por trás da qual ficavam, ladeando um crucifixo pendurado na parede, as fotografias de Craveiro Lopes e Salazar, para lerem à vez e contarem histórias. Terminadas as aulas regressava a casa, ajudava os pais, tomava conta do Zezito e fazia as cópias e as contas que a Dona Ermelinda mandava. Apenas os domingos e os dias de festa em que os pais não trabalhavam no campo eram diferentes.

A festa que Mariana mais adorava era o Natal. Todos os anos faziam, na sala, um enorme presépio com as figurinhas de barro que a mãe trouxera das Caldas: o Menino Jesus, Maria, José, os três Reis Magos, os anjos, os pastorinhos e muitos aldeões que circulavam à volta da gruta, por caminhos cobertos com serrim de madeira e ladeados por casinhas também de barro e por leivas de musgo a imitar os campos onde pastavam as ovelhitas. Mas o que Mariana mais ansiava era a noite de Natal. Nessa noite a ceia era na sala e a mãe enchia a mesa de iguarias deliciosas que aprendera a fazer com a avó da Trofa: rabanadas, formigos, aletria e sopas secas que enchiam a casa de um agradável cheirinho a canela. Terminada a ceia partiam, às vezes com o Zezito já a dormir, para a missa do galo.

O pai ficava cá fora com os homens, enquanto ela e a mãe entravam na igreja, sentavam-se e esperavam em silêncio ou rezavam baixinho, até que o sacristão, viesse tocar uma campainha, anunciando que a missa ia começar. Os homens que aguardavam lá fora entravam para o coro e para os lugares do fundo, enchendo a igreja por completo. Toda a gente se levantava e fazia-se um enorme silêncio. O pároco saia da sacristia todo vestido de branco e, segurando na mão o cálice devidamente coberto com um véu esbranquiçado, dirigia-se para o altar-mor, fazia uma enorme genuflexão e bichanava as primeiras orações em latim, às quais apenas o sacristão respondia. O povo, de joelhos batia com a mão direita no peito e inclinava a cabeça. Pouco depois, o padre aproximava-se do centro do altar, voltava-se para o sacrário e erguendo os braços, entoava o “Glória”, ao mesmo tempo que o sacristão voltava a badalar prolongadamente a campainha enquanto os sinos repicavam e a igreja se enchia de luz, de cor e de alegria. Terminada a missa, entoavam-se cânticos de Natal e o pároco dirigia-se para o presépio que ficava do lado direito da capela-mor. Recebendo o turíbulo fumegante, balouçava-o diante das enormes figuras de Maria, José e do Menino, enchendo o templo de fumo e de cheiro a incenso. De seguida tomava o Menino nas mãos e colocando-se junto à grade que separava a capela-mor do cruzeiro, dava-o a beijar aos fiéis. Mariana, juntamente com as outras crianças, incorporava-se nos primeiros lugares da longa fila que se formava à espera de vez para beijar o Menino Jesus e para depositar, na cestinha que o sacristão mantinha na mão, os vinte centavos que a mãe lhe dera na véspera.

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publicado por picodavigia2 às 18:06

A RUA DR JOSÉ BRAGANÇA TAVARES ENGALANADA

Quinta-feira, 08.08.13

A minha rua, a quem aprouveram denominar de Dr José Bragança Tavares, aqui para os lados da Fonte Sacra, na cidade de Paredes, a exemplo ou seguindo as pisadas de todas as outras ruas e artérias da mesma cidade, e possivelmente das ruas de muitas outras cidades do norte do país, engalanou-se de alto a baixo, hoje, nesta tarde de Páscoa, para receber com pompa e circunstância a “Visita Pascal”, ou seja o tradicional “Compasso” nortenho,  acompanhado pelos os harmoniosos, estridentes e nada habituais por estas bandas, sons duma filarmónica. Dando cumprimento a uma secular tradição religiosa, algumas cruzes, devidamente ornamentadas e acompanhadas pelo singelo badalar de campainhas, transportadas por acólitos vestidos de branco e homens trajando opas vermelhas, durante largos minutos, percorreram os passeios, ultrapassaram os portões e halls e entraram pelas casas, assinaladas, fora da porta, com os tradicionais “tapetinhos de flores” anunciando a Boa Nova da Páscoa, enquanto a filarmónica expelia acordes melodiosos e cadenciados, num bucólico e nada habitual peregrinar por estas bandas. Das varandas e janelas, outrora ornamentadas com colchas multicolores (o que hoje em dia já rareia) ou debruçados em pátios e terraços o povo aclamava, acompanhava, rezava e manifestava gestos de alegria, de paz e de felicidade, anestesiando, por momentos, o tumulto, e o burburinho quotidianos e frenéticos desta diariamente bastante movimentada Circular Rodoviária Interna de Paredes que liga Mouriz a Penafiel.

 

Texto colocado no dia 4 de Abril, domingo de Pásco, de 2010

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publicado por picodavigia2 às 17:56

A NOIITE DE SÃO JOÃO NO PORTO

Segunda-feira, 24.06.13

Embora festejado em muitas outras cidades, vilas e aldeias de Portugal, assim como por toda a Europa, deve ser a cidade do Porto aquela que mais entusiasmada e fantasticamente festeja a noite mágica de S. João.

A festa de S. João, no Porto, origina uma grandiosa manifestação de pessoas que se agregam e reúnem de forma natural, eminentemente festiva, de puro cariz popular e que dura a noite inteira. Não apenas um bairro nem dois bairros, nem sequer todos os bairros ou a cidade inteira mas é o Norte em peso, que sai à rua e se organiza em alegre e fraterno convívio colectivo. Por todas as ruas e vielas, sobretudo da Baixa, da zona Ribeirinha, das Fontainhas e do Cais de Gaia passeiam milhares de pessoas, empunhando o alho-porro ou os martelos de plástico, com os quais trocam, reciprocamente, carícias, mimos e carinhos, acompanhados de gentis sorrisos, ao mesmo tempo que se compram manjericos e outras bugigangas de plástico, a maioria agora importada da China. Comem-se sardinhas assadas, febras, costeletas e caldo verde, vitualhas que proliferam por inúmeras, curiosas e tradicionais tasquinhas. Os que ficam em casa, depois de jantar a tradicional sardinha assada, atiram ao ar balões multicolores que brilham nos céus como sóis iluminados sob o impulso do fumo e o calor de uma chama que consome uma mecha de petróleo ou resina. A noite de S. João no Porto cheira a gente que se diverte, a magia, a manjerico, a erva-cidreira, a alegria, a convívio, a poesia popular e às cores do arco-íris.

À meia-noite tem lugar um já tradicional e admirável espectáculo de fogo-de- artifício no Rio Douro. Um estupendo espectáculo de cor, som e alegria que ilumina a noite inteira.

Após o espectáculo a festa e as rusgas espalham-se pelos recantos da cidade e difundem-se de bairro em bairro, de freguesia em freguesia só terminando ao nascer do Sol. Por todas as ruas da cidade, nessa noite, registam invulgares enchentes de povo organizam-se bailaricos, espontâneos e variados e compram-se as ervas santas e as plantas aromáticas com evidente predominância do manjerico, a planta símbolo por excelência desta festa, o alho-porro, os cravos e a erva-cidreira.

E no Porto a festa tem como ponto de honra as cascatas S. Joaninas. Pelas montras e janelas coloca-se a imagem do Santo, num altar com o seu inseparável carneirinho e um sem fim de elementos da natureza ou outros referenciais da própria festa.

É por tudo isto que a noite de S. João, no Porto, nos transporta indelevelmente a um mundo fantástico de magia, de convívio, de som, de cor, de serenidade e de alegria.

Não há noite como a de S. João, no Poro, este amo enriquecida e iluminada com um deslumbrante espectáculo de Lua Cheia, que a tornou ainda mais mágica, mais deslumbrante e mais bela.

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publicado por picodavigia2 às 11:07

O MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE VILA BOA DO BISPO

Domingo, 09.06.13

Vila Boa do Bispo é uma freguesia pertencente ao concelho do Marco de Canavezes, no distrito do Porto, situada nas vertentes ocidentais dos montes de Rosem e ladeada pelas freguesias de Sande, S. Lourenço do Douro, Ariz, S. Paio de Favões, Rosem e Avessadas. É atravessada pelo ribeiro do Lourido e a sua parte mais baixa é banhada pelo rio Tâmega.

A sua história remonta a tempos anteriores à fundação da nacionalidade e muito provavelmente por ali terão existido não só povoações romanas mas também castros celtas, iberos e celtiberos. Sabe-se que o nome de “Vila” lhe foi dado por D. Afonso Henriques, quando a visitou, em 1141, tendo-lhe, nessa altura, concedido couto (1). Por outro lado o nome de “Boa” advém-lhe do facto de o seu solo ser realmente muito fértil e produtivo. Finalmente o nome de “Bispo”, tem a ver com a fundação, na freguesia, de um mosteiro a cuja história está ligado o Bispo do Porto, D. Sisnando (1049-1070). Altura em que a sede da diocese do Porto era Meinedo.

Em Vila Boado Bispo existiu um Convento dedicado à Virgem Maria, o qual durante muitos anos foi mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e de que ainda existem vestígios na actual igreja paroquial. Este mosteiro foi fundado por D. Moninho Viegas no ano de 990,  em cumprimento de um voto feito durante a batalha de Valboa ali realizada, na qual conquistou aos mouros o castelo de Monte de Arados. D. Moninho Viegas teve papel importante na reconquista cristã e distinguiu-se como importante conquistador de terras aos mouros na região de Ribadouro. No final da sua vida recolheu-se a este mosteiro, professou e tornou-se monge, sabendo-se que teve uma vida exemplar, sendo sepultado no mesmo mosteiro. O bispo do Porto, na altura com sede em Meinedo, de que a igreja primitiva ainda ali existente seria a Sé, D. Sisnando, era irmão de D. Moninho e depois de ter governado a diocese com grande sabedoria e dedicação e também de ter combatido os mouros durante longos anos,  como era apanágio dos bispos naquela altura, resignou à mitra portuense e recolheu-se neste mosteiro, tornando-se monge.

Reza a lenda que D. Sisnando ia todos os dias celebrar missa a uma capela que por ali perto existia, sendo, a certa altura e enquanto celebrava missa, martirizado pelos mouros, recebendo assim a palma do martírio em prol da fé cristã. O seu corpo foi sepultado nessa mesma capela, debaixo do altar-mor, mas anos mais tarde foi transladado para o mosteiro e o seu túmulo assim como o do fundador ainda se podem encontrar ao entrar na actual igreja do mosteiro, do lado esquerdo da porta principal. D. Sisnando teve fama de santo pois a ele se atribuíram muitos milagres e o seu corpo foi encontrado intacto a quando da sua transladação.

Na actual igreja paroquial de Vila Boa do Bispo encontram-se muitos vestígios da história e da evolução da arquitectura do convento. São visíveis traços românicos nalgumas portadas e janelas, não fosse o românico predominante à altura da sua construção. Há vestígios góticos em portas que não foram totalmente tapadas mas o estilo predominante e ainda existente é o barroco, bem visível na talha dourada da capela-mor, no púlpito bem como um coro lateral, possivelmente destinado aos proprietários de um solar vizinho. O tecto da capela-mor é forrado de frescos, representando os apóstolos, os evangelistas e doutores da igreja. A maioria deles está destruída e é irrecuperável. Salvaram-se os de Santo Agostinho, São Teotónio, São Mateus, São Tiago e poucos mais. Um pormenor interessante é o da imagem da padroeira, estar encastoada no arco do transepto, também ele em talha dourada, que separa a capela-mor do corpo da igreja e dali nunca poder ser retirada. O convento foi reformado em 1605 e revela muitas outras alterações ao seu estilo inicial.

O mosteiro de Santa Maria da Vila Boa do Bispo, embora pouco conhecido, é, incontestavelmente um marco importante na história e na cultura da freguesia, da região e até do país, por quanto revela de grandioso e de sublime não apenas nas suas formas arquitectónicas mas também na sua história e nalgumas lendas que a ele estão ligadas. Foi lá que, há três anos, se baptizou a Zizinha. Hoje, foi a vez da Ritinha ser baptizada neste mesmo templo, baluarte insigne de factos históricos memoráveis.

 

 (1) - Na Idade Média, coutos eram concessões régias de terras doadas à Igreja e ao clero. Mas a palavra “couto”, também significa o complexo dos privilégios e das imunidades do território que o clero possuía. Imunidade define-se como a proibição de entrada de funcionários régios, a inexistência de impostos da Coroa e o exercício, pelo senhor, da autoridade pública, com autonomia administrativa, judicial e financeira. Acrescente-se que as terras doadas aos nobres se chamavam “honras”, enquanto as doadas ao povo se chamavam “reguengo

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publicado por picodavigia2 às 21:33

SANTIAGO DE SUBARRIFANA

Sábado, 08.06.13

A freguesia de Santiago de Subarrifana, encravada entre os rios Sousa e Mesio, pertence ao concelho de Penafiel, faz fronteira a nordeste com o concelho e cidade de Paredes e possui um interessante templo dedicado a São Tiago e que a nova via rodoviária, a ligar a estação de comboios de Penafiel, pôs a nu, uma vez que o seu trajecto lhe passou ali, mesmo ao lado. Trata-se duma pequena freguesia situada n extremo ocidental do concelho, de Penafiel e cujo nome sintetiza a sua própria história. Em tempos recuados Santiago era uma minúscula povoação, abaixo de Arrifana, o primitivo nome de Penafiel, situada bem lá no alto. Nessa altura, o seu termo pertencia à honra de Moázares, pertença de Egas Moniz e que, mais tarde, transitou para a posse de sua filha, D. Urraca Viegas, ama da infanta D. Mafalda, filha de D. Sancho I. Segundo rezam as Inquirições de 1220, ordenadas por D. Afonso II, o território da actual freguesia de Santiago de Subarrifana estava integrado no arcediago de Penafiel e constituía um curato da apresentação da reitoria de S. Martinho da Arrifana. Durante grande parte da sua história, este curato esteve anexo à paróquia de antiga freguesia de S. Tiago de Louredo, que hoje já não existe e era designado por Santiaguinho. Em meados do século XVI, alcançou a autonomia eclesiástica, sendo, nessa altura, construída a actual igreja. A partir de então a localidade conheceu um desenvolvimento notável, obtendo a sua autonomia administrativa a 6 de Março de 1934.

O que de facto mais se destaca no património da freguesia é a Igreja Paroquial, um edifício simples e de pequena dimensão, com campanário adossado ao lado direito da fachada e a Quinta de Monterroso, constituída por um solar setecentista. Trata-se de um edifício de três pisos, sendo que o último deles é ligeiramente recuado em relação aos anteriores. Sobressai, nas fachadas central e lateral, o grande número de janelas simétricas. A ponte românica sobre o rio Sousa, toda em pedra é, também, uma referência importante e significativa do património local. Por sua vez, os açudes do rio Sousa, os velhos moinhos e as margens do Sousa e do Mesio também têm interesse turístico. Mas o que mais ressalta é o interessante templo, até porque enquadrado num conjunto arquitectónico, rustico de rara beleza e interessante singularidade.

 

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publicado por picodavigia2 às 17:57





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