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UMA LENDA DA FONTE VELHA

Segunda-feira, 25.08.14

Antigamente, na Fontinha, em frente à casa do Arionó, havia uma fonte, chamada de Fonte Velha, talvez porque ali, outrora e antes de haver, na Fajã Grande, água canalizada, teria existido ali uma fonte natural, resultante de uma nascente, situada algures, nos confins da terra. Todos os dias, ia ali muita gente buscar água para dar de beber aos animais, para lavar a casa e a roupa ou simplesmente para beber.

Contavam-se que costumavam aparecer, junto à fonte gente misteriosa que aparecia e desaparecia, feiticeiras que se sumiam debaixo da fonte e muitos outros encantos que o povo presenciava, sobretudo na noite de São João.

Entre as várias lendas e estórias acontecidas, junto à Fonte Velha, contava-se uma, em que certa noite, ao passar por ali um homem que ia de viagem para os matos, parou para beber água e encher uma bóia que levava consigo. Depois de beber quanta água lhe apeteceu, começou a encher a bóia que há algum tempo achara no mar, a fim de levar água consigo para beber durante a longa caminhada que ia fazer. Ao encher a bóia, virou-se para apanhar a rolha e tapá-la, mas quando se foi a voltar a bóia, sem que ele contasse, caiu-lhe, rolando sobre as pedras da calçada. Só que ao baixar-se, para a apanhar, em vez da bóia da água viu uma moça muito bonita que lhe perguntou:

 —  Dás-me água para beber?

 — Dou, sim senhora. E só esperar — respondeu o homem que, no entanto, ficou muito admirado por ver aquela rapariga desconhecida, sozinha, àquelas horas da noite, em busca de água para beber.

Como a bóia, ao cair, rolara e despejara toda a água que tinha dentro, o homem voltou costas à rapariga, a fim de voltar a encher a bóia na fonte. Depois de a encher por completo, até derramar por fora, voltou-se para dar de beber à rapariga mas já não a viu. Apercebeu-se, porém, de que ela tinha bebido água pela bóia, sem sequer lhe tocar, pois esta, estava só meia e ele tinha a certeza que a enchera e de não espalhara nem um pingo.

O homem ficou tão assustado e nervoso, que já não continuou a sua viagem. Regressou a casa e na manhã seguinte, foi atirar a bóia para o mar, pois nunca mais a quis usar, nem muito menos beber água por ela.

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publicado por picodavigia2 às 10:19





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