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DELÍRIO

Segunda-feira, 23.03.15

O mar,

quando emaranhado de bravura

traz-me

uma onda de tumulto,

uma safra de revolta .

 

É o grito das marés

a despejarem-se,

inconscientes

sobre um cais de lava apodrecida.

 

O bramir das ondas

é eterno!

Sobre ele construirei

uma cabana coberta de choupos

onde as gaivotas

se esconderão nas noites de invernia.

 

Depois, irei permanecer

silencioso,

à espera que renasça

a mais sublime e delirante brisa matinal.

 

- Por favor, deixem-me permanecer neste delírio.

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publicado por picodavigia2 às 21:26

TERRA MATER

Sábado, 14.03.15

Há gemidos de lava morta

sobre o chão ressequido.

 

As ondas voltaram,

numa safra alterosa.

 

A chuva cai, ritmada

num frenesim miudinho,

como se não tivesse medo da escuridão.

 

Todas as violas se calaram.

 Não há retorno das auroras destemidas.

 

A Terra,

apesar de mãe,

envolve um tremendo sufoco.

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publicado por picodavigia2 às 10:43

PÉ DE URZE

Quarta-feira, 11.03.15

A bruma desceu pela encosta,

Rebolou-se no mar,

Enchendo-o de nada.

 

Tudo é opaco!

 

Apenas me resta

Este pé de urze,

Amachucado pelo vento norte.

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publicado por picodavigia2 às 12:14

A VOZ DO MAR

Quarta-feira, 28.01.15

A voz do mar traz amargura,

vem carregada de dor

e perde-se entre os labirintos dos baixios..

 

A voz do mar traz mágoa

vem carregada de tristeza,

e espalha-se sobre o cais deserto.

 

A voz do mar…

atormenta.

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publicado por picodavigia2 às 22:35

MÃE SENHORA

Segunda-feira, 08.12.14

Mãe:

sobre o restolho do lodo apodrecido

esmagaste o estrondo das vielas desertas.

 

Mãe:

sobre o raiar duma aurora atordoada

semeaste o perfume dos trigais abandonados.

 

Mãe:

sobre o sufoco duma aventura cerceada

resgataste o brilho das ondas revoltadas.

 

E apenas tinhas,

ao teu lado,

uma titubeante brisa matinal.

 

Mãe:

Senhora!

 

 

 

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publicado por picodavigia2 às 12:20

PARTIDA

Sexta-feira, 21.11.14

Deixa ficar comigo o sol de Agosto

E espreme numa taça estilhaçada,

O sumo duma flor, a seiva, o mosto,

O perfume de cada madrugada.

 

Acende a luz do mar, grava teu rosto,

Na espuma cristalina, esbranquiçada.

Cerceia minha dor, este desgosto,

Esta mágoa infinita e malfadada.

 

Depois podes partir... Mas eu te aviso:

Cada flor nascerá sem um sorriso,

Neste rio desfeito e de espuma.

 

A esperança há-de sumir-se, uma a uma,

E a raiva, a dor, a morte, a vida em suma,

Farão sentir o fim do Paraíso.

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publicado por picodavigia2 às 07:41

A TARDE E O SILÊNCIO

Quarta-feira, 19.11.14

A tarde

é um suave muro de cristal,

o mar

um ténue manto de cambraia.

 

Há muito silêncio perdido sobre a terra.

 

Mulheres, vergadas à velhice

vagarosas e trémulas,

dedilham camândulas desfeitas.

 

Homens, pejados de rugas e cicatrizes,

amparados a bordões de araçá,

lembram Américas perdidas.

 

Um bando de gaivotas

dança, em cio.

 

Uma criança de olhos de água,

rola um arco.

 

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publicado por picodavigia2 às 21:45

ESFINGE

Segunda-feira, 17.11.14

Esfinge de delícias, ambulante

Em áurea e divinal sublimidade,

Em passos de ternura. Soledade

Duma visão sublime, delirante.

 

Espargindo doçura, radiante,

Benéfica, sublime divindade,

Revelando amor e santidade,

Eu te contemplo estático e hesitante.

 

Sinto o perfume ténue e consagrado,

Querido a uns, por outros desprezado,

Que emana de teu ser, a suavizar-te.

 

E num êxtase sublime, de temor,

De angústia, de doação, d’ânsia, d’amor,

Sinto-me feliz, só, a contemplar-te.

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publicado por picodavigia2 às 00:20

DANÇA DO MAR

Domingo, 09.11.14

Eu quero voltar ao mar,

P’ra apanhar uma sereia,

Dançar com ela na praia,

Em noites de Lua Cheia.

 

Eu quero voltar ao mar

P’ra apanhar uma ganhoa,

Colocar-lhe um laço ao peito,

Na cabeça uma coroa.

 

Eu quero voltar ao mar

P´ra apanhar uma onda mansa,

E ser levado por ela

Na aragem da bonança.

 

Eu quero voltar ao mar

P’ra apanhar a maresia,

Saltar baixios e escolhos

Em gesta de fantasia.

 

Eu quero voltar ao mar

(Foi no mar que eu nasci)

Apenas p’ra lhe dizer:

- Não posso viver sem ti.

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publicado por picodavigia2 às 18:30

AMANHECER VÁCUO

Terça-feira, 28.10.14

A noite revoltou-se envolta em bruma!

Mas o limiar da manhã - sonsa invernia -

Ressurge, fantasiado de magia...

Expelindo alvoradas, uma a uma.

 

O mar, o céu, a terra e o vento em suma

Trazem o doce som da maresia.

Se há rastro de tormenta ou lavadia

Do canto das gaivotas nasce espuma.

 

Quebra o silêncio o Sol a dealbar,

Anunciando que a safra vai seguir.

Fecunda? Já há barcos a partir,

 

Velas brancas as ondas a rasgar.
Levam sonhos, esperanças e vontade…

…No regresso? Balouçam vacuidade.

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publicado por picodavigia2 às 07:02

A TORRE

Quarta-feira, 27.08.14

Indomável,

fatídica

esta torre

deslumbra!

 

Do alto,

zunem os sinos,

ecos memoráveis

 

Na base,

unem-se os pilares.

harmonia delirante.

 

Ao meio

o indelével terraço

  (sem janela)

onde florescem girassóis.

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publicado por picodavigia2 às 11:31

O AMARGO LAMENTO DE UMA ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTOS

Quinta-feira, 21.08.14

Tu que me plantaste aqui,

na esperança que eu desse frutos;

 

Tu que decidiste o meu destino,

plantando-me nesta encosta desconexa,

sem outras arvores ao redor

e sem pássaros de azas azuis.

 

Tu que chegaste ao cúmulo

de me abandonares neste deserto nocturno,

onde as sombras me envolvem

e as manhãs de ventura nunca retornam.

 

Colhe, agora o amargo sabor das minhas folhas

e ergue uma taça de nicotina

em memória dos meus frutos fenecidos.

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publicado por picodavigia2 às 20:55

MAR

Terça-feira, 12.08.14

Mar,

na tua voz de búzio derrelicto,

há um silêncio contuso

um vulto abafado de vulcão .

Há nas tuas ondas um rumor acrisolado,

um sulco de lava, imperfeito.

Sobrevoam-te, em danças contundidas,

bandos de ganhoas amordaçadas.

 

Há na tua calma

um reboliço contundente de paixão.

No teu seio

navegam barcos sem velas e sem rumo

e as praias são desertos magoados.

 

No cais, de onde, outrora, partiam caravelas,

Constróis madrugadas de desejos.

Já não há jangadas de madeira carcomida,

E as sombras das gaivotas desfizeram-se

Sobre restos de navios naufragados.

 

Há baixios e laredos a arder,

Rochedos submersos e desfeitos,

Há vulcões mortos e sem brilho.

 

A tua água, silente, espelha,

uma canção perdida no horizonte,

um sorriso de donzela perturbada!

 

Mar de espuma obstruída…

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publicado por picodavigia2 às 21:09

QUERO VOLTAR AO MAR

Terça-feira, 29.07.14

Eu quero voltar ao mar,

Disfarçada de sereia,

P’ra encontrar meu amor

Trazido p’la maré cheia.

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publicado por picodavigia2 às 10:40

SILÊNCIO

Terça-feira, 15.07.14

Este silêncio,

Despejado sobre o cais deserto,

Não sabe a maresia.

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publicado por picodavigia2 às 09:45

VÉU DE BRUMA

Sábado, 21.06.14

Entre os soluços duma tarde amordaçada,

Há um manto de fumo branco sobre a terra.

O mar é um cachão de espuma que se verte,

Em dolentes golfadas, sobre o cais deserto.

 

Há gaivotas perdidas em voos lascivos

E o vento perfumou-se d’hortelã e funcho.

No horizonte, um barco desenha ilusões,

Ali, ao sul, a outra ilha é mais distante!

 

As marés deserdaram as rochas da lava

E disseram à Lua que nunca acordasse

Sem o alegre retoiço dum brando marulhar.

 

Atrás, muito longe, há uma sombra, um vulto,

Uma estátua de deusa, de musa ou sereia

Que rasga este véu de bruma, em tarde retesada.

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publicado por picodavigia2 às 07:56

PRAIA

Quarta-feira, 04.06.14

Tu,

maré-cheia

perdeste-te nesta praia

e eu sem te puder acudir…

 

O que buscas

afinal?

 

o amparo

de um cais,

 

o canto

duma ganhoa,

 

o retorno

ao mar alto,

 

ou o aconchego

desta praia,

onde eu me perco,

também…

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publicado por picodavigia2 às 20:19

VAI E VEM

Sábado, 31.05.14

Vai onda boa,

Vem onda bela.

Mágoa encantada,

Doce piela.

 

Vai onda bela,

Vem onda boa

Se a maré enche,

Logo se escoa.

 

Vai onda boa

Vem onda bela

Quero partir,

Num barco à vela.

 

Vai onda bela,

Vem onda boa

Mar encapelado

Ninho de ganhoa.

 

Vai onda boa,

Vem onda bela.

Sombra encarnada

Flor amarela.

 

Vai onda bela,

Vem onda boa.

Vem onda bela,

Vai onda boa.

 

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publicado por picodavigia2 às 22:47

A SAFRA DA RETORTA

Domingo, 25.05.14

Quantas vezes te demandava,

Retorta,

E ficava,

Sentado nas tuas margens,

À espera que chegasse

A maré cheia

E as tuas águas

Se enchessem

De peixes

De espuma

E de sabor a maresia.

 

Depois,

Empolgado,

Lançava

O meu velho caniço

De bambu,

Com fio de nylon

E anzol recheado de isco.

 

 

Rateiros,

Sargos,

Peixes-reis,

Castanhetas

E uma ou outra garoupa.

 

Era a safra da Retorta,

A pequena safra

Da minha pesca,

Na Retorta.

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publicado por picodavigia2 às 00:33

MARÉS PERDIDAS

Quinta-feira, 15.05.14

Somem-se, na praia deserta

Marés doridas e buliçosas.

O cais está cheio,

coberto de espuma.

 

Ao redor,

há um cheiro a algas agonizantes.

 

O vento sul

parece um louco

Atira ao ar, golfadas de espuma,

(como se vomitasse barris de água

num oceano seco

reflectido em papoilas adormecidas)

 

 

Ali irão fenecer todas as marés

 

Só um fiador de silêncios perdidos,

poderá reconfortá-las

- trazer-lhes alento -

mesmo que água já não tenha volúpia

e o pôr-do-sol já tenha perdido todas as cores.

 

E até o feitiço do mar

se escondeu numa gruta

envolto no reboliço das marés perdidas

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publicado por picodavigia2 às 13:36

PEDRA DE LAVA

Terça-feira, 13.05.14

pedra de lava

 gerada no princípio do oceano

entre os silvos estridentes das sereias

 

ao longe

a voz do vento, esguia e sem pudor

ilumina as velas dos barcos perdidos

e harmoniza

a safra ressequida dos que partiram sem destino

 

ao perto

ergue-se uma onda de silêncio

a perturbar os dolentes murmúrios das marés

 

nem a quietude dos rochedos desertos

se resigna

 

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publicado por picodavigia2 às 10:22

MARESIA

Domingo, 04.05.14

em vão se revoltam as ondas,

transformando este mar numa afronta, num suplício

onde os barcos se recusam a partir e até as gaivotas

arribam, desoladas, ao silêncio molhado das rochas escuras…

 

e num ápice, o turbilhão emaranhado das ondas ,

transforma-se em tempestade calamitosa,

cresce em fúria, acalenta-se em revolta

e tudo bloqueia, como se fosse o rei do universo.

 

faz tanto vento e a chuva associa-se à tempestade

a noite ainda está distante mas as luzes já tremem de medo…

sobre as rochas tingidas de lava,  

foram despejadas rajadas de escuridão húmida.

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publicado por picodavigia2 às 22:47

LITANIA DO MAR

Sexta-feira, 02.05.14

Mar,

brejo incomensurável

de ondas e cachões d’espuma,

-  rochedos de lava, areais de prata.

 

Mar,

refluxo azulado

de naufrágios e horas amargas ,

- barcos perdidos, horizontes vermelhos.

 

Mar,

reboliço voluptuoso

de marés incontidas e de ondas abruptas

 - varadouros de rilheiras carcomidas

 

Mar,

estância sufocada

de algas murchas,  arrancadas aos rochedos

 - gaivotas escorraçadas em cio

 

Mar,

poema  estraçalhado

escrito por quilhas, rimado por remos

 -  quadras e sonetos sem versos.

 

 

Mar,

castelo solitário,

tabernáculo de sereias, cubículo piratas

- sonhos desenhados em brisas dispersas.

 

Mar

aconchego agreste

de brumas, tempestades e caligens,

 - epicentro de viagens perdidas.

 

Mar

de palavras debruadas a prata  

lembranças, de sonhos e desejos de sol

 - canto dolente, cio de liberdade.

 

Mar

hino inacabado

de estigmas e de lágrimas derramadas,

- percursos perdidos, destinos incertos

 

Mar

das madrugadas infinitas

onde a voz do vento embala e entontece

- as velas que partem sem destino. 

 

Mar

cais abandonado

onde o voo das gaivotas rompe a solidão:

-  a hora do embarque foi adiada

 

Mar

gesta inacabada

do pão, da morte, da vida e da saudade

- esperança paramentada de amargura.

 

Mar

roteiro da grande viagem

onde, no acordar de cada madrugada,

 - me vejo, revejo e me encontro comigo

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publicado por picodavigia2 às 18:16

TRIBUTO AO ALVOROÇO

Quinta-feira, 24.04.14

sobre uma rocha negra,

junto ao mar,

solitária,

uma gaivota,

olhando o infinito,

remoí

silêncio.

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publicado por picodavigia2 às 21:26

MOMENTO MÁGICO

Segunda-feira, 21.04.14

Amanheceu! Um bando de gaivotas

Em bailados de cio. Doces lamentos…

Esvaídos em magma, eivados de tisna,

Que as marés branqueiam. Há suco verde,

 

Limos encharcados, no cais deserto.

Que importa se da terra, se do mar?

Porque as ondas não param de sorrir,

De os embalar em seu manto d’espuma.

 

Há um rio de silêncio. Alguns barcos

Ainda dormem. A faina é incerta!

De onde sopra o vento? Não se sabe…

 

Mas quando o Sol, no seu trono, rasga o véu,

O mar é um espelho renascido

E o cais um reboliço de esperança.

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publicado por picodavigia2 às 14:21

CANÇÃO DE EMBALAR

Sábado, 19.04.14

Eu nasci junto do mar!

O meu berço era uma poça

Meu primeiro colar,

Era feito de conchinhas….

 

Embalaram-me as marés

E brinquei com os peixinhos,

Ouvi cantar as sereias

Vi o furor das procelas.

 

Minha casa era uma furna,

Entre os baixios esconsos.

De dia corava ao Sol

À noite entrava-lhe a Lua.

 

Agora, longe do mar,

Sem peixes nem conchinhas,

Sinto que ainda me embala

O vai e vem das marés.

 

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publicado por picodavigia2 às 21:52

SÓ MAR

Sábado, 12.04.14

Quando eu era criança,

vivia numa fajã,

pejada de arvores frondosas,

prados verdejantes

rochas robustas

ribeiras ousadas

mas encafuada entre veredas e maroiços.

 

À minha frente,

o mar…

... só o mar,

que eu adorava

mas que me obstruía todos os caminhos

e me cerceava todos os desejos.

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publicado por picodavigia2 às 17:54

MAR BRAVO

Segunda-feira, 07.04.14

O vento trouxe a tempestade

e todas as ondas perderam a quietude

e arremessaram-se, contra as fragas,

num frenético vaivém

como se estivessem loucas,

ou fossem rouxinóis

à procura das fêmeas

em dia de cio.

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publicado por picodavigia2 às 11:23

DEPOIS DO CAIR DAS FOLHAS

Sexta-feira, 28.03.14

Das árvores sem folhas

Cai um silêncio acabrunhado:

Apenas o chão se cobre

De um amarelo rude.

 

Nos ramos ressequidos,

Entre limos e musgos,

Há uma gotinha de água.

Trouxe-a o vento norte.

 

A terra tímida, escurece,

E salpica-se de brumas

Como se fosse o fim do dia.

 

Ao longe, o mar soluça, baixinho,

Como se teimasse em adormecer.

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publicado por picodavigia2 às 21:08

PRIMEIRA VIAGEM

Domingo, 23.03.14

Havia uma nuvem a desfazer-se

No azulado lívido do céu.

 

Havia uma ganhoa pousada

No manto negro de um penedo.

 

Havia respingos de marés,

A dançarem, como se fossem noivos entontecidos.

 

E a tarde esmoronava-se, apressadamente,

Sob o derradeiro raiar de um dia de sol.

 

No porto, em solavancos apressados,

Um barco acabava de varar.

 

Ali, no silêncio do anoitecer,

Terminava a minha primeira viagem.

 

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publicado por picodavigia2 às 15:40





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