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UMA VACA PARA O SENHOR ESPÍRITO SANTO (DIÁRIO DE TI’ANTONHO

Quarta-feira, 23.07.14

“Quando eu era criança, meu pai contava que há muitos anos, tinha havido um homem da Cuada que tinha feito a promessa de dar um jantar em louvor do Senhor Espírito Santo, pelo que decidiu criar uma vaca. Para poder cumprir a sua promessa e porque era pobre e não tinha relvas cá em baixo, nem comida para lhe deitar, resolveu ir levar a vaca ao mato, ao concelho para que ela lá ficasse durante o Verão e engordasse, a fim de que desse para cumprir a promessa.

 De vez em quando o homem ia ao mato ver a vaca e voltava sempre muito satisfeito porque o animal engordava a olhos vistos. Certo dia, porém, o homem chegou ao mato, ao sítio onde a vaca, normalmente, andava a pastar, mas não a encontrou. Procurou por todo o lado e por tudo o que era sítio, mas havia por ali muitos buracos, muitos valados, muitos grotões e muitos precipícios que dificultavam a busca. O homem regressou a casa muito triste e, à Praça, contou aos seus amigos o desgosto que tinha, sem saber o que havia de fazer para cumprir a sua promessa. Os homens que ali estavam tentaram acalmá-lo sem sucesso e, vendo aquela angústia e enorme tristeza, muitos ofereceram-se para ir com ele, no dia seguinte, procurar o animal. Procuraram um dia, dois dias, vários dias, todo o concelho mas não encontraram a vaca. Cuidando que ela teria morrido, regressaram ao povoado, sentindo que não podiam fazer mais nada. O homem ficou muito triste, pois como era muito pobre, não podia comprar outra vaca.

No entanto, lá foi economizando uns tostões e, ao fim de muitos anos, lá conseguiu juntar o dinheiro necessário para cumprir a sua promessa, porque o prometido é devido. Assim comprou outra vaca para pagar a sua promessa. Mas a vaca era pequena e pouca carne daria.

 Mas na semana antes do dia do Senhor Espírito Santo, juntou-se muita gente em casa do homem. Todos ajudaram a rachar a lenha, aquecer o forno, a amassar e a cozer o pão de trigo para comerem com a carne, mesmo sendo pouca, e a massa sovada. Na sexta-feira, foram em cortejo para o matadouro, para matar a vaca que o homem tinha comprado, depois da outra desaparecer. De repente viram ao longe, descendo uma canada, algumas reses que caminhavam na direcção do matadouro. O homem viu que o animal da frente era a vaca que lhe tinha desaparecido no mato e trazia atrás de si sete bezerros. Os animais chegaram-se para o lugar onde deviam ser mortos, como a oferecer-se e toda a gente se benzia e louvava o Senhor Espírito Santo pelo milagre. Mataram o gado e naquele jantar houve carne em abundância para todos.”

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publicado por picodavigia2 às 10:14





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