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TRADIÇÕES E SUPERSTIÇÕES

Sábado, 17.05.14

Na Fajã Grande, antigamente, à boa maneira açoriana, havia muitas tradições, por vezes aliadas a superstições quer sobre os alimentos quer sobre a forma de os tomar. Enquanto alguns alimentos eram malignos, como por exemplo, a melancia que não devia comer-se sobre vinho, pois era mortal ou as laranjas que à ceia ou ao serão não se deviam comer, outros havia que tinham efeitos salutares, quase mágicos. Assim devia comer-se salsa em jejum, pois desenvolvia a memória e sopa de funcho na Sexta-Feira Santa, pois ele era mais doce nesse dia. É que Nossa Senhora, enquanto subia o Calvário, ia comendo funcho. Com muitas e variadas frutas e ervas se devia fazer chá, como o limão, o funcho, a macela, o poejo, a erva-nêveda, a cidreira, etc. Outros chás serviam para lavar e curar partes do corpo, como por exemplo o de mestrunços para dores nos ossos e o de malvas, muito bom para curar hemorróides. As papas de linhaça também eram óptimas para curar inchaços e maleitas. Alguns frutos deviam ser colocados ao sol para se tornarem mais saudáveis e a própria aguardente tinha efeitos medicinais, pois, misturada com mel curava a gripe e queimada com açúcar fazia bem à tosse e as dores de garganta

Algumas outras crenças. Relacionadas com o credo religioso católico, proibiam dizer nomes feios à mesa e fora dela, comer despido, ou com boné, boina ou chapéu, por acreditar que fosse uma ofensa a Jesus, ao Anjo da Guarda ou a algum santo que estivesse presente durante as refeições. Ainda, por razões religiosas, não se deviam sentar treze pessoas à mesa, durante uma refeição porque, assim como na Última Ceia, um havia de morrer em breve.

Enquanto se cozinhavam os alimentos, não se devia acender o lume com papel nem apaga-lo com água atiçá-lo com objectos metálicos. Algumas pessoas mais idosas cuidavam que atirando alho para o lume afugentava o diabo.

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, ainda se acreditava em feiticeiras, cuidando-se que andava em bailados nocturnos. Havia um calhar denominada das Feiticeiras, onde estavam marcados os seus pés. Dizia-se que subiam e desciam de manhã e à noitinha. Depois de atirarem por lá abaixo as almas penadas, vinham busca-las para voltar a atirá-las outra vez. Também se acredita em transfigurações do diabo, sob a forma de cão preto ou outro animal. As invocações dos mortos, a levantarem-se dos túmulos e regressarem ao mundo eram frequentes. Cuidava-se que as almas do outro mundo andavam por toda a parte e todos delas tinham medo Detrás das portas faziam-se cruzes com terebintina para afugentar o diabo. Os cogumelos, talvez por alguns serem venenosos eram considerados os pães das feiticeiras.

 

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publicado por picodavigia2 às 18:48





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