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TERCEIRO

Quarta-feira, 22.01.14

(UM POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

Estas casas, onde a sabedoria dos arquitectos nada fez

 e os caminhos de corção nos quais as pedras

 são, mais que pedras, a força

 de as ter trazido e plantado

 sob os passos futuros;

 

e estas paredes dividindo,

contendo,

sobre o corpo do chão,

cerrados e courelas

e belgas trepando

- duras cordas de cinza -

 pelos flancos dos outeiros até onde

 permite o vento uma qualquer

utilidade vegetal;

 

estas terras

revolvidas,

minadas,

com maroiços nas margens e moledos esparsos;

estas árvores,

mais velhas que a memória

dos mais velhos dos velhos:

laranjeiras disformes,

figueiras torcidas

alastrando, subindo;

 

e os poços,

as levadas,

as pontes,

 

ISTO TUDO!

flores de diligência e força

com raízes de tino,

 

ei-la, é a nossa

história.

 

Que não foi escrita

- nomes de heróis -

nos compêndios.

 

Grande de mais para palavras mortas.

 

Pedro da Silveira in Sinais de Oeste 1962

 

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publicado por picodavigia2 às 07:48





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