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TI MANUEL LUÍS

Segunda-feira, 26.05.14

Ti Manuel Luís, de seu nome Manuel Luís de Fraga, nasceu, na Fajã Grande em 1885 e era irmão de Ti Antonho do Alagoeiro, ambos nados e criados na Tronqueira. Ti Manuel Luís casou com Maria Dias Avelar, em 24 de Junho de 1907. Era filho de Manuel Luís de Fraga e de Mariana Luísa da Assunção e ela filha de Francisco Dias de Avelar e de Maria de Jesus Dias, natural do Lajedo.

A senhora Dias, como era conhecida, era hábil em tratar doenças e maleitas, tendo curado muita gente na freguesia. Lembro-me de em criança, ser levado poe minhas tias â sua casa, na Tronqueira, a fim de que me tratasse duma terrível tosse convulsa de que fora vítima. Ela, sentada na sua sala, num enorme cadeiral, tratou-me com um carinho e uma atenção extraordinária. Contava-se que quando o seu primeiro filho nasceu, teria um pequeno defeito na mão esquerda, uma vez que a meio da falange do dedo mínimo, tinha implantado uma espécie de sexto dedo mas que não articulava. A Senhora Dias, mulher forte, corajosa e destemida, com uma simples tesoura desinfectada, procurou o ponto ósseo de inserção do dedo desnecessário e cortou o que li estava a mais. Fez-lhe um penso com os unguentos com que tratava as feridas dos que a demandavam e confiou em Deus para que amparasse o menino e o salvasse de gangrena. Consta que, rapidamente, a ferida sarou e o menino ficou bem, embora assinalado naquele local da mão com uma pequena saliência ou verruga.

De Ti Manuel Luís também se contava que era um homem corajoso e destemido. Insatisfeito com a vida monótona, pobre e muito trabalhosa que tinha na ilha, igual à dos seus conterrâneos, a viver duma mísera agricultura de subsistência, a alimentar a família com as míseras colheitas que davam as poucas terras que possuía, umas vezes destruídas por tempestades outras desfeitas por secas ou pela salmoura, como muitos outros fajãgrandense do seu tempo, decidiu emigrar, partindo para os EUA, em busca da tão almejada fortuna que lhe permitisse mudar a sua ida. Nos Estados Unidos permaneceu cinco anos, o tempo suficiente para, ao regressar, trazer algum dinheiro, comprar mais algumas terras e construir dois moinhos na Ribeira das Casas, tornando o principal moleiro da freguesia. O filho mais velho, de nome Manuel Luís, formou-se no Seminário de Angra, onde consta que foi um aluno brilhante. Mais tarde fixou-se em Lisboa onde foi professor, jornalista, poeta e escritor. Os seus outros filhos foram: a senhora Dias, proprietária de uma das mais importantes lojas de comércio da freguesia, a Senhora Águeda e a Senhora Bernardete, também ela comerciante. Teve ainda dos filhos, o Tobias que lhe seguiu as pegadas de moleiro e o José Dias, que logo após a tropa, partiu para os estados Unidos, onde se fixou definitivamente, assim como mais tarde, o Tobias.

Ti Manuel Luís foi, na primeira metade do século passado, uma das mais importantes figuras fajãgrandense, graças ao seu espírito empreendedor, construindo os dois moinhos, de que, para além de proprietário, era também trabalhador. Na memória dos que o conheceram e se lembram dele, ainda hoje trespassa a imagem daquele homem, pequenino e magro mas muito activo e dinâmico, todo pintado de branco, a receber as moendas cheias de milho para um dia depois, as devolver, cheiinhas de farinha muita branquinha.

E que cheirinho tinha aqueles moinhos quando se lá entrava!.

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publicado por picodavigia2 às 15:28





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