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TERÇO DO ESPÍRITO SANTO

Segunda-feira, 02.06.14

Desde os primórdios do povoamento das ilhas açorianos que o seu povo, frequentemente, fustigado por crises sísmicas e temporais, implorava o auxílio divino, centrando a sua fé na Terceira Pessoa da Trindade - o Espírito Santo. Assim aconteceu, também, em São Caetano, freguesia onde, na realidade, desde os tempos mais remotos se enraizou uma profunda, convicta e autêntica devoção ao Espirito Santo, a qual tinha a sua expressão mais visível, por um lado, nas funções realizadas ao longo do ano e, por outro, na festa, celebrada na Terça-feira de Pentecostes. As funções consistiam em pagamentos de promessas feitas ao Divino Espírito Santo por um mordomo, geralmente um emigrante, e que consistiam na partilha do pão e da carne pelos mais pobres - em louvor do Paráclito. No final da celebração da missa, o mordomo era, solenemente, coroado, com o principal símbolo do Espírito Santo – a coroa. Por sua vez a festa, para além da celebração eucarística incluía um cortejo em que os irmãos transportavam em açafates ornamentados com toalhas com rendas e bordados artesanais, as suas ofertas de pão, sob a forma de rosquilhas e que seria distribuído por todo o povo. O que também era característico destas festividades era preparação espiritual das mesmas, através das novenas, realizadas antes de cada festa ou função, durante as quais o povo se reunia, em casa do mordomo, para cantar o “Terço do Espírito Santo”. Tratava-se duma celebração ancestral, de caris profundamente religioso e que, muito provavelmente, remontava aos primórdios do povoamento da ilha e aos tempos em que a mesma era abalada por crises sísmicas sucessivas e frequentes, de tempestades violentas e destruidoras, como se pode depreender do conteúdo de alguns dos textos ainda hoje cantados. As novenas tinham lugar em casa do mordomo, em cuja sala de fora era preparado um altar onde se colocava a coroa e o ceptro, ladeado pelas bandeiras e ornamentado com as melhores toalhas e cortinas brancas, geralmente vindas da América, com tecido vermelho, flores da época e esparto. O terço era cantado durante os nove dias que antecediam cada celebração, quer se tratasse da festa ou de uma função e, no final, partilhava-se vinho de cheiro e massa sovada. O terço constava de cinco partes, durante as quais se repetia uma invocação ao Paráclito, dez vezes seguidas, sendo que o orientador da novena cantava a primeira parte e o povo a segunda, situação que se alternava nas invocações seguintes. Acrescente-se que o Terço era cantado por todos os presentes, homens, mulheres, jovens e crianças, com um respeito profundo e uma devoção intensa, uma fé verdadeira e genuína, consubstanciando um acto religioso comunitário, muito digno e autêntico. No final do canto do terço, enquanto se cantava o hino “Alva Pomba”, o ceptro passava de mão, a fim de que cada um dos presentes, o osculasse com o maior respeito e dignidade.

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publicado por picodavigia2 às 10:05





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