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DESTROÇOS

Quinta-feira, 12.01.17

 

Vejo formas desfeitas, em cachão.

Inconstantes visões de santidade!

Sou louco, pois consinto a identidade,

Satisfaço rumores, dou a mão.

 

Espargindo um sonhar, em solidão

Fixam-se em mim sem dó nem piedade

E pedem-me, arrogantes, liberdade…

Há dom, há alvedrio, há gratidão.

 

Sou eu que me desfaço em vã desculpa,

Que me abrigo no elo do não-ser,

Agrilhoado à dor. Trágicos lamentos!

 

Não se perdem em vão tantos tormentos!

Pretendo só lavar a minha culpa,

Transportando esta dor, este sofrer.

 

Fajã Grande das Flores, Verão de 68.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

BALADA DAS SOMBRAS MORTAS

Domingo, 28.02.16

 

À noite, pelas encostas, se desprendem

Sombras, em divinal solenidade,

Sombras eternas, nimbos de saudade.

Qu’umas vezes, tristonhas, me repreendem,

 

Outras, doces e alegres, compreendem

Minha dor, meu tormento e soledade.

- rilheiras de tremenda lenidade -

E os meus sonhos de amor como que entendem.

 

Mas o luar, em esferas de destino,

Arrogante em seu ser, quase divino,

As transforma, desfaz, reduz a lombras.

 

E eu fico só, sonhando amordaçado

O exalar impossível de um passado,

Desfeito pela morte destas sombras.

 

Angra, 1966

 

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NOVAMENTE ERREI

Quinta-feira, 31.12.15

 

Mais uma vez em meu olhar descrente,

Se formou nova imagem, nova luz,

Que infinita e incógnita reduz

Meu ser à escravidão, eternamente.

 

Foi toda a minha esperança que em ti pus;

Me entreguei em doação terna e ardente,

Na procura do amor que, debilmente,

Purifica, extasia e a ti conduz.                                          

 

Errei nessa doação, que de sublime,

De nobre, de infinito, nada tem.

E que nem o amor mais puro a redime.

 

Nada! Nenhuma luz, nenhuma imagem…

Mas em meu peito iludido se imprime,

Tristeza tão infinita como o além.

 

Angra, 31 de Dezembro de 1967

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publicado por picodavigia2 às 10:53

O VIZINHO ATORMENTADO

Sábado, 21.11.15

 

Descendo a escadaria amarelada,

Uma vizinha impõe-se, em seu pijama,

Desdenhosa, elegante! Uma dama!

Uma brisa na fresca madrugada!

 

Da janela enviesada, ainda na cama,

O vizinho, bem preso à almofada,

Contempla esta visão imaculada,

Mais parecendo um sonho que um drama!

 

- Em pijama, na rua, a esta hora?

Lhe pergunta o magano atrevidote.

- Pois saiba que se assim ando na rua

 

É porque durmo na cama toda nua.

- Que marido sortudo. Mas que dote!

Ter a mulher despida a qualquer a hora!...

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publicado por picodavigia2 às 00:05

À BEIRA MAR

Quarta-feira, 09.09.15

Sobre uma pedra negra, escurecida,

Sentei-me, atormentado, à beira-mar.

Meditando, procuro o dealbar,

O mistério e o enigma, duma vida.

 

Silêncio… Inconstante e adormecida,

Lá longe, muito longe, a vislumbrar,

Esquivando-se a meu dolente olhar,

A premência duma alma entontecida.

 

Quimeras de ilusões se me formaram,

Esperanças momentâneas me domaram.

Encharcadas de dor! Triste lamento…

 

Sentado, sobre a pedra, hesitante,

Eu idealizo em golpe crocitante,

Os restos de um amor. Santo tormento! 

 

F G, Agosto de 1966

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ENTARDECER

Domingo, 28.06.15

 

A tarde amortecida se espraiava

Sobre os casais, sombrios, desolados.

E os montes inquietos, desprezados

Na dolência do Sol que se finava.

 

No silêncio das águas derramava

Matizes de um azul, acrisolado.

Sobre o cais um destino malogrado

Que o choro das gaivotas derramava.

 

Nas pedras estagnadas, bem se lia

A tristeza de uma noite a despontar

O cansaço de um dia a terminar.

 

Só eu aquela tarde não sentia…

E assim permaneci, desiludido,

Alheio à natureza, embevecido.

 

Angra 28 de Junho de 1966

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publicado por picodavigia2 às 00:07

SUPOR

Sábado, 02.05.15

Rastro! Sopro espectral que me persegue,

Que anda a meu lado e sopra deslizante

Que me transforma em sonho agonizante

E me assalta em deserto: - Tuaregue!

 

Se arrependido o esqueço, então consegue,

Esconder-se em carcaça cativante.

Que saia deste escombro e doravante,

Seguro, se revele, se entregue,

 

Porque adoro este vulto transcendente.

Sua ausência é para mim atormentada,

Chego mesmo a pensá-lo omnipotente.

 

Ouso até perguntar-lhe se é o amor.

Sorridente, com voz mitificada

Ele responde: -Não, sou o supor.

 

Angra, 21 de Abril de 1966

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NOSTÁLGICO LUAR

Terça-feira, 28.04.15

O nostálgico luar de minha vida,

É sonho nobre, dádiva cativa

É esperança de amor, distinta e altiva

Quimera de ilusão imerecida.

 

É ânsia morta, em céus desfalecida,

É sombra que desfeita se cultiva

Se transforma em risonha perspectiva

De ser, não-ser, ou ideia indefinida.

 

É sopro de inconstância acrisolado,

Esforço de sofrer em lentidão

Estagnar de desfeita estagnação.

 

É um não sei quê de uma alma arrebatada,

Que se embala na esperança da saudade,

Se perde. Dolorosa crueldade!

 

Angra, 28 de Abril 1967

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publicado por picodavigia2 às 09:48

ANÁTEMA INSIPIENTE

Quarta-feira, 11.03.15

Não fui eu!” … Ó anátema d’esperança!

Ó grito que evapora a inocência,

Que ressoa em constante resistência

E se perde sem dom, sem segurança,

 

Eterno juramento que se alcança

Com ilusão de amor. Doce excelência

E se há um afirmar da intransigência

Há sopros de ventura. E se balança

 

O logos divinal… É dom sublime,

É um êxtase de amor. Talvez um céu,

Que com a ânsia da saudade se exprime

 

Ó transcendente amor!... E quem sou eu

Que tua palavra eterna não redime,

E o teu anátema louco não perdeu.

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publicado por picodavigia2 às 22:16

NASCIMENTO DO DESPREZO

Domingo, 08.03.15

Vagueava o amor. Ogivas de ternura.

Enlevos arrogantes de amizade.

E eu… preso, acorrentado à soledade.

Só! Navegando em barcos d’amargura.

 

É ódio a pedra que vão se procura.

Escravo d’ousadia, d’ansiedade,

E d’ilusão. Tremenda a crueldade

Que me prende. Arrogante desventura!

 

Se eu esqueço o sofrer que se evapora,

Há um mar de ilusão acrisolada,

Um gemido de arrogância magoada.

 

E o desprezo, na alvura da aurora,

Renasce, lança amor e rodopia.

E adormece em dolente nostalgia.

 

Angra, 1966

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publicado por picodavigia2 às 17:17

CARIÁTIDE II

Sexta-feira, 26.12.14

Alguns há, que seguros da tua ausência,

Te calcam aos pés, talvez convencidos

Que os destroços que pisam são resíduos

Que evaporou a natureza em sua demência.

 

Outros há que procuram tua essência,

Entre ruinas de templos já destruídos,

E de esforços d’arte enriquecidos

Dão à tua antiga forma revivência.

 

Exposta num museu, tu és agora,

Um ídolo que ostentam solenemente,

Uma maravilha de arte que se adora.

 

Ajoelhado, ante ti, puro e limpo

Eu quero contemplar-te, tão-somente.

Assim como adorada no Olimpo!

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publicado por picodavigia2 às 17:26

CARIÁTIDE

Quinta-feira, 28.08.14

Alguns há, que ao terem-te presente,

Te calcam aos pés, talvez convencidos

Que os destroços que pisam são resíduos

Que evapora a natureza, demente.

 

Outros, porém, procuram, docemente

Entre as ruinas de templos destruídos,

Destroços de arte. Depois, enlouquecidos,

Dão-te forma, dão-te alma, dão-te mente.

 

Exposta num museu, tu és agora,

A maravilha de arte que se adora,

Um ídolo de mármore, puro, limpo.

 

Ajoelhado, ante ti, ergo preces.

E contemplo-te, como se estivesses

No sossego perpétuo do Olimpo.

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publicado por picodavigia2 às 11:22

MOMENTO

Quinta-feira, 24.07.14

Atroz sobressaltar de meus enganos,

De meus erros, de minhas ilusões.

Seguro confirmar de tentações

De desejos maléficos, profanos.

 

Esperança sonhadora de meus anos,

Perenes, dolorosas ilusões

Em místicas e eternas doações.

Estáticos e imóveis desenganos!

 

Débil correspondência de meu ser!

Despojado de tudo, pobre e vão,

Estagnado de eterno amortecer.

 

Engano perspicaz de uma evasão,

De um contínuo e seguro esmorecer

Deixando-me pra sempre em solidão.

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publicado por picodavigia2 às 16:11

LUTA CONTRA A MORTE

Quinta-feira, 17.07.14

Eu vi fugir a morte e ausentar-se

A angústia de ficar, um dia, inerte...

Obstruído sonhar!... Mas que desperte,

Que continue em mim, a perpetuar-se.

 

Vi angústia da morte evaporar-se,

Envolvendo-se em sombra que se verte,

Se dispersa, evapora e até se perde,

Num oceano de espuma, a balouçar-se.

 

Eternamente ser... Na solidão

Do cosmos. Que deserto!... Que tormento!...

Que a morte nunca seja a ilusão

 

De ser somente dor ou sofrimento

E eu eterno, imortal, rio ou vulcão,

Ou apenas um simples pensamento.

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publicado por picodavigia2 às 01:07

ABANDONO

Quarta-feira, 07.05.14

Orvalho matutino derramado,

Na intempérie de um estro adormecido,

Reflexo de um deserto esquecido

Sobre cinzas e areias. Desolado!

 

Orvalho ténue, desfeito, caído,

De destino cruel desembainhado

Em sôfrego lamento assinalado

Em estranho pensar sempre envolvido.

 

Tu és talvez alguém que se perdeu

Que na ânsia de encontrar, nunca encontrou

Na certeza de dar, nunca se deu.

 

Tu és talvez alguém que à dor se converteu,

Que nos laços da morte se embalou

E distante de mim sempre viveu…

 

Angra 1976

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publicado por picodavigia2 às 19:59

SONHO MATERNAL

Sexta-feira, 14.03.14

Julguei-me em teu regaço a descansar,

Como fiz, tantas vezes, em criança,

E teu sublime amor reconquistar,

Num beijo de ternura e d’esperança.

 

Senti-me navegar em segurança,

E num berço d’espuma me embalar,

Sonhando que teu ser também alcança,

O amor que do meu vejo evaporar.

 

E ouvi, porque, baixinho, me dizias:

- Descansa em meu regaço, confiante,

Porque te amo, meu filho! - Radiante,

 

Julguei, ó minha mãe, que ainda vivias,

Que eras o sol, o amparo de meus dias!

Foi em vão que sonhei!... Foi um instante!

 

Angra, 1966

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